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 Ser cuidador informal principal significa por regra estar disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, sem direito a poder ficar doente ou a ter ordenado.

Cerca de 80% dos cuidados de saúde são prestados por pessoas entregues a si mesmas, sem formação adequada e vítimas de stress crónico e esgotamento.

Como agradecer e reconhecer a importância  a um(a) cuidador(a) ?

Algumas sugestões:

1)    Partilhe as responsabilidades de cuidar;

 

2)    Elogie e diga o quanto aprecia o que ele(a) faz;

 

3)    Ofereça em alturas mais críticas uma massagem num SPA ou um tratamento de beleza enquanto assume as responsabilidades de cuidar nesses momentos. Para um(a) cuidador(a) serão momentos excecionais que irão contribuir para a regulação do estado emocional e da tensão muscular e psíquica;

 

4)    Surpreenda-o(a) com a preparação de refeições preferidas;

 

5)    Ajude-o(a) a decorar ou a remodelar a casa;

 

6)    Faça companhia com atividades que lhe dê prazer e leve petiscos favoritos;

 

 

7)    Diga simplesmente "Obrigado!" O reconhecimento verbal também faz a diferença na vida.

 

 

 

 

 

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Independentemente da idade, o ser humano tem naturalmente necessidade de se manter ocupado, realizar atividades que permitam construir a sua identidade, manter o processo de desenvolvimento, dar sentido à vida e ocupar o tempo de forma adequada às necessidades individuais e sociais.

 

A ocupação é um importante instrumento para manter ou recuperar a saúde, e as ocupações que se conseguem manter ao longo do ciclo de vida são um indicador importante do estado de saúde. Se por um lado quando se adoece o resultado é a diminuição da capacidade de executar atividades ocupacionais que se realizavam anteriormente à perda de saúde, por outro lado a ocupação com atividades significativas para a pessoa são uma boa estratégia para recuperar ou atrasar a tendência de perda de saúde. 

 

Em particular nas pessoas mais idosas, a ocupação tem como objetivo o desenvolvimento e a realização pessoal e deve concretizar-se de forma equilibrada no estímulo das capacidades físicas e cognitivas, tendo sempre em conta os recursos de saúde física e cognitiva disponíveis. 

 


 

 


 

Tendo sempre presentes os recursos biopsicossociais da pessoa idosa, a ocupação deve incluir as seguintes quatro áreas:

 

1 – Autocuidado (atividades de vida diária, atividades instrumentais de vida diária, dieta saudável, atividade física, etc.)

 

2 – Produção, seja ela remunerada ou não (acompanhar os netos, ajudar a família, fazer voluntariado, trabalhar de forma remunerada a tempo parcial, etc.)

 

3 – Lazer (atividades de distração, recreio, entretenimento, etc.)

 

4 – Descanso (dormir, relaxamento, etc.)

 

A terapia ocupacional deve guiar-se por atividades com significado emocional positivo para a pessoa que a pratica e é uma forma eficaz de atrasar a evolução da perda de independência que acontece naturalmente com o envelhecimento, seja ele primário (i.e., envelhecimento natural) ou secundário (i.e., envelhecimento patológico).

 

A distribuição equilibrada ao longo do dia das diferentes formas de ocupação (tendo obrigatoriamente em conta os recursos de saúde cognitivos e físicos pessoais) contribui para manter, atrasar a velocidade da perda ou mesmo recuperar a saúde.

 

Particularmente nas pessoas mais Velhas a desocupação ou ocupação incorreta resulta no aceleramento da perda de saúde e consequentemente na diminuição da autonomia porque é a utilização das nossas capacidades que mantém a sua função. 

 

 

 

 

 

 

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Não é assim tão fácil definir-se alguém como “idoso” ou “velho”.

Para um rapaz ou rapariga de 16 anos uma pessoa com 55 anos é muito provavelmente um “idoso” ou um “velho”.

Um indivíduo com 70 ou mais anos pode tratar um amigo de infância como um “moço da minha idade”.

No relatório Women, Ageing and Health – Achieving health across the life span (Organização Mundial de Saude, 1998) está escrito que em sociedades onde se vivem menos anos (países menos desenvolvidos), o “idoso” pode ser definido como alguém com uma idade cronológica correspondente à de outra pessoa com mais umas décadas de vida numa outra sociedade onde se vivem mais anos (país mais desenvolvido).

Algumas sociedades encaram a entrada na menopausa como o início na fase “idosa” das mulheres.

Noutras sociedades as mulheres atingem o estatuto de “idosa” com o nascimento do seu primeiro neto.

A saída do mercado de trabalho baseada na idade cronológica ou número de anos é também usada como critério de se passar a ser “idoso” noutras sociedades.

 

 

A idade pode ser medida de forma cronológica (número de anos), psicológica (competências comportamentais), social (papeis sociais e estatuto que se adquirem por norma) e biológica (estado de envelhecimento do organismo).

