Log in

 

 

  • blogue
  • Visualizações: 4307

O facto de um ser humano ter demência, em particular a doença de Alzheimer, não significa que ele deixe de gostar de receber visitas. O isolamento social do cuidador e do seu familiar tem consequências negativas na saúde de ambos.

O cuidador deve, no entanto, preparar bem esse momento devido aos condicionalismos da doença. Existem formas de tornar essas visitas bem-sucedidas e positivas, e elas passam por uma boa planificação e pelo conhecimento do que deve e não deve ser feito.

  • blogue
  • Visualizações: 4406

Inês e Luísa são duas irmãs que cuidam da mãe que sofre de demência numa fase intermédia. A pessoa doente tem 90 anos, sempre foi ativa, e possui uma personalidade forte. A doença demencial progride lentamente, mas o que mais afeta a mãe e as duas cuidadoras é uma infeção urinária não diagnosticada.

Este caso é muito comum porque as mulheres e os idosos são mais propensos a ter infeções urinárias, e os seus sintomas nem sempre são fáceis de detetar. As mulheres sofrem mais frequentemente desta doença devido à sua anatomia (a uretra está mais próxima da vagina e do ânus) e à alteração hormonal que surge com a menopausa. A falta de higiene ou a limpeza na direção oposta à correta (movimento de limpeza de trás para a frente) depois de ir à casa de banho contribui para que as bactérias entrem na uretra mais facilmente. 

São fatores de risco para contrair infeção urinária:

• Ser mulher

• Ser diabético

• Ter um histórico de cálculos renais

• Ser portador de complicações na próstata

• Ter imunodeficiência

 O grupo de pessoas idosas está mais exposto a infeções urinárias pelos seguintes motivos:

1)    O sistema imunológico fica menos eficiente com o envelhecimento, o que torna as pessoas idosas mais vulneráveis.

2)   Com a idade os músculos da bexiga perdem elasticidade e capacidade funcional. A consequência é a bexiga não se esvaziar completamente depois de urinar e a urina residual tornar-se terreno fértil para o crescimento de bactérias.

3)   Se a pessoa idosa tiver outra patologia, como por exemplo a diabetes, ou se foi submetida a tratamento de quimioterapia, o risco de sofrer uma infeção urinária é maior.

Se a pessoa precisar de usar cateteres urinários é conveniente removê-los logo que seja possível. De acordo com a Sociedade de Alzheimer do Reino Unido, um quarto das infeções adquiridas em hospitais estão associadas à utilização deste tipo de cateter.


Como se manifesta uma infeção urinária?

A infeção pode aparecer em qualquer lugar das vias do trato urinário: uretra, ureteres, bexiga e rins. Os seus sintomas podem ser:

1)   Cor da urina escura, desidratada, com um odor forte ou com sangue;

2)   Febre;

3)   Dor ou ardor ao urinar;

4)   Pressão ou dor na parte inferior do abdómen ou nas costas. Desconforto na zona pélvica; 

5)    Forte necessidade de urinar com frequência, mesmo após o esvaziamento da bexiga.

As pessoas idosas ou imunodeprimidas podem apresentar um quadro de sinais e sintomas atípico. 


Se a infeção se propagar para os rins, os sintomas podem ser:

·       Calafrios, tremores ou suores noturnos;

·       Fadiga e sensação de indisposição geral;

·       Febre;

·       Dor nas costas ou na virilha;

·       Pele vermelhada ou quente;

·       Alterações mentais ou confusão (em pessoas idosas estes sintomas podem ser os únicos que ocorrem);

·       Náuseas e vómitos;

·       Dor abdominal intensa;

 


Sintomas nas pessoas mais idosas e nas pessoas com demência:

Os sintomas de uma infeção urinária em pessoas idosas podem ser diferentes dos sintomas numa pessoa jovem (ardor ao urinar, vontade de urinar acima do que é habitual, …). Nos idosos, os sintomas são mais complexos e difíceis de detetar. Segundo a revista Nursing, cerca de 30% a 40% dos idosos com infeções graves não apresentam febre porque o sistema imunológico não é capaz de criar esse tipo de resposta.

