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Assim como a Pediatria é uma especialidade médica dedicada à criança, a Geriatria estuda as doenças dos mais Velhos e é actualmente uma especialidade médica na maior parte dos países da União Europeia do euro, excepto em Portugal e na Grécia.

 

Nos primeiros anos de vida as características fisiológicas são semelhantes entre as crianças, o que deixa de acontecer à medida que se vai envelhecendo.

 

Envelhece-se de forma diferente devido à educação, ambiente, alimentação, stresse, informação genética, políticas sociais, políticas de saúde, condições laborais, comportamento, etc..

 

 

A esperança média de vida tem aumentado exponencialmente desde a primeira metade do século XX e à medida que se envelhece acontecem mudanças que podem ser naturais (envelhecimento fisiológico) ou patológicas (envelhecimento patológico) no organismo.

 

Apesar de as causas das doenças serem as mesmas em qualquer idade, os sinais e sintomas podem ser diferentes e por vezes são mesmo contraditórios nos mais Velhos.

 

Isso acontece porque a maneira como se envelhece é diferente de pessoa para pessoa e os órgãos de um indivíduo também envelhecem em velocidades diferentes.

 

Genericamente, no envelhecimento normal, acontecem alterações no funcionamento dos rins, fígado, pulmões e produção de vitamina D.

 

Também aumenta a quantidade de gordura e diminui a quantidade de água sobretudo dentro das células, o que potencializa a tendência de desidratação, obesidade e maior permanência de medicamentos lipofílicos (que se dissolvem em gordura) o que pode provocar toxicidade nos mais Velhos.

 

O diagnóstico de uma doença num sénior deve ser feito por um médico geriatra e a posologia (número de vezes e quantidade de medicamentos a serem tomados) deve ser adequado ao seu estado funcional.

 

Por que razão Portugal não tem médicos Geriatras?

 

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Não é a idade que define quando deixamos de ser activos é a saúde e os idosos não são todos iguais e por essa razão não devem ser olhados da mesma forma.

 

Este grupo etário está a tornar-se um nicho de mercado importante no consumo e no turismo e há muitos que querem continuar a trabalhar e ter uma voz activa na sociedade.

 

É necessário verificar o ambiente em que eles vivem, as condições de habitação, os transportes públicos, combater a discriminação etária na tomada de decisões e garantir o acesso ao emprego.

 

 

 

 

Na Dinamarca, os governos têm um conselho consultivo composto por idosos e este conselho faz propostas concretas em áreas como por exemplo na saúde.

 

As Nações Unidas estão a trabalhar em conjunto com outras organizações para elaborar uma Convenção dos Direitos das Pessoas Idosas, tal como existe para as crianças ou para as mulheres.

 

A ideia é que a idade já não é o limite mas que é a saúde que define a altura em que deixamos de ser activos e autónomos. Esta é uma discussão importante, porque a definição cronológica do envelhecimento já não deve ser um critério.

 

Se nos conseguirmos manter autónomos vamos poder ter uma vida activa e a grande maioria dos idosos na Europa é autónoma.

 

Na Dinamarca, 83% dos mais velhos são autónomos e 17% estão dependentes e muitas vezes a atenção é focada nos idosos dependentes que não representam a maioria.

 

É necessário ter uma Europa mais amiga das pessoas idosas, no sentido de se conseguir um envelhecimento activo e saudável.

 

 

 

Fonte: Ebbe Johansen, vice-presidente da Plataforma AGE Europa

 

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O nosso cérebro está dividido em áreas e cada uma delas tem uma função. A demência de Corpos de Lewy, a demência de Alzheimer e a doença/demência de Parkinson possuem sintomas comuns a partir de uma certa fase quando as zonas do cérebro afetadas passam a ser as mesmas.

A demência de Corpos de Lewy tem esse nome devido aos depósitos microscópicos (corpos de Lewy) que danificam as células nervosas (neurónios) do cérebro. Uma figura pública que faleceu com a demência de Corpos de Lewy foi o conhecido ator Robin Williams.

Apesar de serem detetáveis alterações patológicas no cérebro em exames de imagem, os corpos de Lewy só são observáveis por autópsia ou biópsia.