A forma e a velocidade com que se envelhece dependem de factores biológicos, psíquicos, sociais (políticas de saúde e sociais do país de residência) e nenhum ser humano envelhece da mesma forma ou rapidez de outro.

QUANDO SE INICIA O ENVELHECIMENTO BIOLÓGICO?

Desde Hipócrates (“pai da medicina”) até ao início do século XIX, era aceite que o início da velhice surgiria por volta dos 50 anos, idade que corresponde na mulher ao início da menopausa e no ser humano em geral ao momento em que podem surgir doenças que o tornam mais frágil (doenças articulares, cardíacas, respiratórias, etc.).

Actualmente sabe-se através de estudos de biologia molecular que o envelhecimento biológico inicia-se no momento em que os pulmões do bebé entram em contacto pela primeira vez com o oxigénio do ambiente, provocando radicais livres.

Se a mãe tiver comportamentos pouco saudáveis durante a gravidez, o envelhecimento do bebé pode acontecer antes do nascimento.

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A anosognosia é a falta de consciência que se possui um défice cognitivo,  pelo que é muito difícil os cuidadores acompanharem o tratamento de uma pessoa com esta situação clínica porque tentar fazer entender que o familiar está doente é um exercício frustrante.  Não se trata de negação porque a pessoa não tem capacidade para perceber que tem um problema cognitivo, e ela pode mesmo reagir com agressividade se for confrontada com a existência da sua doença.

Uma pessoa demente com anosognosia e com dificuldade na execução de tarefas das atividades de vida diária, recusa ajuda, avaliação médica ou tratamentos que são muitas vezes a chave para ajudá-la a perceber que ela é a principal prejudicada da situação.

Para tornar a situação ainda mais complexa, a anosognosia pode ser completa ou seletiva. Quando a anosognosia é seletiva, a pessoa pode aperceber-se que tem um problema com uma determinada atividade, mas não tem consciência de outras dificuldades. Mas em outros casos a falta de consciência é mais extensa. Alguns estudos calculam que até 60% das pessoas com um comprometimento cognitivo leve e 81% das pessoas com doença de Alzheimer têm alguma forma de anosognosia.

A anosognosia está principalmente associada à esquizofrenia e à desordem bipolar, mas os sintomas da anosognosia também podem surgir na doença de Alzheimer ou outras formas de demência, depressão, ferimento traumático no cérebro, AVC, tumores cerebrais, e doença de Huntington.

Dois exemplos de anosognosia:

·       Alguém que sobrevive a um acidente vascular cerebral e fica paralisado do lado esquerdo do corpo, mas está convencido de que pode andar sem assistência.

·       Alguém com uma deficiência moderada de memória que se perde na estrada ou tem acidentes, mas pensa que está a conduzir tão bem como sempre conduziu.

De acordo com algumas estimativas, até 42 por cento das pessoas com doença de Alzheimer precoce apresentam sintomas de anosognosia e à medida que a demência avança os sintomas também avançam.


 

Imagem do "The New York Times"


A falta de consciência pode estar relacionada com a deterioração do lobo frontal, especialmente no lado direito, que desempenha um papel importante na resolução de problemas, planificação, compreensão do contexto, significado das experiências e nas interações sociais. Alguns estudos também apontam como causa a atrofia dos lobos temporais.

Assim, a deterioração dos lobos frontais pode estar envolvida no surgimento da anosognosia, uma vez que eles desempenham um papel importante na resolução de problemas, planificação, compreensão do contexto, do significado das experiências e das interações sociais.

A parte direita do cérebro desempenha a função de detetar anomalias, novas informações, e incorporá-las na nossa consciência da realidade. Quando por exemplo um acidente vascular cerebral ou uma demência afeta a parte direita do cérebro, a parte esquerda mantém a continuidade do modelo mental do mundo intacto.  

Como é que se deve lidar com um familiar com anosognosia? O que é que o cuidador pode fazer nessa situação? Ninguém aceita de bom grado, por exemplo, tomar um medicamento se estiver convencido que não está doente!

Algumas breves sugestões:

·       Utilize abordagens positivas na comunicação: seja amável, gentil, compreensivo e encorajador;

·       Faça uma programação das tarefas, cuidados pessoais e do tempo de inatividade;

·       Peça ajuda de serviços especializados em saúde e estimulação cognitiva;

·       Ajude sempre que necessário nas atividades de vida diária ou atividades instrumentais de vida diária como por exemplo na higiene pessoal ou na gestão de dinheiro;

·       Mantenha-se calmo, focado e positivo;

·       Leia livros especializados sobre como lidar com essa situação clínica.



