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O idadismo (discriminação pela idade) e a infantilização são formas violência psicológica por vezes causadas por membros da família, cuidadores, médicos ou técnicos de saúde profissionais. Existe a convicção de que há conexões óbvias entre a infantilidade e a velhice e essa linha de pensamento pressupõe uma atitude de rejeição do envelhecimento, preconceito em relação à idade, estigma e exclusão social. Os estereótipos negativos relativos à idade ou o idadismo podem existir de maneira manifesta ou mais subtil, e rotulam as pessoas idosas como deprimidas, incapazes ou crianças.

O idadismo também se manifesta por vezes de forma implícita na maneira como os profissionais de saúde comunicam com as pessoas mais velhas, como por exemplo através da utilização da entoação exagerada com frases curtas e simples.  Uma pessoa Velha não é uma criança. A infantilização de uma pessoa Idosa é uma forma de violência, e a violência psicológica não tem a mesma visibilidade da violência física. Atitudes PATERNALISTAS, simplificação DESNECESSÁRIA do vocabulário, EXCESSIVA utilização de diminutivos, falar em voz alta de forma DESCONTEXTUALIZADA, utilização de repetições e esclarecimentos DESNECESSÁRIOS e fazer perguntas já com a resposta IMPLÍCITA podem diminuir a auto-estima das pessoas Idosas.

A médica e vice-presidente da Comissão de Proteção ao Idoso refere num artigo publicado no Diário de Notícias no dia 23 de fevereiro de 2018 com o título “OMS. Portugal é um dos cinco países da Europa que pior trata os idosos” que “Portugal é o país da Europa que menos investe nas pessoas da terceira idade” e “que neste momento somos o país que tem piores condições para cuidar dos idosos”.

Á medida que as pessoas envelhecem vão-se diferenciando, e os estereótipos e preconceitos ignoram as diferenças que as pessoas idosas têm entre si.


 

 

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A deambulação é comum em pessoas com demência e em particular com a doença de Alzheimer. Esse tipo de comportamento aumenta a possibilidade de ocorrerem quedas, crises de ansiedade, desorientação e fuga.

10 sugestões para diminuir o risco de fuga e perda de uma pessoa com demência:

1)   Certifique-se de que o seu familiar está sempre identificado com o nome, contacto e a referência "eu tenho problemas de memória". Essa informação pode ser colocada por exemplo num bolso ou na carteira.

2)   Existem no mercado pulseiras ou relógios com o sistema de localização através de GPS que podem ajudar a localização em caso de perda. Analise a possibilidade de adquirir um sistema desses de localização.

3)   Informe os seus vizinhos que o seu familiar tem demência e que se pode perder, e peça para o avisarem se o virem a vaguear sozinho.

4)   Acompanhe o seu familiar nos passeios ou exercícios ao ar livre. Mantenha uma rotina com as mesmas atividades na mesma altura do dia e nos mesmos lugares. Isto irá fazer com que ele se sinta mais seguro devido à previsibilidade que a rotina transmite.

 

5)   Evite mudar o endereço do domicílio. Á medida que a doença for evoluindo, a memória e a capacidade de orientação espacial e temporal vão-se deteriorando. A informação memorizada há mais tempo (memória de longo prazo) é a última a ser afetada, daí a importância de evitar mudar de domicílio.

6)   Feche e tranque as portas das varandas e das saídas. Instale fechaduras ou dispositivos que exijam manobras complexas para as abrir.

7)   Instale um alarme se for necessário. Existem soluções que podem ir desde colocar um sino na porta de saída até utilizar aparelhos mais sofisticados como detetores de movimento, alarmes ou tapetes na porta sensíveis à pressão.

8)   Disfarce as portas e as janelas para diminuir a possibilidade de o familiar paciente encontrar uma saída. A solução pode ir desde pintar a porta da mesma cor das paredes ou pendurar cortinas nas janelas com a mesma cor das paredes.

9)   Crie um circuito seguro para caminhar. Se for possível faça um trajeto através das salas dentro de casa ou um caminho circular no quintal. Remova o mobiliário que possa obstruir a passagem para criar uma zona controlada e segura.

10)       Utilize sinais visuais porque os pacientes com demência em geral e Alzheimer em particular podem a partir de uma certa fase desorientar-se mesmo dentro de casa. Coloque lembretes visuais com pistas como por exemplo fotografias descritivas nas portas da casa de banho, cozinha e um sinal de stop na porta de saída. Esta estratégia de orientação temporal e espacial vai, no entanto, perder eficácia à medida que a doença for evoluindo.

