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Durante uma palestra sobre gestão de stress, a oradora colocou a seguinte pergunta à audiência enquanto levantava um copo de água:  

  • "Quanto pesa este copo de água?" 

Perante as respostas da plateia sobre o peso do copo, a palestrante prosseguiu: 

  • "O peso do copo de água depende do tempo que o tiver de segurar. Se o pegar por um minuto o copo pesa pouco, mas se tiver que o segurar durante uma hora, vou sentir mais o seu peso e provavelmente vou sentir uma dor no braço. Se segurar este mesmo copo de água durante um dia, o meu braço pode ficar entorpecido. O peso do copo é sempre o mesmo, mas quanto mais tempo tiver que o segurar, mais pesado ele se torna porque mais sinto o seu peso." 

 

A experiência do peso do copo de água representa por analogia as tensões da vida porque quanto mais tempo estiver absorvido pelas preocupações mais elas começam a pesar e (importante para a saúde) a somatizar. 

Apesar de ser as preocupações fazerem naturalmente parte do dia-a-dia de quem cuida, aqui ficam 4 sugestões para gerir o “peso do copo de água” ou o stress diário: 

1) Tenha expectativas realistas sobre o estado de saúde do seu familiar: não permita que o fato de estar a sentir algum stress provoque ainda mais stress. 

2) Faça intervalos por pequenos que sejam: espaireça por breves minutos; ouça música ou veja programas que relaxem; feche os olhos e imagine-se em lugares aprazíveis; pratique exercícios de respiração profunda, faça yoga. 

3) Procure ajuda de cuidadores formais ou de grupos de apoio de cuidadores informais. 

4) Informe-se sobre o estado de saúde do seu familiar. Quanto mais conhecimento e compreensão tiver da situação de saúde, menos ansiedade e stress sentirá. 

 

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Algumas sugestões para o cuidador cuidar e cuidar-se: 

  • Procure dormir o suficiente 

  • Alimente-se adequadamente  

  • Esteja atento às suas necessidades de saúde (tais como consultas médicas, toma de medicamentos prescritos, exercício, etc.) 

  • Ouça música 

  • Faça uma marcação de uma sessão no SPA 

  •  Faça uma caminhada 

  • Pratique meditação 

  • Leia um livro 

  •  Deleite-se com a sua refeição favorita 

  •  Procure grupos de apoio 

  • Procure ter um terapeuta só para si 

  • Passe algum tempo longe da pessoa cuidada. Sim, você tem o direito a fazer uma pausa 

  • Seja paciente e compreensivo com a pessoa cuidada 

  • Seja paciente e compreensivo consigo mesmo porque por vezes não vai saber o que dizer ou fazer o que pode levá-lo a ficar frustrado ou deprimido 

  • Tenha consciência dos seus limites 

  • Recorra a ajuda de familiares, amigos ou profissionais de saúde sempre que precisar 

  • Tendo em conta o diagnóstico clínico do seu familiar, não leve as alterações de humor pessoalmente 

  • Crie estratégias de para lidar com as alterações emocionais 

  • Dependendo do diagnóstico ou de algum  

  • efeito secundário de  

  • Certos medicamentos podem, devido a efeitos secundários, afetar a libido e provocar reações hipersexuais ou hiposexuais. Seja paciente 

  •  Se a redução do desejo sexual for um problema, procure formas não-sexuais na intimidade 

  • Mantenha uma comunicação aberta e honesta. Ouça as preocupações da pessoa cuidada e comunique também as suas preocupações 

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Além da informação genética que nasce connosco, o ambiente físico onde vivemos e as pessoas com quem interagimos também são importantes para a nossa saúde, bem-estar e comportamento. 

 

Existe na Holanda uma pequena aldeia com o nome de Hogeweyk que alberga pessoas que sofrem de demência em fase avançada. A estrutura residencial assemelha-se à primeira impressão a um comum espaço urbano com cinema, restaurantes, barbearia, cabeleireiro e lojas.

  

Dos 392 habitantes de Hogeweyk, 152 são pacientes e 240 profissionais de saúde, ou seja, o rácio de pessoal capacitado está acima de um por pessoa doente com demência.  

