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Sardenha é um dos locais no mundo com maior percentagem de população longeva autónoma e saudável.

Para perceber a razão do envelhecimento primário ou bem-sucedido nessa ilha italiana, realizou-se um estudo durante 10 anos com dois grupos de Idosos com mais de 80 anos.

O primeiro grupo incluiu como amostra pessoas da ilha de Sardenha, e o segundo grupo cidadãos de Bari da zona continental de Itália.

Verificou-se que muitas das pessoas centenárias da ilha de Sardenha ultrapassam os 110 anos de idade e são quase sempre independentes até ao fim dos seus dias. Por sua vez as pessoas mais velhas de Bari têm pior qualidade de vida em comparação com os seus compatriotas da ilha de Sardenha. 

Alguns dos fatores importantes do envelhecimento bem-sucedido em Sardenha são:

·       Clima ameno;

·       Tranquilidade da vida na ilha;

·       Dieta hipocalórica, com pouca carne, e muitos vegetais;

·       Rede social inclusiva;

·       Baixa densidade populacional;

·       Condições de estímulo à autonomia e independência das pessoas idosas.

Segundo a American Dietetic Association, “a adesão a estilos de vida saudáveis pode desempenhar um papel mais importante que a própria genética do envelhecimento.”

Ou seja, a informação genética relativa à longevidade que nasce com a pessoa é menos importante na maneira como se envelhece que o comportamento e as condições ambientais ao longo do ciclo de vida.

Veja um vídeo sobre este tema aqui : www.youtube.com/watch?v=aaggoHP8m0Q 

 

 

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·       Servir os pratos por ordem e um a um;

 

·       Proporcionar só os talheres que vão ser utilizados em cada momento;

 

·       Sentar-se de frente para o familiar se fôr necessário e realizar gestos precisos para que o imite e possa levar a cabo a refeição;

 

·       Através de indicações verbais dizer o que tem que fazer passo por passo;

 

·       A toalha da mesa deve ser branca e os pratos de uma côr que desperte a atenção;

 

·       Não colocar nada em cima da mesa que não seja necessário e possa provocar distracção;

 

·       O familiar deve estar sentado com a cabeça e o pescoço em posição vertical e os braços e os pés bem apoiados;

 

·       Manter as rotinas: o mesmo local e a mesma hora da refeição;

 

·       Evitar que o local da refeição tenha ruídos (televisão ligada, etc.) e movimento de pessoas;

 

·       Não apressar a refeição;

 

 

·       Em caso de falta de apetite falar com o médico para verificar se a medicação está a diminuir a fome e certificar se tem dores na boca, a dentadura mal colocada ou se engasga-se com facilidade;

 

·       Servir refeições bem apresentadas, coloridas e com ervas aromáticas que estimulem o paladar;

 

·       Servir as refeições preferidas do seu familiar antes de ele ter começado a ficar doente;

 

·       A alimentação deve propiciar - sempre que possível - a mastigação. A consistência dos alimentos e a mastigação é um estimulante da actividade do hipocampo, região do cérebro importante para as funções de memória e aprendizagem. (Kravchenko, 2008)

 

·       O iogurte natural e o queijo devem ser uma excelente alternativa ao leite.Com o envelhecimento pode surgir a dificuldade de digestão da lactose (açúcar do leite) porque a lactose precisa da enzima lactase (produzida no intestino delgado) para ser decomposta e à medida que se envelhece a produção da enzima lactase diminui. Com a fermentação do queijo ou do iogurte essa situação deixa de se colocar. Outra razão que justifica a preferência do iogurte natural ou queijo relativamente ao leite é o facto de a enzima lactase além de ajudar a metabolizar o açúcar do leite (lactose) também participa na separação do cálcio da lactose e da caseína do leite, o que resulta numa absorção mais eficaz do cálcio.

 

·       Verificar a temperatura e a consistência dos alimentos;

 

·       Com a idade pode acontecer uma diminuição natural da produção de saliva e essa diminuição pode ser agravada com a toma de medicamentos. Os alimentos ácidos estimulam a produção de saliva.