A imobilização forçada geralmente não é necessária se forem aplicadas as medidas descritas.


 Baseado na fonte: Georges J, Jansen S, J Jackson. Infografia CRE Alzheimer.



Artigo sobre o risco de perda do familiar neste link https://www.cuidador.pt/blogue/261-o-risco-de-perda-do-familiar

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O que é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)?

É uma doença respiratória crónica que se caracteriza pela limitação do fluxo de ar, falta de ar/dispneia, tosse, pieira e aumento da produção de expetoração. Estes sintomas podem limitar a capacidade da pessoa em realizar as atividades diárias normais.

A história natural conduz a uma progressiva deterioração da função pulmonar e que se inicia por sintomas insidiosos e inespecíficos. As intervenções terapêuticas precoces melhoram o prognóstico e a qualidade de vida das pessoas doentes, e por isso o diagnóstico precoce é fundamental. Ele assenta na atenção aos sintomas e sinais e na confirmação através da realização de um exame da função respiratória muito simples: a espirometria.

Segundo a OMS esta doença afeta 210 milhões de pessoas no Mundo e provoca anualmente a morte a 3 milhões de pessoas. É das poucas doenças crónicas com tendência a aumentar nas próximas décadas. O resultado será o aumento do número de casos, da mortalidade, e de níveis de incapacidade. Prevê-se que venha a ser a ser a terceira causa de morte.

A DPOC resulta frequentemente em incapacidade moderada ou grave. A doença provoca anualmente em Portugal a perda de mais de 74.000 anos de vida ajustados por grau de incapacidade e os custos no ambulatório destes doentes está estimado em mais de 240 milhões de euros anuais (Miguel Gouveia, Margarida Borges, A. Vaz Carneiro).

A DPOC é, pois, um problema grave que pode ser abordado em duas frentes:

A primeira é na área da prevenção primária. A doença é provocada em 85 a 90% dos casos pelo fumo de tabaco. É, pois, fundamental que sejam desenvolvidas estratégias que levem a que os jovens não se iniciem no vício de fumar, o que deverá ser uma tarefa da família e das escolas.

A segunda diz respeito à dieta que a pessoa tem.

O que causa a DPOC?

O tabagismo é o fator de risco predominante para se desenvolver a doença, mas apenas 20% de todos os fumadores desenvolvem DPOC. Em termos mundiais um aumento no consumo do tabaco é proporcional ao aumento do número de pessoas com a doença.

O tabagismo, no entanto, não é o único fator de risco.

As pessoas/comunidades expostas a poluição, a poeiras atmosféricas podem desenvolver DPOC, o mesmo acontecendo com a poluição atmosférica.

A hereditariedade constitui igualmente de um fator de risco. Atualmente, a única doença genética identificada que pode causar DPOC é a deficiência em alfa1-antitripsina que é uma enzima que, normalmente, impede a perda das fibras elásticas dos pulmões.



A alimentação e a DPOC

A DPOC caracteriza-se por uma progressiva limitação do fluxo de entrada e saída do ar dos pulmões e pela destruição dos alvéolos pulmonares (locais onde se realizam as trocas gasosas entre o sangue e o ar).

 A alimentação pode ser importante como terapia conservadora (não medicamentosa) da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, e contribuir para uma melhor respiração. Uma dieta adequada pode impedir a diminuição da força e da resistência dos músculos respiratórios (diafragma e músculos intercostais). Na inspiração, o diafragma (músculo que se encontra ligado à parte de baixo dos pulmões) baixa e os músculos intercostais elevam-se, o que permite que os pulmões se abram e se encham de ar. Na expiração, acontece o relaxamento da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais e como resultado os pulmões fecham.

 



A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica resulta por norma em carência energética, proteica e perda de peso. Isso acontece porque devido à obstrução crónica, a função pulmonar fica alterada (devido à necessidade de aumento do trabalho respiratório), o que se traduz em maiores necessidades energéticas.

Os fármacos utilizados na DPOC podem produzir efeitos colaterais como náuseas, vómitos e perda de apetite. A administração de corticóides (anti-inflamatórios) pode inibir a síntese proteica e promover o catabolismo proteico (o que se traduz em perda muscular), além de baixar as defesas imunológicas e aumentar a possibilidade de ocorrerem infecções.

Por outro lado, as pessoas com DPOC podem desenvolver obesidade (não confundir com massa muscular), o que aumenta o esforço cardiovascular e pulmonar (o coração tem que bombear mais sangue e os pulmões precisam de mais oxigénio), tornando a respiração mais difícil. Mais peso corporal significa mais necessidade de oxigénio.