A mesma situação passa-se na situação da doença de Alzheimer: este tipo de demência só pode ser confirmado com toda a certeza em autópsia através da deteção entre os neurónios da proteína beta amiloide (o que diminui a capacidade de comunicação entre os neurónios) e novelos neurofibrilares dentro das células nervosas.

Os pacientes com demência de Corpos de Lewy têm oscilações no estado cognitivo, distúrbios na capacidade de atenção, distúrbios visuais e na avaliação espacial da localização de objetos, alucinações, quedas, depressão e sinais de Parkinson (o parkinsonismo pode ser tão leve que não necessite de tratamento).

A Demência de Corpos de Lewy afeta:

·       A concentração e a atenção;

·       A memória;

·       A comunicação;

·       As referências espaciais que interferem com a capacidade de mobilidade (as pessoas medem mal as distâncias e a localização de obstáculos);

·       A capacidade de executar ações simples previamente apreendidas;

·       A capacidade de raciocinar;

As pessoas com esta forma de demência geralmente sofrem de alucinações visuais e podem sofrer quedas sem motivo aparente porque, como já referimos, a capacidade de julgar distâncias e fazer ações com precisão fica alterada. As alucinações podem ser assustadoras e provocar comportamentos irracionais, e o cuidador deve evitar sempre o confronto ou a negação da alucinação. Em casos raros, a frequência cardíaca e a pressão arterial é afetada.

As demências de Corpos de Lewy e o Alzheimer podem ter os seguintes sintomas em comum:

·       Alucinações;

·        Problemas na linguagem;

·       Perda de memória

No entanto, enquanto em pessoas com Alzheimer a memória de curto prazo (ex: memória utilizada para decorar um número de telefone que vai ser utilizado) é afetada na fase inicial da doença, na demência de Corpos de Lewy isso só acontece numa etapa mais avançada.

Á semelhança do que acontece com a doença de Alzheimer não há cura para a demência de Corpos de Lewy, e a sua progressão é normalmente mais rápida que o Alzheimer.

A demência de Corpos de Lewy pode ter em comum com a doença de Parkinson os seguintes sintomas:

·       Lentidão de movimentos:

·       Rigidez e tremores;

A doença de Parkinson pode evoluir em alguns casos para demência de Parkinson.

Existem estratégias que devem ser utilizadas nas fases iniciais das diferentes formas de demência que visam manter o máximo de tempo possível a independência nas atividades de vida diária. Quatro exemplos: 

·       Implementar rotinas;

·       Simplificar a comunicação e utilizar também a comunicação não verbal. Dividir a comunicação em partes;

·       Utilizar lembretes escritos ou com som devidamente apoiados pela família e cuidadores;

·       A contratação do serviço de terapeutas da fala pode ser útil, mas com a progressão da demência todas estas estratégias perdem eficácia.


 Leia dois artigos sobre o mesmo tema aqui: 

https://www.cuidador.pt/blogue/176-a-doenca-e-a-demencia-de-parkinson-2

 https://www.cuidador.pt/blogue/316-a-importancia-da-detecao-precoce-da-doenca-de-parkinson 

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A síndrome do pôr do sol é comum entre as diferentes formas de demência, e carateriza-se por um acréscimo de agitação, confusão e perda de memória. O nome surge porque as alterações acontecem a partir do final da tarde ou do início da noite.

Esta síndrome afeta cerca de 20% das pessoas com Alzheimer e também pode atingir pessoas mais velhas que não têm demência.

A ciência não sabe exactamente por que razão acontece nessa altura do dia, mas alguns cientistas atribuem a causa a uma alteração nos ciclos de sono e de vigília do ritmo circadiano.

O ritmo circadiano é influenciado pela mudança do dia para a noite, variação de luz ao longo do dia e do ano, temperatura ambiente, marés, …. Trata-se de um relógio biológico que regula o funcionamento do organismo, como a variação de temperatura corporal, pressão arterial, secreção hormonal, sono, frequência cardíaca, etc...

À medida que o Outono chega e os dias se tornam gradualmente mais curtos, a síndrome do pôr do sol pode ser um factor perturbador e de sobrecarga. O cuidador deve, dentro de um processo contínuo, experimentar tácticas para minimizar os sintomas e observar as que funcionam e as que não funcionam. A família cuidadora deve pedir a profissionais da área médica que despistem a possibilidade de a causa da agitação não ser a síndrome, mas sim a presença de dor, infecção do trato urinário ou deficiência de vitaminas.