Se acontecer uma mudança comportamental significativa numa pessoa com demência e não existirem alterações na rotina diária ou no ambiente, a possibilidade de uma infeção urinária não deve ser negligenciada. Se a pessoa tiver demência, o seu cuidador deve estar atento às seguintes situações:

1)   Surgimento repentino de confusão, agitação, ou de delírio;

2)   Perda de capacidade para realizar atividades da vida diária que eram feitas pouco tempo antes;

3)   Cansaço;

4)   Um agravamento repentino da incontinência;

5)   Dor e mal-estar geral.

 

Uma infeção urinária é detetada através de um exame a uma amostra de urina e é tratada com antibióticos. Caso a operação de recolha de urina seja complicada devido à fase avançada da demência do familiar, o cuidador pode consultar o médico no sentido de verificar a possibilidade de detetar a presença de bactérias nas fraldas usadas.


Recomendações para se evitar uma infeção urinária:

1)   Encorajar a pessoa com demência a beber líquido suficiente. Uma das razões é que a desidratação faz com que a urina fique mais concentrada o que pode causar dor. Outra das razões é que urinar ajuda a expulsar as bactérias que se encontram no trato urinário.

2)   Levar em conta as preferências de hidratação da pessoa doente e verificar se a bebida hidratante está num recipiente fácil de manusear. Podem ser utilizados copos coloridos.

3)   Estabelecer hábitos ou rotinas com o objetivo de a pessoa com demência ir à casa de banho com frequência. A urina não deve ser retida na bexiga por muito tempo.

4)   Sinalizar a porta do quarto de banho através de uma fotografia ou de um sinal para que esta divisão da casa seja mais facilmente reconhecida.

5)   Trocar a fralda com frequência em caso de incontinência da pessoa.

6)   Urinar antes e depois de ter relações sexuais. Este ponto diz respeito acima de tudo aos pacientes que estão na fase leve da demência. Durante a relação sexual, o pénis de um homem pode introduzir na bexiga as bactérias que se encontram na abertura da uretra. Ao se urinar esvazia-se a bexiga e expulsam-se as bactérias.

7)   Evitar que aconteça a obstipação porque ela pode impedir que a bexiga esvazie adequadamente, o que aumenta a possibilidade de uma infeção urinária. Deve-se, portanto, estimular a mobilidade, as mudanças posturais, a hidratação, uma dieta adequada, fazer caminhadas, e fazer exercícios.

8)   Manter uma boa higiene: lavar os órgãos genitais com água. Em caso de incontinência fecal, devem ser utilizados lenços humedecidos e esponjas descartáveis. A mulher deve ser limpa de frente para trás. A menopausa aumenta o risco de infeção urinária.Ter lenços humedecidos no quarto de banho ajuda a pessoa no processo de manter uma boa higiene.

9)   No caso de a pessoa ter uma sonda vesical, há que ter muito cuidado com a sua manipulação. A bolsa deve estar sempre num plano mais baixo para evitar que a urina retorne. Há que controlar a quantidade de urina, a cor e o odor. Observar as alterações e comunicar ao médico.


 

 Baseado na fonte: https://www.cuidarbien.es/te-ensenamos/se-comporta-de-forma-extrana-quiza-tenga-una-infeccion/


Leia também:

BREVE INFORMAÇÃO SOBRE A INCONTINÊNCIA URINÁRIA aqui https://www.cuidador.pt/blogue/306-breve-informacao-sobre-a-incontinencia-urinaria-2

É ALZHEIMER OU É UMA INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO? aqui https://www.cuidador.pt/blogue/71-e-alzheimer-ou-e-uma-infeccao-do-trato-urinario

SOBRE A CISTITE aqui https://www.cuidador.pt/blogue/291-sobre-a-cistite

A UTILIZAÇÃO DE FRALDAS OU ABSORVENTES DE URINA aqui http://www.cuidador.pt/blogue/330-a-utilizacao-de-fraldas-ou-absorventes-de-urina?fbclid=IwAR34ADJaUFYYD4LgfnlVxJnBAl771o-odRjBJHiCgDsQjO4X5pYCw58RGa0

A DEMÊNCIA E A INCONTINÊNCIA aqui https://www.cuidador.pt/blogue/302-a-demencia-e-a-incontinencia

INFECÇÃO URINÁRIA: SINTOMAS E CUIDADOS aqui  https://www.cuidador.pt/blogue/146-infeccao-urinaria-sintomas-e-cuidados

  • blogue
  • Visualizações: 2370

 



Qualquer pessoa que cuida de alguém com Alzheimer ou com outra forma de demência pode naturalmente perguntar a si mesma o que é que a pessoa doente está a sentir ou a passar.