O plano alimentar deve ser ajustado às necessidades individuais, mas aqui estão algumas recomendações genéricas:

• Consumir diariamente 5 a 6 pequenas refeições de modo a evitar a dilatação excessiva do estômago, o que interfere com a função do músculo diafragma na respiração. A dilatação do estômago faz com que o músculo diafragma desça com maior dificuldade para que os pulmões possam abrir e facilitar a inspiração.

• Usar broncodilatadores 1 hora antes das refeições, caso não exista indicação médica contrária.

• Adicionar, caso não exista indicação médica contrária, azeite, queijo, ovo, manteiga ou outras fontes lipídicas (gorduras) às sopas, pratos e sandes, de forma a aumentar a ingestão energética (1 grama de gordura tem cerca de 9 calorias).

• Comer devagar, mastigar com calma, de modo a evitar cansaço e aerofagia (deglutição de ar que pode provocar distensão abdominal);

• Ingerir líquidos 1 hora após as refeições e não durante as refeições, de forma a evitar a saciedade precoce


Fontes:

Associação Portuguesa de Dietistas

Fundação Portuguesa do Pulmão

Cruz Roja de España


 

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As úlceras de pressão ou escaras surgem devido à compressão prolongada dos tecidos orgânicos entre as zonas ósseas e a superfície externa do nosso corpo. Elas podem desenvolver-se em 24 horas, mas as lesões ficarem apenas visíveis entre 3 e 5 dias depois. Isso acontece porque a lesão surge de dentro para fora, e por esse motivo a escara pode demorar alguns dias até se tornar visível na camada superficial da pele. Uma úlcera de grau IV surge já com esse grau, ou seja, não evolui, por exemplo, do grau III para o IV.

 

As úlceras de pressão classificam-se em:

1)    Grau I: eritema (vermelhidão) presente, mas com a pele ainda intacta.

2)    Grau II: perda de pele ou derme (camada por debaixo da pele) ou de ambas. Já se verifica uma úlcera superficial.

3)    Grau III: perda de pele e tecido celular com necrose (morte celular devido à compressão que resulta em interrupção de passagem de sangue).

4)    Grau IV: destruição extensa dos tecidos, podendo atingir o músculo e o osso.

O envelhecimento e a aterosclerose provocam uma diminuição progressiva do diâmetro dos vasos sanguíneos, e uma das consequências é a diminuição da quantidade de sangue que chega aos tecidos e órgãos. A compressão prolongada provoca falta de irrigação sanguínea no tecido comprimido (isquemia) e consequente morte do mesmo tecido (necrose).

A perda de massa muscular (sarcopenia) é outro motivo causador de escaras. As pessoas idosas com sarcopenia que sofrem pressões de valores situados entre os 50 e os 100mmHh em zonas ósseas durante duas horas, podem sofrer de isquemia (diminuição ou interrupção da passagem de sangue para os tecidos) e formação de úlceras de pressão.

Além da pressão, se houver fricção na zona isquemiada (zona sem suprimento sanguíneo devido à pressão e à diminuição do calibre dos vasos) a úlcera surge mais cedo e o seu tamanho será maior.

 

Lista  com fatores de risco de escaras ou úlceras de pressão:

·       A idade: com a idade pode surgir a aterosclerose que resulta na diminuição da irrigação sanguínea dos tecidos devido à diminuição do calibre e à perda de flexibilidade e permeabilidade dos vasos sanguíneos.

·       Sarcopenia ou índice de massa corporal muito baixo: peso corporal (inferior a 60% do peso ideal).

·       Situações de paraplegia depois de um AVC devido à ausência de sensibilidade à dor na parte do corpo paralisada. Deixa de haver o “aviso” que é a dor no início da lesão.

·       Prega tricipital (mais de 3mm nas mulheres e 2,5mm nos homens).

·       A pressão prolongada exercida nos tecidos moles em locais de proeminência óssea; mau posicionamento.

·       Cisalhamento e fricção. Os lençóis devem estar sempre secos, sem vincos e sem restos de comida.

·       Imobilidade ou capacidade de mobilidade reduzida.

·       Diminuição da oxigenação dos tecidos do corpo provocada por doenças como por exemplo a diabetes.

·       Exposição à humidade, daí a especial atenção à incontinência; a incontinência urinária pode originar maceração (amolecimento dos tecidos que rodeiam a úlcera de pressão) e infeção dos tecidos.

·       Existência de doenças degenerativas e demências.

·     Desnutrição, principalmente quando existem níveis baixos de proteína no sangue, (especialmente albumina) e também zinco (cicatrizante).

