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O peso de um édredon reduz a ansiedade na demência

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É natural que com o avançar da idade, mesmo quando o envelhecimento é primário ou fisiológico (i.e., envelhecimento não patológico), o sono fique mais fragmentado. Mas essa alteração no padrão do sono não deve significar que se durma mal. Não dormir bem de forma crónica provoca ou agrava perdas cognitivas.

Quando este tema diz respeito aos cuidados informais a situação é mais complexa. Se a pessoa doente não dormir bem, o familiar cuidador também não descansa, o que os torna mais propensos à instabilidade emocional e irritação. Qualquer pessoa (mesmo saudável) tem pior desempenho em testes cognitivos se estiver privada de descanso, e quem sofre de demência está mais sujeita a ter perturbações no sono, agitação e ansiedade devido às alterações neurológicas. Essa realidade é uma fonte de stress para o agregado familiar.

Terapia da pressão

As pessoas que sofrem de demência, como por exemplo da doença de Alzheimer, sofrem muitas vezes de agitação, de ansiedade e de perturbação do sono, e a utilização de um édredon pode ser uma solução conservadora ou não medicamentosa para desagravar os sintomas.

Dois estudos realizados em 2008 e 2012 comprovaram que a utilização de uma manta com o peso adequado à situação de saúde da pessoa, pode reduzir a ansiedade, acalmar os nervos e estimular o sono. O peso ligeiro do cobertor, ao provocar uma pressão suave no corpo (terapia de pressão), estimula a produção da hormona serotonina. Esta hormona, como se sabe, melhora o humor, e promove o relaxamento e o bem-estar. A pressão do édredon deve estar dividida uniformemente pelo corpo, e deve depender do peso e da condição física do familiar.

Deve-se, no entanto, consultar um médico sobre a sua utilização quando o familiar possui algumas morbidades como problemas cardiorrespiratórios, doenças cardiovasculares, alterações na regulação de temperatura do organismo, ou se encontra em recuperação de uma cirurgia. Se a pessoa adulta não tiver impedimentos clínicos, o peso do édredon – distribuído uniformemente pelo corpo - deverá corresponder a cerca de 10% do peso corporal. Se a pessoa estiver numa situação de fragilidade o peso deverá ser diminuído segundo indicação médica. Se a manta cobrir uma área menor do corpo, o seu peso deverá ser menor, seguindo orientação médica.

Outras estratégias para atenuar os problemas de sono:

1)    Ter atividade física durante o dia. A caminhada durante o dia pode ajudar a melhorar o sono noturno. É de evitar a prática de exercício próximo da hora de deitar.

2)   Otimizar os estímulos ambientais. O ambiente pode acalmar ou agitar. Deve-se manter o ambiente do quarto de dormir escuro (a ausência de luz estimula a produção da hormona do sono melatonina), com uma temperatura adequada e silencioso.

3)   Manter rotinas, principalmente na hora de despertar.

4)   Verificar se os medicamentos que estão a ser tomados afetam o sono. A título de exemplo, os sedativos ingeridos durante o dia podem resultar em sestas e consequentemente em insónia durante a noite. Outro exemplo é a toma de diuréticos numa fase avançada do dia que pode resultar em micção noturna. Pela mesma razão, a hidratação deve ter o seu ponto alto durante o dia e diminuir à noite, sem colocar em causa a quantidade de água necessária ao sénior.

5)   Evitar excitantes como o café ou comidas pesadas à noite.

6)   Não fumar, especialmente perto da hora de dormir. A nicotina é um excitante e pode prejudicar a qualidade do sono;

7)   A escuridão desempenha um papel importante na produção da hormona do sono melatonina. Caso seja necessária uma luz de presença no quarto de dormir, esta deve ser de fraca intensidade e com uma cor quente (i.e. alaranjada). A hormona melatonina além de regular o sono, também tem funções rejuvenescedoras, antioxidantes, fortalecedoras do sistema imunitário.

8)   Medicamentos de prescrição médica. Existem medicamentos para dormir, como sedativos e tranquilizantes, que por vezes são prescritos para ajudar a manter as pessoas com demência mais calmas durante a noite. Estes fármacos incluem antipsicóticos, benzodiazepinas ou soníferos. Infelizmente, todos estes medicamentos podem ter efeitos colaterais como a deterioração da cognição e o aumento do risco de queda.

9)   A trazodona é um ligeiro antidepressivo que é levemente sedativo. Um pequeno estudo realizado em 2014 concluiu que a trazodona melhora do sono em pacientes com Alzheimer.

10)         Abordagens comportamentais e ambientais. Alguns estudos científicos concluem através de ensaios clínicos que as drogas para dormir só devem ser utilizadas como último recurso. O foco deve estar em abordagens comportamentais e ambientais (como por exemplo criar rotinas, fazer caminhadas, evitar o ruído, manter a temperatura adequada no quarto, evitar a dieta excitante ou energética, utilizar luzes "quentes" na iluminação, não ver televisão no quarto de dormir, etc.).

11)       Melatonina. Existem alguns medicamentos com menos efeitos secundários que podem ser utilizados, como por exemplo a melatonina: como já foi referido anteriormente, a melatonina é uma hormona participante no ciclo sono-vigília.



Baseado nas fontes:

http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1300/J004v24n01_05

https://dailycaring.com/weighted-blankets-in-dementia-care-reduce-anxiety-and-improve-sleep/



Mais informação sobre este tema:

Artigo A IMPORTÂNCIA DO SONO E COMO MELHORÁ-LO aqui: https://www.cuidador.pt/blogue/148-a-importancia-do-sono-e-como-melhora-lo

 

Artigo OS PROBLEMAS DO SONO… aqui: https://www.cuidador.pt/blogue/186-os-problemas-do-sono

 

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