A ABC News fez uma experiência com a participação de um cuidador do Texas que cuida da sua mãe com Alzheimer. O cuidador de nome Blaine e a jornalista do ABC News Cynthia participaram numa prova que durou 8 minutos com o intuito de tentar entender o que é ter Alzheimer.

Foram colocados em Blaine e Cynthia equipamentos especiais para terem uma noção tão aproximada quanto possível do que é ter sintomas de Alzheimer. O cuidador e a jornalista foram desafiados a fazer cinco tarefas domésticas simples para quem envelhece normalmente, e as alterações de comportamento começaram logo no início do teste. Os participantes tiveram grandes dificuldades em realizar tarefas simples. No vídeo em anexo de 8 minutos pode verificar-se que o comportamento do cuidador e da jornalista é semelhante ao modo como a mãe de Blaine age no dia a dia. Nenhum deles concluiu qualquer tarefa.

É preciso, no entanto, ter em conta que há alterações cognitivas que não puderam ser percecionadas no teste, como por exemplo a perda de memória, a perda da capacidade de planificação, a diminuição da capacidade de execução, etc. A prova incidiu essencialmente em alterações sensoriais, apesar da importância da relação entre os orgãos dos sentidos e a cognição. A experiência também é redutora pelo motivo de não existirem dois seres humanos iguais, e os sintomas dos vários tipos de demência, onde se inclui o Alzheimer, poderem ter algumas diferenças de pessoa para pessoa. Finalmente, é necessário ter presente que não existem fronteiras estanques entre as várias formas de demência, e que a doença de Alzheimer só pode ser diagnosticada com toda a certeza depois de uma autopsia. Um sinal indiciador desta forma de demência, e que a diferencia de outras é a perda de memória - inicialmente a de curto prazo - logo no seu início. Na fase inicial da demência de Corpos de Lewy, por exemplo, a memória não é afetada. Uma pessoa com esta doença sofre inicialmente de alucinações, de perda de capacidade de avaliação espacial, e de sinais de doença de Parkinson o que pode provocar quedas, mas a memória está intata. 

Veja o vídeo sobre a experiência aqui https://youtu.be/LL_Gq7Shc-Y



Artigo um simples exame ocular pode detetar antecipadamente a doença de Alzheimer neste link https://www.cuidador.pt/blogue/274-um-simples-exame-ocular-pode-detetar-antecipadamente-a-doenca-de-alzheimer

 

 

  • blogue
  • Visualizações: 4267

 

A doença de Alzheimer é uma forma de demência. 


Cientistas da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington nos Estados Unidos, descobriram que um exame utilizado vulgarmente em consultórios de oftalmologia pode detetar com muita antecedência a doença de Alzheimer. O estudo que foi publicado na revista “Jornal da Associação Médica de Oftalmologia”, cria a expetativa de no futuro, alguns anos antes de surgirem sinais clínicos, ser possível detetar a doença de Alzheimer através de um simples exame à visão.

A vantagem, enquanto não surgir a cura, é permitir que a pessoa programe a sua vida e tome medidas para atrasar a evolução da doença.

Com a doença de Alzheimer acontece a degradação do centro da retina e do nervo ótico.  Todos nós temos no centro das nossas retinas uma pequena área sem vasos sanguíneos que é responsável pela precisão da visão. Essa área está significativamente aumentada em pessoas já com a doença de Alzheimer, mas ainda sem sintomas.

O exame ocular ilumina o olho com uma luz e mede a espessura da retina e a espessura das fibras do nervo ótico. 

Outro exame que permite detetar a doença de Alzheimer com muita antecedência é a angiografia à retina porque observa os padrões de fluxo sanguíneo através dos vasos sanguíneos do olho. Os pacientes com Alzheimer pré-clínico, têm a área no centro da retina sem vasos sanguíneos significativamente maior, o que sugere menos fluxo sanguíneo.

A demência tem uma fase sem sintomas e sinais como por exemplo a perda de memória. O cérebro pode começar a ficar danificado muito tempo antes de a demência ser percetível.

A doença de Alzheimer caracteriza-se, entre outros sinais, pelo surgimento entre os neurónios de uma proteína (proteína Beta amiloide) que impede a comunicação entre essas células. Essa alteração na comunicação entre os neurónios através das suas ramificações (dendrites e axónios) vai diminuindo a capacidade cognitiva.

