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Segundo o artigo publicado no jornal de economia do semanário Expresso, daqui a 63 anos, Portugal terá 7,478 milhões de habitantes, 2,8 milhões dos quais idosos, o que irá levantar uma série de problemas a nível de economia e recursos humanos.

Aparentemente esta notícia publicada num jornal de referência, faz uma abordagem correcta do “problema” envelhecimento, mas se lermos com alguma atenção, encontramos uma vez mais um erro básico que é cometido pela generalidade dos nossos políticos e fazedores de opinião.

É que o problema não é envelhecer!

O problema é envelhecer mal, e a forma como a população envelhece depende em grande parte das políticas sociais e de saúde do país onde reside.

Invariavelmente o tema “envelhecimento” é abordado por uma perspectiva errada! Fazem-se cálculos aos custos, e esquece-se a prevenção!

As várias formas de Poder (incluindo a comunicação social) em vez de se preocuparem com o envelhecimento populacional, preocupem-se antes com o envelhecimento saudável, porque envelhecer também pode ser sinónimo de independência, autonomia e poupança de recursos ao Estado.

A notícia da revista "Expresso" também refere a urgência na criação do Estatuto do Cuidador Informal. Recorde-se que esse diploma legal deverá estar concretizado até ao final do próximo ano, e incluirá apoio fiscal e flexibilidade no horário de trabalho de quem é cuidador.

Link do artigo http://expresso.sapo.pt/economia/2017-08-26-Quem-vai-cuidar-de-28-milhoes-de-idosos--1

 

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O período final de uma doença terminal é marcado pela deterioração geral da saúde, indicador de morte iminente (horas ou dias), muitas vezes acompanhado pela diminuição do nível de consciência. Esta fase pode criar exaustão e grande angústia com quebras emocionais nos membros da família.

Deve-se estimular a comunicação de sentimentos para que a pessoa paciente se sinta acompanhada, e os familiares iniciem o luto antecipado. A família deve saber o que fazer, sentir-se útil, estar preparada e informada sobre a possível evolução da situação.

É importante que se tenha noção que não há “vazio” de comunicação, porque mesmo quando não se fala com o paciente, está-se a transmitir informação através do choro às escondidas, das expressões de preocupação, dos gestos descontrolados, da mudança na maneira de comunicar, e no medo que transparece das perguntas que são feitas.

A  AGONIA

A agonia é a fase que precede a morte e é difícil dizer quando começa e quanto tempo vai durar. Caracteriza-se por uma deterioração física evidente da pessoa paciente de dia para dia: maior fraqueza, sonolência, às vezes agitação, desorientação, desinteresse, anorexia e falência orgânica. A maioria das mortes ocorre com um nível de consciência perto do coma, e a pessoa doente por regra aparenta tranquilidade e atenuação ou mesmo ausência de desconforto e dor.



PERGUNTAS MAIS COMUNS NA FASE DA AGONIA

·        “Ele pode ouvir-nos?” Sim, a pessoa pode ouvir mesmo na fase final da vida, e por isso é importante estar com ela, falar com ela, ter cuidado com o que é dito. É conveniente que a casa esteja sem ruídos e com poucas pessoas.

·        “Ele apercebe-se do que está a acontecer?” Na fase da agonia, normalmente não, embora existam pacientes plenamente conscientes até ao último momento.

·        “Temos que o alimentar ou dar-lhe de beber?” A pessoa não sente fome e não precisa de comer, a menos que o solicite. Ela deve receber líquidos em pequenas quantidades se estiver consciente. Caso esteja inconsciente deve-se molhar a boca com frequência.

·        “Precisamos de continuar a dar a medicação?” Sim, a medicação (como por exemplo analgésicos) deve continuar a ser dada até ao final. Quando não é possível utilizar a via oral, ela pode ser administrada por outras vias.

·        “Quanto tempo vai durar?” Não se sabe com certeza, mas o fim está próximo.

·        “E quanto aos ruídos que surgem durante a respiração?” Eles são produzidos porque a pessoa não tem força para expulsar secreções acumuladas, e essa situação não pressupõe sofrimento. O mesmo acontece com as fases previsíveis de apneia (paragem de respiração) posteriores.

CONSELHOS

·        A família deve ouvir e comunicar, e não ter medo das perguntas e reacções emocionais. Ela sente necessidade da família em todos os sentidos, incluindo o emocional.

·        Existem formas recomendáveis que facilitam a comunicação, como por exemplo ver fotografias juntos, ler um texto a seu gosto, como romances ou livros religiosos. Deve-se ter sempre o foco em memórias positivas, porque isso dá um sentido à vida e estimula a reconciliação com o passado.

·        O contacto físico é importante porque possibilita a comunicação de sentimentos que muitas vezes não podem ser transmitidos de outra forma (carícias, massagens, abraços, deitar-se ao lado dele, etc.).

·        No final, quando a pessoa paciente está desorientada ou inconsciente, continua a ser aconselhável comunicar com ela, através do toque, carícias ou da fala.