 

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 Sobre a importância da hidratação:

·       O mecanismo da sede é despertado quando já se perdeu de 1 a 2 por cento de líquido corporal, momento em que começa o processo a desidratação; no entanto, com o envelhecimento esse mecanismo de aviso vai perdendo eficácia; 

·       O nosso corpo precisa de um meio aquoso para realizar as reações químicas;

·       O organismo humano perde água através da atividade física, respiração, suor, urina e fezes; é aconselhável um consumo diário de um litro e meio a dois litros de água por dia, tendo em atenção a atividade física que se tem, a temperatura ambiente, e os medicamentos diuréticos e laxantes que se tomam;

·       A quantidade de água no organismo diminui naturalmente com a idade e, consequentemente, os mais Velhos são mais suscetíveis à desidratação; ao longo da vida, a água pode passar de cerca de 80% da composição corporal de uma criança para aproximadamente 70% de um adulto, e cerca de 50% de uma pessoa Idosa;

·       Essa diminuição da quantidade de água deve ser tida em conta no receituário de medicamentos de forma a evitar situações de toxicidade;

 

·       Com o passar de anos a capacidade de sentir sede diminui, o que aumenta o risco de desidratação; os mais Velhos são um grupo de risco porque, além de a sensação de sede diminuir,  a capacidade do organismo conservar água também diminui, assim como também diminui a capacidade do organismo em responder às variações de temperatura;

·       Estas alterações fisiológicas (diminuição da conservação de água e da capacidade em responder às variações de temperatura) podem ter consequências graves em situações de desidratação com o tempo quente ou com a existência de doenças crónicas como a diabetes e a demência; o diabético tem tendência à poliúria (micção anormal) e uma pessoa com demência tem mais dificuldade de comunicação; 

·       A desidratação está associada à precipitação de hospitalizações; uma elevada percentagem de pessoas idosas que dão entrada em hospitais chegam desidratadas.

·       Identificar a desidratação é uma tarefa difícil e a pessoa cuidadora deve estar atenta aos seguintes sinais: sonolência excessiva, confusão mental, fraqueza, agitação psicomotora, indisposição, dores de cabeça, boca seca ou com pouca saliva, choro sem lágrimas, diminuição da urina ou urina de cor forte, diminuição da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, tonturas, perda de peso e aumento de infeções; o coração de uma pessoa desidratada precisa de bater de forma mais rápida para bombear o sangue com oxigénio e nutrientes para as células;

·       É necessário ter atenção redobrada às pessoas que vivem sós com dificuldade de deglutição, mobilidade, comunicação, demência, incontinência urinária e que usam laxantes ou diuréticos;

·       Beber água ajuda a eliminar toxinas e a manter a pele saudável, e o estado desse órgão é o espelho da saúde; a falta de água no organismo cria condições para que se acumulem toxinas e bactérias, e os rins e a bexiga são orgãos particularmente suscetíveis a infeções; a água entra na composição da cartilagem das articulações, zonas sensíveis ao envelhecimento; as pessoas com alergias e asma têm maior dificuldade em respirar quando estão desidratadas;

·       A água tem alguns micronutrientes, mas não tem calorias, ou seja beber água não engorda;

·       A desidratação extrema pode resultar na irrigação insuficiente de sangue e falência consequente dos órgãos.

 


 

 


 

Sugestões sobre como realizar a hidratação:

1)   A água deve ser bebida gradualmente em pequenos goles essencialmente fora das refeições para que seja rapidamente absorvida e cumpra realmente a função de hidratação; com a exceção da água e das infusões, todos os outros alimentos que contribuem para a hidratação devem estar integrados numa dieta equilibrada e saudável, para que não sejam promotores do aumento da ingestão de calorias e consequentemente do peso.

2)   Qualquer líquido que tenha função hidratante não deve ter açúcar na sua constituição; pode aromatizar-se a água adicionando gotas de sumo de laranja, lima ou limão, ou adicionar uma rodela de laranja, lima, limão ou canela;

3)   Deve-se consumir regularmente frutos e hortícolas frescos como o melão, a melancia, a meloa, uvas, kiwi, morangos, maçã, pera, pêssego, brócolos, cenoura, alface e tomate, por apresentarem na sua composição uma percentagem de água entre os 80 e os 90%; deve-se manter o consumo de sopa de legumes às refeições principais, dado que contribui igualmente para a ingestão de líquidos, mas também para a ingestão de fibra, vitaminas e minerais essenciais.