 

Os “funcionários” dos estabelecimentos comerciais têm formação sobre cuidados em situações de demência avançada e vestem como “farda de trabalho” roupa comum do dia-a-dia.  

 

Hogeweyk  possui um serviço de atendimento 24 horas por dia e os cuidadores tratam de tudo, desde cozinhar, ajudar nos banhos, acompanhar nos cuidados pessoais e gerir a administração de medicamentos. 

 

As pessoas doentes são estimuladas a serem ativas, a fazerem as suas compras (sem utilização de dinheiro) e a ajudar nas tarefas domésticas. Em caso de necessidade, existe sempre um "morador" por perto para prestar assistência. 

 

Os problemas comportamentais e a agitação típica nas pessoas com alzheimer são residuais em Hogeweyk e a necessidade de administrar medicamentos é mais baixa porque os sintomas de alterações comportamentais são menores. 

 

A saúde é um conceito biológico, psicológico e social, e por esse motivo o ambiente (físico e social) onde vivemos faz toda a diferença especialmente em situações de doença neurodegenerativa.  

 

O grande senão deste projeto é o preço:  a construção de Hogeweyk  custou cerca de 25 milhões de euros, e apesar de os residentes pagarem aproximadamente 7000 euros por mês, existe uma lista de espera para décadas.

 


 

Artigo sobre o mesmo tema, “DAX É UM ESPAÇO URBANO ONDE AS PESSOAS COM ALZHEIMER VIVEM COM AUTONOMIA” neste link https://www.cuidador.pt/blogue/344-dax-e-um-espaco-urbano-onde-as-pessoas-com-alzheimer-vivem-com-autonomia-3


 

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Embora estejam relacionados, a doença de Alzheimer e a demência não são a mesma coisa.

A Organização Mundial de Saúde define a demência como uma síndrome (i.e., um conjunto de sintomas que podem traduzir uma doença), geralmente de natureza crónica. Esta patologia caracteriza-se pela perda progressiva da função cognitiva ao afetar a memória, pensamento, orientação espacial e temporal, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem, julgamento e comportamento.

Consoante o tipo de demência, a velocidade da evolução dos sintomas pode ser mais ou menos rápida, (ex.: a demência de alzheimer evolui mais lentamente que a demência de Corpos de Lewy). A maneira como as diferentes formas de demência evoluem também pode ser diferente (ex.: a demência vascular  progride “em escada” em vez de “em linha contínua” como por exemplo a demência de alzheimer). 

Além de crónico, o estado demencial também pode ser agudo (ex.:  traumatismo craniano, desnutrição, desidratação, infeção viral, …) e reversível como é o caso da Pseudomência (forma de demência provocada por uma depressão que pode ser revertida com o tratamento da depressão).



Imagine que o nosso cérebro é um mapa dividido em zonas e que cada zona tem uma função cognitiva específica (ex.: zona da memória, linguagem, planificação, execução, comportamento, etc.). Quando uma área é afetada pela demência, surgem sintomas relacionados com a perda da respetiva função cognitiva dessa zona do cérebro.

Um dos sintomas da doença de Alzheimer é a perda irreversível da memória de curto prazo na fase inicial da doença, e isso acontece porque a zona do hipocampo (relacionada com a memória de curto prazo) é afetada logo no início da doença. No entanto, existem várias formas de memória que estão alojadas em zonas diferentes do cérebro.


O que é doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer é uma de nove formas de demência e representa cerca de 70% de todos os casos de demência.

É uma doença cerebral que provoca progressivamente (consoante são afetadas zonas diferentes do cérebro) alterações na memória, capacidade de julgamento, tomada de decisão e comportamento. Os sintomas desenvolvem-se lentamente e pioram ao longo do tempo. No estágio inicial a perda de memória e os outros sintomas são geralmente leves. Em fases mais avançadas surgem problemas de comunicação, perda de mobilidade, incontinência e perda completa de autonomia. Os tratamentos atuais podem diminuir os sintomas ou atrasar a evolução da doença e são mais eficazes nas fases iniciais da doença. 