 

Fonte:

Logotipo de la Clínica Universidad de Navarra

http://www.cun.es/enfermedades-tratamientos/cuidados-casa/cuidados-ultimos-dias

 

 

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O burnout, síndrome do cuidador ou esgotamento “é caracterizado pela exaustão emocional, despersonalização e diminuição da realização pessoal.” (Tamayo e Tróccoli, 2002)

Ele resulta da exposição prolongada ao stress e à sobrecarga de responsabilidades.



Infografia da Cruz Roja de España


 

Infografia da Cruz Roja de España


A presença da síndrome do cuidador ou do burnout detetam-se pelos seguintes sintomas:

·       Sintomas físicos: cansaço, dores de cabeça, dores nas articulações, gastrites, hipertensão, insónia, tonturas, etc. O diagnóstico pode ser difícil porque os sintomas podem ser confundidos com outras doenças.

·       Sintomas psíquicos: ansiedade, apatia, baixa autoestima, depressão, irritabilidade ou distúrbios do sono.

·       Sintomas sociais: isolamento, solidão, falta de tempo livre e de passatempos.

·       Sintomas no trabalho: absentismo ou perda de trabalho.



 

Infografia da Cruz Roja de España


Para evitar o burnout ou a síndrome do cuidador, a pessoa cuidadora deve procurar colocar em prática as seguintes estratégias:

·       Saber o máximo sobre a doença da pessoa ao seu cuidado, incluindo sintomas que indicien situações de emergência, primeiros socorros, evolução da doença, etc. O conhecimento significa consciência, utilidade, e perceção de controle da situação.

·       Ter um equilíbrio entre as suas necessidades pessoais e o papel de cuidador.

·       Para cumprir o passo anterior é necessário pedir ajuda e aceitar ajuda. Acreditar que pode fazer tudo durante 24 horas por dia, sete dias por semana é uma das principais causas de esgotamento.

·       Aceitar naturalmente a possibilidade de ter pensamentos negativos como: "por que é que me tocou a mim ter esta responsabilidade?", "eu não quero ser cuidador de ninguém", ... É normal que quem se sente sobrecarregado e cansado tenha sentimentos de desconforto emocional e mesmo de raiva. Lembre-se nesses momentos que ninguém quer estar dependente e evite mostrar emoções negativas ao familiar que se encontra ao seu cuidado. Nessas alturas faça pequenos intervalos de alguns minutos para, por exemplo, tomar uma infusão relaxante.

·       Parar para respirar quando sentir que já não pode mais. Às vezes, a evolução da doença, mais as responsabilidades e preocupações acumuladas criam na pessoa cuidadora uma couraça que o impede a extravasar as emoções. Falar com alguém de confiança, contar-lhe a sua vida e dizer-lhe como se sente pode ser uma grande ajuda.

·       As consultas médicas e os exames não podem ser negligenciados. A sua saúde é tão importante como a do seu familiar.

·       Procurar passar tempos agradáveis com a pessoa cuidada. Muitas vezes o cuidador está tão cansado que não se apercebe que o seu familiar também está deprimido e se sente culpado. Faça uma breve caminhada, beba uma bebida confortável ou observe uma paisagem. Esses momentos podem ser uma ajuda para a estabilidade emocional do cuidador e da pessoa que se encontra ao seu cuidado.

 

·       Não sacrificar as atividades ou hobbies porque elas ajudam a espairecer a mente de preocupações. Se por exemplo gosta de pintar, costurar ou cozinhar não pare de o fazer.


Fontes:

https://salud.uncomo.com/articulo/como-evitar-el-sindrome-del-cuidador-33309.html

https://salud.uncomo.com/articulo/sintomas-del-sindrome-de-la-cuidadora-1559.html

Autor da infografia sobre o coping: Vaz Serra

Infografias sobre a medição e sinais de burnout: Cruz Roja de España


Artigo "Oito situações de risco no cuidado informal" neste link https://www.cuidador.pt/blogue/70-8-situacoes-de-risco-no-cuidado-informal


 

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O cuidador deve ter presente as seguintes ideias-chave durante a ajuda ao seu familiar a vestir-se:

·        Conforto;

·        Higiene;

·        Respeito pela individualidade;

·        Simplificação de processos;

·        Segurança;

·        Estimulação física e cognitiva.

Se a pessoa tiver a capacidade de comunicação verbal diminuída devido à doença de Alzheimer ou outra forma de demência, o cuidador deve ser especialmente empático e atento.


Infografia da Cruz Roja


 

11 princípios a ter em conta pelo cuidador no momento de ajudar a vestir o familiar:

 

1)    SEJA FLEXÍVEL: se o seu familiar tiver um gosto especial por determinada roupa, compre várias peças iguais ou tenha roupa parecida sempre disponível. Desta maneira agrada-se e mantém-se uma boa higiene pessoal.

2)    AJUDE A ESCOLHER: escolha com o seu familiar a roupa que vai usar no dia seguinte, deixando-a colocada pela ordem que deverá ser vestida.