4)   A altura do consumo de água deve privilegiar a parte da manhã e ir diminuindo até à noite, para que se durma sem interrupções (menos micção noturna);

5)   Uma ingestão moderada de água à refeição ajuda a humedecer o bolo alimentar, o que facilita a sua passagem ao longo do intestino, combatendo a prisão de ventre; a ingestão adequada de água à refeição também forma um bolo alimentar mais volumoso, o que dá um sinal ao nosso cérebro que estamos saciados com mais facilidade; quando se ingere muita água com alimentos, o resultado é a dilatação do estômago porque como os alimentos têm que ser digeridos e permanecem mais tempo no estômago juntamente com a água, formam um grande volume alimentar;

6)   Os cuidadores devem criar estratégias de hidratação de forma a alterar o mínimo possível os hábitos do familiar, tal como por exemplo:

·       Dar a ingerir um copo de água, um batido ou um sumo nas pausas da emissão um programa televisivo;

·       Marcar um horário e, caso haja necessidade, recorrer à utilização de um sinal sonoro para recordar a ingestão do líquido hidratante;

·       Quando um familiar recusa beber água, podem ser adotadas estratégias como fornecer fruta com grande quantidade de água, infusões, batidos ou sumos;

·       Beber um copo de água, um batido ou um sumo sempre que lavar as mãos.

Leia um artigo sobre o golpe de calor aqui https://www.cuidador.pt/blogue/265-os-idosos-correm-maior-risco-de-sofrer-um-golpe-de-calor

 

 

 

 

 

 

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De forma mais visível ou dissimulada acontecem diariamente exemplos de descriminação pela idade (i.e. idadismo) e as vítimas desses preconceitos ou estereótipos são as pessoas mais jovens e as pessoas “idosas”.

Coloco entre parênteses a palavra idosas porque existem várias formas de medir a idade e nem sempre o número de anos de uma pessoa (i.e., a idade cronológica) reflete o estado de saúde (idade biológica).

Na passada sexta-feira, dia 24 de Março de 2017, presenciei um exemplo de idadismo numa instituição de cuidados de saúde com dimensão nacional.

Durante o atendimento a uma idosa que estava acompanhada com um familiar e aparentava ter seguramente mais de 80 anos, a funcionária olhou para o acompanhante e pediu-lhe para preencher um formulário.

Em resposta o familiar perguntou: “não pode ser a minha mãe a escrever?”

E a funcionária respondeu: “ela é capaz?”

Fui, entretanto, observando a idosa e não detetei nenhum sinal de incapacidade que pudesse justificar a atitude – idadista - da funcionária da instituição. A idosa comunicava e agia normalmente, e não verifiquei nenhum dos quatro “A” que - podem eventualmente - significar deficiência cognitiva: Apraxia, Amnésia, Agnosia e Afasia. Consegui observar que a escrita da idosa era bem desenhada e bem situada nas linhas do formulário. Como se sabe as alterações facilmente identificadas e sem explicação aparente na escrita podem ser um sinal de perda cognitiva.

Muitos idosos são independentes e autónomos na sua vida diária e as instituições de saúde têm a obrigação de formar os seus funcionários no sentido de terem a noção que envelhecimento não é doença, incapacidade ou demência.

As predições preconceituosas criam condições para que surjam estereótipos. Se o envelhecimento for encarado – unicamente - de forma negativa as perdas cognitivas e físicas surgirão mais rapidamente. A ironia é que na fase mais tardia da vida as pessoas preconceituosas também serão vítimas do próprio preconceito. A razão prende-se com o facto de o olhar para o envelhecimento de forma – unicamente – negativa cria a tendência para se terem comportamentos que descurem o autocuidado e a saúde.

