A incontinência urinária (IU) pode ser definida como qualquer perda involuntária de urina de forma permanente ou provisória. Mas se por uma lado durante o processo de envelhecimento primário/fisiológico (ou envelhecimento não patológico) vão acontecendo alterações no nosso organismo que criam condições para o aparecimento da incontinência, por outro lado a IU também pode ser sinal de alguma patologia que convém diagnosticar.
Como funciona o sistema urinário?
O sistema urinário tem a função de reter e controlar a produção de urina durante as fases de enchimento e esvaziamento da bexiga. Esse processo depende do funcionamento normal sistema nervoso e da capacidade de se ter consciência e responder adequadamente ao desejo de urinar.
O processo de micção compreende duas fases:
· A fase de enchimento da bexiga de urina proveniente dos rins. O sistema nervoso de uma pessoa saudável lança o alerta sobre a necessidade de urinar enquanto a bexiga ainda se está a encher, e a bexiga deve ter o esfíncter e a parede muscular (detrusor) em estado funcional. Define-se esfíncter como um músculo circular que fecha uma cavidade (ex.: esfíncter da bexiga, da vagina, do ânus, …). O efeito detrusor verifica-se quando as fibras musculares da bexiga se contraem e expulsam a urina.
· A fase de esvaziamento da bexiga requer a capacidade de contrair adequadamente as fibras musculares da bexiga (efeito detrusor) para forçar a saída da urina ao mesmo tempo que o corpo relaxa o esfíncter externo (que depende do sistema nervoso voluntário) para permitir a saída de urina.

Incontinência urinária Temporária e Crónica
Relativamente à reversibilidade ou cura, a IU pode ser:
· Temporária
A causa é reversível e aparece por um tempo limitado. Normalmente é secundária a infeções do trato urinário, distúrbios mentais, efeitos secundários de alguns medicamentos, fecaloma (massa de fezes endurecida acumulada na porção final do intestino) ou mobilidade limitada.
· Crónica
A IU persiste ao longo do tempo porque as causas são permanentes: lesão medular, alterações anatómicas do trato urinário, alterações neurológicas (esclerose múltipla, acidente cerebrovascular, …), alteração dos esfíncteres, demências (entre as quais Alzheimer), etc.

O estado de demência pode ser precursor de incontinência urinária e os medicamentos anticolinérgicos e antiespasmódicos estão indicados para o tratamento de incontinência urinária provocada por contrações involuntárias da bexiga (bexiga reflexa ou neurogénica espontânea). No entanto os medicamentos anticolinérgicos podem agravar certas demências e devem ser utilizados com prudência em pessoas idosas debilitadas.
Incontinências de Urgência, de Esforço, Mista, por Transbordamento, Funcional, Neurogénica, e Eneurese
Dependendo do distúrbio funcional que causa a incontinência, a IU pode ser dividida em diferentes tipos:
· Incontinência Urinária de Urgência: A perda involuntária de urina é causada por uma contração involuntária da musculatura da bexiga. A perda pode ser apenas de algumas gotas ou levar ao esvaziamento completo da bexiga. Esta é a forma mais comum de IU em pacientes com mais de 75 anos, especialmente em homens.
· Incontinência de esforço: Neste caso, a perda involuntária de urina ocorre quando é feito um esforço que aumenta a pressão intra-abdominal. A IU de esforço pode acontecer durante o levantar de um objeto pesado ou uma gargalhada. Ela resulta da incapacidade em manter o esfíncter da uretra fechado, pelo que surge a saída involuntária de urina. Este tipo de incontinência não está associado à necessidade de urinar e é mais comum em mulheres idosas. No homem idoso, esta forma de IU é rara, e geralmente está associada à cirurgia pélvica como a cirurgia prostática.
· Incontinência Urinária Mista: Tem componentes das duas formas anteriores, de urgência e esforço.
· Incontinência por transbordamento: Produzem-se pequenas perdas de urina tanto durante o dia como à noite. A bexiga, devido à fraqueza do músculo detrusor ou por obstrução da uretra, não se esvazia completamente, e quando há um aumento de pressão abdominal saem pequenas quantidades de urina. Embora esta forma de IU represente menos de 10% dos casos na população geriátrica, é importante saber que a retenção urinária crónica pode levar a infeções urinárias recorrentes e a lesões nos rins.
· Incontinência funcional: O estado do sistema urinário é normal, mas existe a IU devido a problemas físicos ou neurológicos graves, tais como doença de Parkinson, doenças mentais como a doença de Alzheimer e outras formas de demência, depressão, e doenças músculo-esqueléticas que impedem a capacidade de mobilidade.
· Incontinência neurogénica: Alterações da micção são consequência de lesões neurológicas. Pode manifestar-se clinicamente através de alguma das formas referidas anteriormente.
· Eneurese: Perda involuntária que ocorre especialmente durante o sono. É mais frequente em crianças.

Fontes:
http://abs.bimedica.com/que-es-la-incontinencia
http://abs.bimedica.com/relacion-entre-obesidad-e-incontinencia-urinaria1
http://app7.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=2734&tipo_doc=fi
Leia também:
Artigo "SOBRE A INFEÇÃO URINÁRIA" aqui: https://www.cuidador.pt/blogue/275-sobre-a-infecao-urinaria
Artigo "É ALZHEIMER OU É UMA INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO?" aqui: https://www.cuidador.pt/blogue/71-e-alzheimer-ou-e-uma-infeccao-do-trato-urinario
Artigo "INFECÇÃO URINÁRIA: SINTOMAS E CUIDADOS" aqui: https://www.cuidador.pt/blogue/146-infeccao-urinaria-sintomas-e-cuidados
Artigo "SOBRE A CISTITE" aqui: https://www.cuidador.pt/blogue/291-sobre-a-cistite
Artigo “A DEMÊNCIA E A INCONTINÊNCIA” neste link: https://www.cuidador.pt/blogue/302-a-demencia-e-a-incontinencia
Artigo “A UTILIZAÇÃO DE FRALDAS OU ABSORVENTES DE URINA” neste link: http://www.cuidador.pt/blogue/330-a-utilizacao-de-fraldas-ou-absorventes-de-urina?fbclid=IwAR34ADJaUFYYD4LgfnlVxJnBAl771o-odRjBJHiCgDsQjO4X5pYCw58RGa0