 

Medidas de prevenção:

A prevenção primária (conjunto ações que visam evitar o aparecimento da ferida) é fundamental porque as úlceras de pressão de nível III e IV são muito difíceis de curar:

1)    Fazer regularmente uma avaliação global da pele em áreas de risco.

2)    Fazer a higiene diária com secagem meticulosa e sem fricção.

3)    Observar regularmente a integridade da pele especialmente nas áreas de proeminência óssea.

4)    Manter a limpeza máxima quando há incontinência.

5)    Manter a cama seca, limpa e sem rugas nos lençóis.

6)    Utilizar material antiescaras e realizar mudanças posturais no mínimo de 2 em 2 horas. As pessoas com capacidade de mobilidade indivíduos e em risco de adquirirem úlceras de pressão devem mudar regularmente de posição. Devem sentar-se ou deitar-se sobre superfícies antiescaras de forma a distribuir o peso do corpo e caminhar.

7)    Ter uma alimentação, orientada por um profissional de saúde qualificado, rica em proteínas, calorias (energia necessária para o metabolismo e cicatrização) e zinco. A desnutrição está associada à incidência e gravidade das úlceras de pressão pelo que é recomendável uma dieta equilibrada com ingestão de alimentos com proteína completa (o “tijolo” dos tecidos), zinco (cicatrizante) e calorias. A proteína forma a estrutura das cartilagens, ossos, tendões, cabelos, pele, músculos, membranas celulares, e hemoglobina que participa no transporte de oxigénio fundamental para evitar a necrose dos tecidos.

8)    As pessoas que tenham perdas de urina devem usar pensos absorventes para manter a pele da região pélvica seca e usar um creme adequado, óleo de amêndoas doces ou outro produto com pH neutro.

9)    O colchão da cama e a almofada da cadeira devem ser antiescara e nunca plastificadas. Caso o colchão tenha um protetor, este deve ser de material absorvente para que o corpo se mantenha seco.

10)      Nunca se deve estar deitado em decúbito dorsal (deitado de costas) nem lateral (deitado de lado) sem ajuda de material antiescaras. Deve-se evitar a pressão do corpo contra os trocânteres (proeminências ósseas da parte superior do fémur, perto da anca), os cotovelos ou os calcanhares.

 

Tratamento:

No tratamento das escaras de grau 3 e 4 o primeiro objetivo é remover o tecido em necrose (limpeza da ferida) para evitar a contaminação bacteriana e promover o aparecimento de novo tecido orgânico saudável (desbridamento). O desbridamento pode ser seletivo ou não seletivo, e deve ser realizado ou orientado por um profissional de saúde com competência para o efeito.


 Infografias:

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Fontes:

Bem Viver Para Bem Envelhecer, Um desafio à Gerontologia e à Geriatria

CRE Alzheimer

Cruz Roja de España

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No verão é necessário prestar muita atenção à hidratação das pessoas em geral e dos diabéticos em particular, especialmente se a pessoa diabética tiver idade avançada.

À medida que vamos envelhecendo o risco de entrarmos em desidratação aumenta (tendencialmente) pelos seguintes motivos:

·       Diminui (tendencialmente) a sensação de sede em situação de desidratação;

·       Diminui (tendencialmente) da quantidade de água no organismo, especialmente dentro das células, e aumenta a quantidade de gordura;

·    Diminui (tendencialmente) a capacidade de o organismo lidar com oscilações da temperatura ambiente. Utilizei neste ponto e nos anteriores a palavra "tendencialmente" porque não existem duas pessoas que envelheçam da mesma forma. À medida que envelhecemos diferenciamo-nos. 

·       Acresce que a pessoa diabética é propensa à maior produção de urina (i.e., poliúria) devido ao excesso de “açúcar” no sangue, razão que pode levar mais facilmente à desidratação. O “açúcar” é necessário dentro das células para o metabolismo celular. Ao detetar níveis elevados de glicose no sangue, o organismo tenta “expulsar” o excesso de “açúcar” através da urina. Consequentemente o risco de desidratação aumenta.


É de ter também em conta que através da produção da urina também se perdem vitaminas hidrossolúveis e alguns minerais, como por exemplo o zinco (mineral importante no tratamento e cicatrização de úlceras de pressão e no equilíbrio do sistema imunológico). A sopa é uma excelente maneira de simultaneamente hidratar e fornecer micronutrientes que se perdem com a urina. Sempre que possível a água da cozedura dos alimentos deve ser  aproveitada porque possui vitaminas e minerais.

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