É preciso ter presente que para se detetar um sinal de demência também é necessário verificar o ponto de partida da reserva cognitiva da pessoa. Uma pessoa que por razões pessoais, sociais ou falta de recursos não teve acesso a formação e ao conhecimento não é uma pessoa demente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Os pais idosos, assim como os filhos, podem entrar em negação sobre a necessidade de ajuda na realização das atividades de vida diária. Depender não significa necessariamente que se tenha de ir para um lar de idosos porque um ajuste na rotina diária domiciliar pode compensar a perda de independência.  

 


 

 

 

Caso tenha assumido o papel do cuidador e precise de alguma orientação sobre a melhor forma de ajudar o seu familiar, aqui estão algumas sugestões para tornar a experiência um pouco mais fácil.

1.    Tenha uma conversa aberta porque precisar de ajuda na higiene íntima pode provocar uma sensação de humilhação. Procure saber a preferência do seu familiar na ajuda:

·       Será que ele prefere que um determinado membro da família lhe dê banho ou lhe faça a barba?

·       Será que ele prefere um enfermeiro ou cuidador que não seja da família?

·       Será que ele prefere alguém do mesmo sexo ou do sexo oposto?

2.    Mantenha sempre que possível as rotinas: se o seu familiar tinha o hábito de fazer a higiene numa determinada altura do dia, tente manter a rotina. Se ele utilizava determinados produtos, esponjas ou toalhas, tente manter tudo igual.

3.    Proteja o seu vestuário com um avental de plástico para ajudar de forma eficaz e manter-se seco.

4.    Caso seja necessário instale ajudas técnicas. Se o seu familiar tem falta de equilíbrio faça adaptações técnicas no chuveiro e na banheira como por exemplo:

·       Barras de suporte;

·       Adesivos antiderrapantes no piso da banheira ou poliban;

·       Banco para banheira;

·       Tenha tudo previsto e preparado antes de iniciar o banho. Prepare a temperatura da água, a temperatura do quarto de banho, as esponjas, as toalhas, os panos e o shampoo.

·       Os sabões líquidos são mais eficientes e seguros que os sabonetes em barra porque são facilmente colocados no pano ou na esponja.

·       Permita que o sénior coloque uma toalha em volta do corpo. Os idosos mais reservados podem sentir-se mais confortáveis com toalhas colocadas em torno das suas partes íntimas durante o banho. É claro que as toalhas terão de ser contornadas para se limparem essas zonas do corpo, mas o cuidador familiar pode criar uma rotina que funcione bem.

·       Limpe bem as dobras da pele. As dobras da pele são zonas onde as bactérias crescem e por isso é importante estar atento aos seios, pescoço, dobras do estômago e órgãos genitais. Estas áreas devem ser depois de lavadas bem secas para evitar infeções fúngicas.

·       Lave cuidadosamente e certifique-se que tirou todo o sabão da pele. O chuveiro de mão ajuda neste processo.

·       Seque sem esfregar e aplique um hidratante. A pele torna-se mais fina com a idade e por isso é importante ter algum cuidado ao secar com uma toalha. A aplicação de um creme hidratante com o ph adequado e sem químicos prejudiciais à saúde ajuda a prevenir a pele seca e pode até mesmo ser uma forma de terapia ao massagear suavemente a pele.

·       A diminuição da espessura da pele facilita a absorção para o sangue de tudo o que lhe colocamos em cima, e diminui a capacidade de regulação da temperatura interna.

·       Pode não ser necessário dar um banho completo todos os dias porque isso vai fazer com que a pele fique mais seca e pode ser desgastante para o familiar sénior e cuidador.

·       Esteja a tento a outros aspetos da higiene. Tal como o banho, a higiene dental e o barbear também são importantes. Devem-se realizar consultas regulares no dentista. As dentaduras devem ser verificadas regularmente assim como o estado das gengivas, principalmente no caso de existência de diabetes devido à maior facilidade de infecções.

·       A utilização de uma escova de dentes eléctrica pode ser mais eficaz.

·       Consulte o dentista sobre o creme dentífrico que utiliza para diminuir o risco de pneumonia aspirativa.

·       Estimule o seu familiar a bochechar para diminuir as bactérias na boca, especialmente se for diabético.

 

·       Leve o seu familiar a um barbeiro sempre que possível de modo a proporcionar não só um bom barbear mas também um passeio.

 

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