Fontes:

https://www.aplaceformom.com/blog/3-4-14-anosognosia-and-alzheimers/

https://newoldage.blogs.nytimes.com/2014/01/22/when-they-dont-know-they-are-ill/


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Estava eu há uns anos atrás no início do estágio final do curso de Gerontologia numa Estrutura Residencial para Pessoas Idosas, quando um funcionário me chamou para ajudar a amarrar (“imobilizar” se for utilizado um eufemismo) com um lençol um idoso a uma cadeira. O Sr. António (nome fictício) tinha fama na instituição de possuir um perfil conflituoso e uma história de agressões a outros idosos institucionalizados. 

Prontamente procurei saber o motivo desse pedido e foi-me dito que o Sr. António tinha acabado de agredir outro utente, e como castigo pelo seu mau comportamento foi decidido amarrá-lo durante algum tempo a uma cadeira com um lençol. Questionei se não seria importante procurar saber o motivo da constante conflitualidade do Sr. António: 

 

  •    Desadaptação à instituição? 

  •    Demência? 

  •    Características genéticas de personalidade? 

  •    Razões culturais devido ao ambiente do ciclo de vida até ser institucionalizado? 

  •    ... 

Recordo-me bem que também argumentei com as consequências da imobilização prolongada:  

 

  •    Estímulo à incontinência 

  •    Estímulo à perda da capacidade de mobilidade 

  •    Provocação de estado de ansiedade com todas as consequências que poderiam surgir  

  •    Desadaptação  

  •    ...  

Perante as respostas que fui tendo dos funcionários da estrutura residencial, recusei-me a participar no ato de amarrar o Sr. António à cadeira e essa recusa também contribuiu (sem surpresa minha) para a nota do estágio que obtive por parte da instituição. Essa estrutura residencial tinha (tem) divisões com qualidade acima da média, boas áreas, excelentes equipamentos, piscina interior aquecida, um sistema de limpeza e higiene inquestionável, mas faltava-lhe o fundamental:  uma equipa de recursos humanos multidisciplinar que desenvolvesse um trabalho interdisciplinar.

 

A instituição para pessoas idosas onde frequentei o estágio de licenciatura tinha (tem) duas valências, uma cofinanciada pela Segurança Social, e outra privada, e a situação que referi ocorreu na parte com utentes mais frágeis na perspectiva social e económica. No entanto, também recordo uma imagem chocante de imobilização de uma utente da ala de institucionalização privada. A pessoa dormia amarrada na cama, e passava o dia presa a uma cadeira com os braços amarrados por cordas. Nunca soube a doença (certamente) neurológica que a paciente tinha, porque essa informação clínica estava vedada, era segredo. 

  

O envelhecimento é um processo biopsicossocial complexo e individualizado e nas últimas décadas a legislação portuguesa tem evoluído na exigência da melhoria da parte física das estruturas residenciais (apesar do aumento da lotação das instituições), mas tem deixado para segundo plano o que faz a diferença em qualquer instituição: a formação e capacitação das pessoas que trabalham nelas.   

 


 

 


 

 

García García P, JL Aguirre Beltran, colocaram as seguintes questões em 2012: 

 

  •    Gostaríamos de terminar os nossos dias submetidos a restrições físicas ou farmacológicas? 

  •    Quais são as vantagens e as desvantagens do recurso a sistemas de imobilização? 

  •    Existem alternativas? 

 

O recurso a medidas de imobilização só deve ser tomado com pareceres de um advogado/promotor/juiz, de um médico e com o conhecimento e autorização das famílias. Caso isso não aconteça ocorre uma violação dos direitos humanos. O uso excessivo de tranquilizantes e de dispositivos de retenção mecânicos, potencia a perda de autonomia funcional e o surgimento de úlceras de pressão sacrais provocadas pela imobilidade. 

 

Não é fácil encontrar informação sobre efeitos positivos da utilização de medidas de imobilização. Pelo contrário, pode-se descrever como efeitos negativos: 

  

  •    Problemas psicológicos e mentais 

  •    Stresse pós-traumático semelhante ao de pessoas torturadas 

  •    Perda de capacidade de movimento e dependência deambulatória 

  •    Aumento de possibilidade de quedas 

  •    Úlceras de pressão 

  •    Contracturas 

  •    Agitação 

  •    Trombose 

  •    Privação de exercícios de autonomia 

  •    Diminuição do tempo de vida 

 

O medo de cair em idosos é potencializado com o uso excessivo de tranquilizantes e neurolépticos e de restrições físicas. Duas das razões do uso excessivo de tranquilizantes e de dispositivos de retenção mecânicos em instituições para idosos estão relacionadas com o rácio de profissionais por utente institucionalizado e a qualidade do quadro de recursos humanos.

 

A legislação sobre a qualidade e qualificação dos recursos humanos dos "lares", atualmente ERPI (Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas) não tem alterações qualitativas com significado desde o ano 63 do século passado.  

  

 


 

 

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