Um estudo realizado pelo Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas e pela Universidade de Bonna verificou que existe uma macromolécula proteica denominada por “inflamasoma NLRP3” que desempenha um papel central nos processos inflamatórios que impulsionam o desenvolvimento da doença de Alzheimer e de outras doenças neurológicas. Esta macromolécula encontra-se dentro das células imunes do cérebro e é como um interruptor molecular que pode desencadear a libertação de substâncias inflamatórias.

Além da inflamação do cérebro, a doença de Alzheimer também se caracteriza pela presença da proteína beta-amiloide entre os neurónios (o que impede a comunicação entre essas células) e de emaranhados neurofibrilares dentro das células cerebrais. 

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência e em segundo lugar encontra-se a demência vascular provocada por pequenos AVC´s  relacionados com a hipertensão arterial.

 

 

 

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 Era uma vez uma empresa que produzia valor e - aparentemente - inclusão social. No início de mais um dia de trabalho, estava o Sr. Alberto, dono da empresa, no seu escritório quando bateram à porta:

Sr. Alberto - “Entre se faz favor”, convidou o empresário enquanto colocava os óculos em cima dos papeis da secretária.

Dr. João - “Com licença”, respondeu o Dr. João, economista e diretor financeiro enquanto entrava no gabinete. “Sr. Alberto, para bem da saúde financeira da empresa temos que despedir trabalhadores”.

Sr. Alberto – Despedir pessoas a bem da empresa com que justificação Dr. João?

Dr. João – A razão é que cerca de 30% do pessoal da linha de produção têm mais de 55 anos. Estive a fazer um estudo comparativo de produtividade entre trabalhadores com idades diferentes e concluí que a produção do grupo composto por funcionários com idades acima dos 45 anos é menor. Trago-lhe aqui o mapa estatístico com esses dados.”

Sr. Alberto - E qual é a causa dessa quebra de produtividade nas linhas de produção provocadas pela idade?

Dr. João - A justificação é que os trabalhadores com idade mais avançada têm mais dificuldades em operar nas linhas de produção. A capacidade de adaptação ao sistema operativo das linhas de produção diminui com a idade. Os anos passam, as pessoas envelhecem, perdem agilidade, a velocidade dos movimentos é menor, e o resultado é a diminuição da produção. Temos que despedir e substituir essa gente por pessoas mais novas.

O Sr. Alberto levanta-se da cadeira da sua secretária convida o Dr. João a sentar-se, olha para o gráfico estatístico de produtividade e decide:

- Dr. João, em vez de despedir pessoas com famílias e responsabilidades, vamos alterar a melhorar a ergonomia das linhas de produção e adaptá-las às características fisiológicas dos funcionários. Fazemos esse investimento, humanizamos a nossa empresa, estimulamos a motivação, garantimos a saúde dos nossos funcionários, mantemos o bom ambiente, e conseguimos ganhos na qualidade da produtividade. Mais um detalhe muito importante: marque uma reunião com o departamento de marketing, para criarmos uma estratégia de divulgação aos nossos clientes que a nossa empresa não é idadista (i.e., descriminadora das pessoas pela sua idade). 


 Nota:

A desadaptação ao local de trabalho pode provocar doenças como a depressão, doenças osteoarticulares, tendinites, arritmias, diabetes tipo 2 (devido ao stress crónico) colesterol elevado (devido ao stress crónico) e diminuição do sistema imunológico (devido à produção continuada da hormona do stress, o cortisol). Essas doenças quando surgem, marcam o processo de envelhecimento. A ciência e a cultura devem ter como função compensar as perdas naturais do envelhecimento, manter (tod)as pessoas com saúde e socialmente incluídas.


 Leia também:

“ERA UMA VEZ UMA MULHER COM SETE FILHOS ...” neste link 👉 https://www.cuidador.pt/blogue/250-era-uma-vez-uma-mulher-com-sete-filhos-3

“CONSEQUÊNCIAS DO COMPORTAMENTO NO ENVELHECIMENTO DEMOGRÁFICO...” neste link👉https://www.cuidador.pt/blogue/351-consequencias-do-comportamento-no-envelhecimento-demografico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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