O intervalo de tempo entre o pôr do sol e o crepúsculo pode ser particularmente perturbador para as pessoas com Alzheimer e os sintomas podem incluir:

·       Agitação

·       Ansiedade

·       Confusão

·       Desorientação

·       Alucinações

·       Deambulação errática

·       Irritabilidade

·       Paranoia

·       Inquietação

O agravamento dos sintomas comportamentais a partir do final da tarde é um indício, e a diminuição da luz parece ser o percursor da síndrome do pôr do sol. Os sintomas pioram à medida que a noite avança, e podem só desaparecer ao amanhecer.


 


Sugestões para o cuidador gerir os sintomas provocados pela síndrome do pôr do sol:

1)    Seguir o cronograma das actividades diárias.

Uma pessoa com a doença de Alzheimer - ou com outra forma de demência - pode ter reacções comportamentais em lugares desconhecidos ou perante pessoas estranhas. Manter uma rotina nas actividades de vida diária evita o stress e diminui as alterações de comportamento. Não se devem fazer alterações nas rotinas diárias, mas se isso não for possível, o cuidador deve mudar as coisas gradualmente. As rotinas aumentam a sensação de segurança. Defina horários para acordar, comer e deitar. Agende eventuais compromissos, passeios, visitas e a hora do banho para o início do dia.

2)    Ajustar o horário e a forma das refeições.

Devem ser evitadas refeições pesadas, bebidas alcoólicas e bebidas com cafeína ao final da tarde e início da noite. A principal refeição da noite deve ser servida o mais cedo possível, e só com a noite mais adiantada é que pode ser propiciado um lanche aligeirado.

3)    Possibilidade de administrar um medicamento.

Administre ao familiar doente um medicamento prescrito. Alguns médicos recomendam um suplemento natural como a melatonina (hormona do sono) para estimular o sono. O cuidador nunca deve dar a um familiar com demência um fármaco ou um suplemento sem antes consultar o médico.

4)    Estimular a actividade.

Mantenha o familiar activo durante o dia - com caminhadas ou trabalhos de jardinagem - para melhorar a qualidade do sono à noite, e reduzir os sintomas da síndrome do pôr do sol.

5)    Procurar detectar os factores causais.

Não há duas pessoas exactamente iguais, e o que provoca alterações de comportamento a uma pessoa com Alzheimer pode não incomodar outra na mesma circunstância. Procure identificar os factores que contribuem para a agitação, a confusão e outros sintomas da síndrome. Procure padrões nas alterações de comportamento e tente descobrir pistas sobre situações causadoras. Escreva num caderno as actividades ou rotinas e esteja especialmente atento ao que acontece antes do período do pôr do sol. Registe os possíveis factores causais e partilhe essa informação com os outros cuidadores da família.

6)    Diminuir factores de stress.

Ao final do dia, evite que o seu familiar realize tarefas que excedam a sua capacidade. Pretende-se evitar sentimentos de frustração que possam amplificar os sintomas da síndrome. Tenha em mente que mesmo tarefas como ler ou ver televisão, podem ser muito difíceis para uma pessoa com demência em fase avançada.

Mantenha o ambiente o mais calmo e silencioso possível. Reduza o ruído ambiente, desligue a TV, diminua o volume da música e não tenha visitas. Evite também nessa altura do dia actividades cansativas ou que provoquem alguma perturbação como por exemplo tomar banho. Ponha música relaxante com volume baixo ou utilize a aromaterapia com odores que agradem ao familiar para perfumar levemente a casa.

Caso existam mais familiares em casa coloque as crianças numa divisão e peça às pessoas para se manterem calmas. Evite fazer tarefas que provoquem ruído como por exemplo aspirar o chão.

7)   Usar luzes fluorescentes de espectro total.

Um estudo recente descobriu que a terapia com luz pode diminuir a agitação em pessoas com demência. A Healthline recomenda a utilização de iluminação fluorescente de espectro total e a Alzheimer’s Association sugere a utilização de iluminação quando uma pessoa com Alzheimer se sente agitada ou confusa.

Diminua ao mínimo a existência de sombras e transmita segurança. À medida que a luz do dia desaparece a existência de sombras pode provocar medo e ansiedade. Para aumentar a sensação de segurança, feche as cortinas e evite sombras ou cantos escuros.