As placas da proteína Beta amiloide podem começar a ser acumuladas no cérebro duas décadas antes do início dos sintomas de Alzheimer. A ciência tem procurado diagnosticar antecipadamente esta doença de forma acessível e não invasiva.

Baseado na fonte: http://www.infosalus.com/mayores/noticia-reconocer-evidencias-tempranas-alzheimer-traves-simple-examen-ocular-posible-20180828072934.html?_ga=2.138315065.844000285.1535357066-1175468612.1523949544


 Artigo o que uma pessoa com Alzheimer sente  neste link https://www.cuidador.pt/blogue/273-o-que-e-que-uma-pessoa-com-alzheimer-sente

 

 

  • blogue
  • Visualizações: 4969

O cancro é uma doença que surge de forma inesperada na vida de muitas pessoas e famílias. Cuidar de uma pessoa nessas circunstâncias é uma grande responsabilidade acompanhada pela dor, e pelo sofrimento de presenciar uma luta muito dura. Mas esse desafio também pode ter satisfações devido à realização de pequenos objetivos que são sentidos como vitórias importantes.

O cancro já é uma das principais causas de morte a nível mundial, e por essa razão é necessário que se conheçam alguns conselhos básicos.

 

Como cuidar de alguém com cancro?

 

·       O primeiro conselho, e o mais importante, é apoiar o paciente em todos os momentos. Essa doença tem efeitos devastadores (também animicamente) na vida de quem sofre dela. Demonstrar interesse, estar disposto a ouvir, e sobretudo a entender o familiar doente num momento tão difícil, são situações básicas que devem ser lembradas.

·       Outra ação que deve ser colocada em prática é ajudar o familiar nas tarefas domésticas. Tudo o que possa fazer será pouco para tornar as coisas mais fáceis. Cozinhar, manter a casa em bom estado, ajudar a gerir a economia da casa, etc.  São pequenos detalhes que têm um grande valor e que aliviam em grande medida o dia a dia do paciente. Mas também é importante que a pessoa convalescente tente fazer as tarefas que consiga realizar e que lhe provoquem satisfação.

·        Ajude a organizar rigorosamente tudo que esteja relacionado com a parte médica, como a administração de medicamentos, a coordenação das consultas aos diferentes especialistas, o acompanhamento nos exames médicos, etc.

·       Mantenha-se constantemente bem informado sobre o ponto de situação da doença, a medicação e as indicações que devem ser seguidas. O tratamento pode ser muito complexo e o paciente pode sentir- se desorientado devido à falta de conhecimento e à grande quantidade de informação recebida. O mais normal é não entender muitas das coisas que estão a suceder, pelo que a sua ajuda será de grande valor.

·       Escreva uma lista as tarefas a realizar. Durante o processo de cuidar as coisas que devem ser feitas podem acumular-se. Como organizar tudo para que nada fique por fazer? Com uma listagem numa agenda diária.

·       Para o cuidador ser um bom apoio precisa de estar bem, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Não deixe de se preocupar com as suas necessidades (alimentar-se corretamente, descansar sempre que puder, etc.). Cuidar é uma tarefa que pode ser muito difícil e pode provocar a síndrome do cuidador (esgotamento). Não se esqueça de cuidar de si.

·       Se tem um hobby não o abandone (seja ele ler, correr, ir ao cinema, etc.). Esses momentos servem para carregar as energias. Não abandone os seus hobbies.

·       Peça ajuda porque nem sempre estará nas suas mãos poder satisfazer as necessidades do seu familiar. Seja devido à falta de conhecimento ou a uma impossibilidade, haverá ocasiões em que será altamente recomendável pedir ajuda externa. Uma visão complementar pode ajudar a enfrentar situações difíceis que poderão ocorrer.


 


Fontes:

https://wayalia.es/mejores-consejos-cuidar-persona-cancer/

Cruz Roja de España



Artigo sobre o que fazer antes e depois da alta hospitalar neste link https://www.cuidador.pt/blogue/44-o-que-fazer-antes-e-depois-da-alta-hospitalar-do-familiar

Artigo sobre a relação entre a dieta e algumas doenças crónicas neste link https://www.cuidador.pt/blogue/137-a-alimentacao-o-alzheimer-o-cancro-a-diabetes-e-o-avc


 

Log in or Sign up