Embora estejam relacionados, a doença de Alzheimer e a demência não são a mesma coisa.
A Organização Mundial de Saúde define a demência como uma síndrome (i.e., um conjunto de sintomas que podem traduzir uma doença), geralmente de natureza crónica. Esta patologia caracteriza-se pela perda progressiva da função cognitiva ao afetar a memória, pensamento, orientação espacial e temporal, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem, julgamento e comportamento.
Consoante o tipo de demência, a velocidade da evolução dos sintomas pode ser mais ou menos rápida, (ex.: a demência de alzheimer evolui mais lentamente que a demência de Corpos de Lewy). A maneira como as diferentes formas de demência evoluem também pode ser diferente (ex.: a demência vascular progride “em escada” em vez de “em linha contínua” como por exemplo a demência de alzheimer).
Além de crónico, o estado demencial também pode ser agudo (ex.: traumatismo craniano, desnutrição, desidratação, infeção viral, …) e reversível como é o caso da Pseudomência (forma de demência provocada por uma depressão que pode ser revertida com o tratamento da depressão).

Imagine que o nosso cérebro é um mapa dividido em zonas e que cada zona tem uma função cognitiva específica (ex.: zona da memória, linguagem, planificação, execução, comportamento, etc.). Quando uma área é afetada pela demência, surgem sintomas relacionados com a perda da respetiva função cognitiva dessa zona do cérebro.
Um dos sintomas da doença de Alzheimer é a perda irreversível da memória de curto prazo na fase inicial da doença, e isso acontece porque a zona do hipocampo (relacionada com a memória de curto prazo) é afetada logo no início da doença. No entanto, existem várias formas de memória que estão alojadas em zonas diferentes do cérebro.
O que é doença de Alzheimer?
A doença de Alzheimer é uma de nove formas de demência e representa cerca de 70% de todos os casos de demência.
É uma doença cerebral que provoca progressivamente (consoante são afetadas zonas diferentes do cérebro) alterações na memória, capacidade de julgamento, tomada de decisão e comportamento. Os sintomas desenvolvem-se lentamente e pioram ao longo do tempo. No estágio inicial a perda de memória e os outros sintomas são geralmente leves. Em fases mais avançadas surgem problemas de comunicação, perda de mobilidade, incontinência e perda completa de autonomia. Os tratamentos atuais podem diminuir os sintomas ou atrasar a evolução da doença e são mais eficazes nas fases iniciais da doença.
Um estudo realizado pelo Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas e pela Universidade de Bonna verificou que existe uma macromolécula proteica denominada por “inflamasoma NLRP3” que desempenha um papel central nos processos inflamatórios que impulsionam o desenvolvimento da doença de Alzheimer e de outras doenças neurológicas. Esta macromolécula encontra-se dentro das células imunes do cérebro e é como um interruptor molecular que pode desencadear a libertação de substâncias inflamatórias.
Além da inflamação do cérebro, a doença de Alzheimer também se caracteriza pela presença da proteína beta-amiloide entre os neurónios (o que impede a comunicação entre essas células) e de emaranhados neurofibrilares dentro das células cerebrais.
A doença de Alzheimer é a principal causa de demência e em segundo lugar encontra-se a demência vascular provocada por pequenos AVC´s relacionados com a hipertensão arterial.