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ESCARAS E ÚLCERAS DE PRESSÃO

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As úlceras de pressão ou escaras surgem devido à compressão prolongada dos tecidos orgânicos entre as zonas ósseas e a superfície externa do nosso corpo. Elas podem desenvolver-se em 24 horas, mas as lesões ficarem apenas visíveis entre 3 e 5 dias depois. Isso acontece porque a lesão surge de dentro para fora, e por esse motivo a escara pode demorar alguns dias até se tornar visível na camada superficial da pele. Uma úlcera de grau IV surge já com esse grau, ou seja, não evolui, por exemplo, do grau III para o IV.

 

As úlceras de pressão classificam-se em:

1)    Grau I: eritema (vermelhidão) presente, mas com a pele ainda intacta.

2)    Grau II: perda de pele ou derme (camada por debaixo da pele) ou de ambas. Já se verifica uma úlcera superficial.

3)    Grau III: perda de pele e tecido celular com necrose (morte celular devido à compressão que resulta em interrupção de passagem de sangue).

4)    Grau IV: destruição extensa dos tecidos, podendo atingir o músculo e o osso.

O envelhecimento e a aterosclerose provocam uma diminuição progressiva do diâmetro dos vasos sanguíneos, e uma das consequências é a diminuição da quantidade de sangue que chega aos tecidos e órgãos. A compressão prolongada provoca falta de irrigação sanguínea no tecido comprimido (isquemia) e consequente morte do mesmo tecido (necrose).

A perda de massa muscular (sarcopenia) é outro motivo causador de escaras. As pessoas idosas com sarcopenia que sofrem pressões de valores situados entre os 50 e os 100mmHh em zonas ósseas durante duas horas, podem sofrer de isquemia (diminuição ou interrupção da passagem de sangue para os tecidos) e formação de úlceras de pressão.

Além da pressão, se houver fricção na zona isquemiada (zona sem suprimento sanguíneo devido à pressão e à diminuição do calibre dos vasos) a úlcera surge mais cedo e o seu tamanho será maior.

 

Lista  com fatores de risco de escaras ou úlceras de pressão:

·       A idade: com a idade pode surgir a aterosclerose que resulta na diminuição da irrigação sanguínea dos tecidos devido à diminuição do calibre e à perda de flexibilidade e permeabilidade dos vasos sanguíneos.

·       Sarcopenia ou índice de massa corporal muito baixo: peso corporal (inferior a 60% do peso ideal).

·       Situações de paraplegia depois de um AVC devido à ausência de sensibilidade à dor na parte do corpo paralisada. Deixa de haver o “aviso” que é a dor no início da lesão.

·       Prega tricipital (mais de 3mm nas mulheres e 2,5mm nos homens).

·       A pressão prolongada exercida nos tecidos moles em locais de proeminência óssea; mau posicionamento.

·       Cisalhamento e fricção. Os lençóis devem estar sempre secos, sem vincos e sem restos de comida.

·       Imobilidade ou capacidade de mobilidade reduzida.

·       Diminuição da oxigenação dos tecidos do corpo provocada por doenças como por exemplo a diabetes.

·       Exposição à humidade, daí a especial atenção à incontinência; a incontinência urinária pode originar maceração (amolecimento dos tecidos que rodeiam a úlcera de pressão) e infeção dos tecidos.

·       Existência de doenças degenerativas e demências.

·     Desnutrição, principalmente quando existem níveis baixos de proteína no sangue, (especialmente albumina) e também zinco (cicatrizante).

 

Medidas de prevenção:

A prevenção primária (conjunto ações que visam evitar o aparecimento da ferida) é fundamental porque as úlceras de pressão de nível III e IV são muito difíceis de curar:

1)    Fazer regularmente uma avaliação global da pele em áreas de risco.

2)    Fazer a higiene diária com secagem meticulosa e sem fricção.

3)    Observar regularmente a integridade da pele especialmente nas áreas de proeminência óssea.

4)    Manter a limpeza máxima quando há incontinência.

5)    Manter a cama seca, limpa e sem rugas nos lençóis.

6)    Utilizar material antiescaras e realizar mudanças posturais no mínimo de 2 em 2 horas. As pessoas com capacidade de mobilidade indivíduos e em risco de adquirirem úlceras de pressão devem mudar regularmente de posição. Devem sentar-se ou deitar-se sobre superfícies antiescaras de forma a distribuir o peso do corpo e caminhar.

7)    Ter uma alimentação, orientada por um profissional de saúde qualificado, rica em proteínas, calorias (energia necessária para o metabolismo e cicatrização) e zinco. A desnutrição está associada à incidência e gravidade das úlceras de pressão pelo que é recomendável uma dieta equilibrada com ingestão de alimentos com proteína completa (o “tijolo” dos tecidos), zinco (cicatrizante) e calorias. A proteína forma a estrutura das cartilagens, ossos, tendões, cabelos, pele, músculos, membranas celulares, e hemoglobina que participa no transporte de oxigénio fundamental para evitar a necrose dos tecidos.

8)    As pessoas que tenham perdas de urina devem usar pensos absorventes para manter a pele da região pélvica seca e usar um creme adequado, óleo de amêndoas doces ou outro produto com pH neutro.

9)    O colchão da cama e a almofada da cadeira devem ser antiescara e nunca plastificadas. Caso o colchão tenha um protetor, este deve ser de material absorvente para que o corpo se mantenha seco.

10)      Nunca se deve estar deitado em decúbito dorsal (deitado de costas) nem lateral (deitado de lado) sem ajuda de material antiescaras. Deve-se evitar a pressão do corpo contra os trocânteres (proeminências ósseas da parte superior do fémur, perto da anca), os cotovelos ou os calcanhares.

 

Tratamento:

No tratamento das escaras de grau 3 e 4 o primeiro objetivo é remover o tecido em necrose (limpeza da ferida) para evitar a contaminação bacteriana e promover o aparecimento de novo tecido orgânico saudável (desbridamento). O desbridamento pode ser seletivo ou não seletivo, e deve ser realizado ou orientado por um profissional de saúde com competência para o efeito.


 Infografias:

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Fontes:

Bem Viver Para Bem Envelhecer, Um desafio à Gerontologia e à Geriatria

CRE Alzheimer

Cruz Roja de España

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