3)    TENHA ESPECIAL ATENÇÃO À ROUPA INTERIOR: é muito importante usar roupa interior limpa para se evitarem infeções urinárias ou outro tipo de infeções.

4)    VERIFIQUE SE A ROUPA É ADEQUADA: se o seu familiar quiser vestir muitas camadas de roupa, certifique-se que não fica com calor. Quando sair verifique se ele está adequadamente vestido relativamente ao estado de tempo. Tenha em conta que com o envelhecimento a capacidade de uma pessoa sentir alterações da temperatura ambiente diminui. A capacidade de o organismo regular a sua temperatura também pode diminuir com o avançar da idade.

5)    ESTIMULE SEMPRE: não critique se por exemplo a roupa estiver desadequada. Não pense que ele não consegue fazer nada, porque a pessoa doente pode precisar unicamente de uma indicação. Ajude-o a guardar as coisas sempre no mesmo sítio, porque desta maneira estimula a memória e é mais fácil que ele se lembre. A criação de rotinas é fundamental, especialmente quando se cuida de alguém com demência. A rotina transmite segurança porque diminui a imprevisibilidade.

6)    SIMPLIFIQUE AS ESCOLHAS: caso o familiar tenha perdas cognitivas, coloque no armário só a roupa da estação. Disponibilize sempre o vestuário favorito, mas simplifique o processo. Reduza as possibilidades a duas peças por secção. Identifique com desenhos os locais onde estão guardadas as peças de roupa.

7)    AJUDE A VESTIR EM FRENTE AO ESPELHO: caso seja possível, ajude o seu familiar a vestir-se diante do espelho para o ajudar a reconhecer-se durante mais tempo. O cuidador deve estar também atento à possibilidade de o reflexo da imagem no espelho poder provocar alterações negativas de comportamento. Esta situação acontece quando a pessoa não tem a capacidade de se reconhecer.

8)    ORGANIZE O PROCESSO: organize as peças de roupa pela ordem que vão ser vestidas. Entregue peça a peça enquanto dá instruções simples e diretas como “veste a camisa”. Acompanhe a comunicação verbal com gestos.

9)    ESCOLHA SAPATOS CONFORTÁVEIS E SEGUROS: certifique-se que o seu familiar usa sapatos confortáveis, sem tacão e com sola antiderrapante. Tenha em atenção que no verão o pé pode dilatar devido ao calor, pelo que o calçado deve ser ligeiramente largo, sem, no entanto, colocar em causa a segurança.

10)    ESCOLHA ROUPA SIMPLES E CONFORTÁVEL: para manusear a roupa mais facilmente, substitua botões por velcro, zíperes ou fecho-éclair. Certifique-se que a roupa está folgada especialmente na cintura e nos quadris. Escolha tecidos macios e confortáveis, e sempre que possível opte por peças únicas.

11)    DÊ TEMPO: adeque o processo de vestir à capacidade física e cognitiva do seu familiar. Dê-lhe o tempo que for necessário para se vestir sozinho ou com ajuda. Lembre-se que só deve intervir no momento em que o seu familiar deixa de ter capacidade para executar uma determinada atividade.

 

 

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A maior parte dos acidentes com pessoas idosas acontece dentro de suas casas e por esse motivo é importante tomar medidas preventivas. Acidentes provocados por objetos domésticos de utilização diária podem surgir de forma inesperada, e a segurança dentro do domicílio ganha particular importância caso exista uma pessoa com alguma forma de demência.

Dez situações comuns que podem provocar acidentes domésticos

·       Devido às alucinações e alterações cognitivas, os tapetes escuros podem parecer a uma pessoa com demência "buracos". Evite igualmente ter tapetes em locais de passagem porque também são um facto de risco de queda.

·     Objetos decorativos cheios de cores e padrões podem criar agitação, confusão e medo pela mesma razão de a demência provocar alucinações. A deterioração fisiológica do cérebro também altera a perceção dos sentidos.

·       Plantas venenosas e artigos decorativos parecidos com alimentos comestíveis podem provocar acidentes por ingestão.

·  Todos os objetos afiados ou cortantes devem estar guardados em lugar fechado, seguro e fora da vista porque podem ser facilmente confundidos e mal utilizados.

·       Produtos de limpeza devem estar guardados e fechados porque podem ser confundidos com comida ou bebida.

·       O fogão deve estar protegido da má utilização ou de acidentes. É preferível que o fogão seja elétrico.

·       O frigorífico e a dispensa devem estar limpos de comida estragada ou fora de prazo que possa ser ingerida por engano.

·       Os aquecedores devem estar programados para não ultrapassar a temperatura que provoque queimaduras.

·       As fechaduras das portas das divisões devem ser removidas para que não seja possível alguém fechar-se por dentro acidentalmente.

·  Utensílios domésticos como fogões a gás, cortadores de relva e objetos que podem provocar acidentes devem estar bem protegidos e inacessíveis.


 

Fonte:

Infografia da Cruz Roja de España

http://dailycaring.com/dementia-proof-your-home-with-this-safety-checklist/

 

 

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