8)   Certificar que as necessidades básicas estão satisfeitas.

Verifique se a temperatura ambiente é confortável e se as necessidades básicas como a hidratação, a alimentação, e a higiene estão asseguradas antes da hora em que geralmente os sintomas começam.

O cansaço ao final do dia, a existência de dor ou de desconforto, a higiene por fazer, a necessidade de ir à casa de banho, a sensação de fome ou de sede, o frio, o calor e a insónia são factores de alteração comportamental.

9)   Ter consciência do seu nível de stress.

Tenha consciência do seu nível de stress. Ao final do dia o cuidador pode estar frustrado e exausto e o seu familiar pode pressentir isso. A pessoa com demência é muitas vezes sensível à linguagem corporal e ao tom de voz. Para o cuidador reduzir o seu próprio stress deve fazer pequenas pausas durante o dia, receber ajuda regular e utilizar técnicas de relaxamento.


 

 


 

 


 

Fontes:

https://dailycaring.com/7-ways-to-reduce-dementia-sundowning-symptoms/

https://www.alzheimers.net/how-seasonal-sundowning-can-affect-alzheimers/

https://www.healthline.com/health/dementia-sundowning

Alzheimer's Association

Cruz Roja de España

 


 

Leia também:

“COMO VISITAR UMA PESSOA COM DEMÊNCIA” aqui 👉 https://www.cuidador.pt/blogue/276-como-visitar-uma-pessoa-com-demencia

A IMPORTÂNCIA DO AMBIENTE NA DEMÊNCIA” aqui👉https://www.cuidador.pt/blogue/140-a-importancia-do-ambiente-na-demencia

“SÍNDROME DO PÉ DIABÉTICO: SINAIS DE NECESSIDADE DE AJUDA MÉDICA” aqui 👉  https://www.cuidador.pt/blogue/292-sindrome-do-pe-diabetico-sinais-de-necessidade-de-ajuda-medica


 

 

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6 benefícios no consumo da gordura (anti-inflamatória) ómega-3 para a saúde e processo de envelhecimento:

1)    No início dos anos 80 do século XX foi realizado um estudo sobre os pescadores da Groenlândia cuja principal fonte alimentar vem de peixe do mar muito rico em gordura ómega-3. Essa população piscatória tem menos doenças crónicas (principalmente cardiovasculares) comparativamente à restante população da Europa ocidental.

2)    Um dos sinais da doença de alzheimer é a inflamação do cérebro e a gordura ómega-3 tem propriedades anti-inflamatórias.

 

3)    Tem efeito positivo na cognição e na memória: um estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, refere que há benefícios na cognição das pessoas que consomem regularmente alimentos com este tipo de gordura.

 

4)    Protege o cérebro da comida “fast food”: um estudo publicado no British Journal of Nutrition em Maio 2013, demonstra que o consumo de ómega 3 protege o cérebro da gordura prejudicial à saúde.

5)    É anti-inflamatória: a inflamação pode resultar de um processo natural de reacção do nosso organismo a uma lesão ou invasão de um corpo estranho, ou ser provocada por doenças autoimunes como por exemplo a artrite. Quando a resposta inflamatória se torna crónica (perdura) pode provocar danos nos tecidos e órgãos e desenvolver doenças cardiovasculares, cancro, etc. Ao contrário do ómega-3 (que é anti-inflamatória), a gordura ómega 6 estimula a inflamação, reação necessária caso o organismo seja lesado ou invadido por um corpo estranho. O problema surge, como já se referiu, quando a inflamação se torna crónica.

6)    Um estudo publicado no The Journal of Clinical Psychiatry concluiu que o ómega-3 tem um efeito benéfico na depressão menor ou na distemia. A distemia é uma forma de depressão que pode perdurar durante muitos anos sem ser valorizada porque possui sintomas muito leves que nos mais Velhos podem ser atribuídos erradamente ao “envelhecimento”.

 

São fontes de ómega-3 peixes como por linguado, arenque, cavala, salmão, sardinha, truta e atum; vegetais com folhas verdes como a couve, salsa, hortelã, couve-de-bruxelas, espinafre, agrião; sementes oleaginosas como a linhaça (moída para ser devidamente absorvida pelo organismo).

 

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