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1.    Remova os objetos que não são utilizados com frequência. Mantenha o espaço organizado e funcional. Isso pode evitar acidentes (como por exemplo quedas), permitir maior funcionalidade na atividade de cuidar e ajudar na estimulação da pessoa com demência. Na cozinha coloque à mão os utensílios que utiliza mais frequentemente e instale um fogão elétrico em vez de um fogão a gaz.  Guarde e feche os artigos perigosos como por exemplo químicos ou objetos cortantes.

 

2.    Utilize cores contrastantes na decoração, mas com padrões minimalistas.  Uma pessoa que sofra de demência pode a partir de certa altura perder a capacidade de interpretar cognitivamente a informação que vem da visão. A decoração com cores contrastantes ajuda a distinguir os objetos (como por exemplo um prato vermelho numa toalha branca ou a porta do quarto de banho), mas a presença de muitos padrões pode criar confusão e agitação devido ao excesso de estimulação para a capacidade da pessoa doente. A capacidade de interpretação da informação captada sensorialmente (ex.: através da visão ou audição) pode estar alterada numa pessoa com demência. Uma zona da casa mal iluminada, com sombras ou, por exemplo, um tapete com muitos padrões pode provocar alucinações.

 

3.    Deixe as portas abertas ou instale sinais simples de interpretar. Caso a pessoa não tenha capacidade de situar espacialmente as divisões de casa, deixe as portas abertas para que o interior dos quartos fique visível. Se a pessoa doente se perder com frequência, coloque nas portas palavras simples (REFEIÇÃO, COZINHA, DORMIR, …) acompanhadas por figuras (uma banheira, uma cama, um prato…). Coloque também setas a indicar os caminhos para as principais divisões da casa. Se houverem quartos para aonde a pessoa não deva ir, mantenha obviamente as portas fechadas e evite chamar a atenção para essas áreas da casa.

 

 

 

4.    Instale formas de orientação temporal fáceis de entender como relógios e calendários adequados à pessoa com a doença. Estimular a capacidade de orientação temporal (hora, altura do dia, e dia do mês) ajuda a atrasar a perda da função cognitiva. Na mesa de cabeceira e na sala onde a pessoa doente passa mais tempo, coloque um relógio de fácil leitura que indique a hora, a altura do dia (manhã, tarde, etc.), e a data. Utilize calendários que sinalizem os dias que tiveram acontecimentos importantes para a pessoa doente e para a família.

 

 

5.    Utilize fotografias com significado emocional para evocar as memórias positivas. Colocar nas divisões da casa fotografias e lembranças que tragam à pessoa doente lembranças positivas ajuda a criar o bem-estar e um ambiente agradável. O que é memorizado através das emoções perdura, e as memórias emocionais são “portas” de estimulação cognitiva.

 

Estas soluções acabarão por perder eficácia à medida que a demência progredir. No entanto, existem estudos científicos que admitem a possibilidade (tal como aconteceu com o HIV ou SIDA) de no espaço de dez anos as consequências da doença de alzheimer deixarem de ter impacto na vida das pessoas doentes. 

 

 

 

 

 

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O ácido acetilsalicílico, conhecido vulgarmente como aspirina, é um dos produtos farmacêuticos mais utilizados na prática médica. Este medicamento é um anti-inflamatório, analgésico, antipirético, e também é benéfico para a aterosclerose, doenças cardiovasculares e vários tipos de cancro. Estudos mais recentes têm vindo a comprovar o efeito neuroprotector deste fármaco na doença de Parkinson e na doença de alzheimer (DA).

Estudos epidemiológicos verificaram que os utilizadores de altas doses de aspirina apresentam menor prevalência de DA e melhor manutenção das funções cognitivas. Outro estudo que investigou o tratamento com doses baixas de aspirina revelou efeitos promissores relativamente à DA.

No entanto, apesar de os resultados epidemiológicos apontarem para um potencial papel da aspirina na prevenção e tratamento da DA, o seu potencial terapêutico e o mecanismo molecular subjacente necessitam de mais investigação.

O efeito do ácido acetilsalicílico como prevenção da doença de alzheimer

A presença da proteína beta-amiloide no cérebro é um dos sinais da DA. A aglomeração desta proteína interrompe a comunicação entre os neurónios e activa as células do sistema imunológico do cérebro, provocando inflamação e morte de neurónios.

Um estudo recente realizado em ratos geneticamente modificados para desenvolverem a DA, concluiu que a toma de pequenas doses de aspirina reduziu a quantidade desta proteína tóxica no cérebro.

Continua a ser uma incógnita a razão do surgimento da proteína beta-amiloide no cérebro das pessoas com alzheimer, mas independentemente de como essa proteína se acumula, é objetivo dos cientistas que estudam a DA reduzir a sua presença no cérebro.


Fontes:

https://www.jneurosci.org/content/38/30/6682

http://www.jneurosci.org/content/early/2018/07/02/JNEUROSCI.0054-18.2018

 

 

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A sociedade dos países mais desenvolvidos está a passar por rápidas e profundas alterações devido à entrada das mulheres no mercado de trabalho, diminuição do número de pessoas na família nuclear (poucos filhos), emigração, e desertificação das zonas mais rurais. As pessoas mais idosas têm cada vez mais formação e literacia e estas mudanças sociodemográficas têm consequências a nível do cuidado informal.

O futuro vai passar pela tendência do envelhecimento em casa, apoiado por equipas multidisciplinares de profissionais de saúde em trabalho interdisciplinar. Existem vários níveis de cuidadores informais, e as transformações demográficas e as políticas públicas de apoio ao envelhecimento na comunidade (conceito “ageing in place”) abrem espaço ao papel de cuidador informal à distância. As novas tecnologias emergentes são ferramentas úteis nesta realidade em transformação e um exemplo de inovação é uma peça simples com o nome Evermind.

Este produto tecnológico permite que cuidadores que residem longe de familiares  - que precisem de algum apoio - verifiquem discretamente o decorrer das rotinas diárias.

O Evermind é uma pequena caixa que se liga a uma tomada elétrica de parede e monitoriza a utilização de aparelhos eletrodomésticos. Este equipamento avisa se equipamentos utilizados diariamente (microondas, cafeteiras, televisões, lâmpadas, ferros elétricos, portas de garagem com abertura elétrica, etc.) foram ligados ou desligados.

A família “cuidadora à distância” recebe mensagens no telemóvel ou notificações por e-mail sempre que um aparelho é ou não utilizado num determinado período de tempo, o que permite detetar mudanças na rotina diária que possam provocar preocupação.

Hábitos como fazer café de manhã ou desligar uma lâmpada de cabeceira à noite podem ser monitorizados à distância, e se por exemplo uma avó não ligar a televisão à noite, o neto vai ser notificado por mensagem ou e-mail e irá averiguar se está tudo bem.   

Uma das situações que precisa de ser monitorizada em pessoas idosas que vivem sós é a possibilidade de queda. Uma queda pode ocorrer por diversos motivos (hipotensão postural, AVC, tropeção num obstáculo, iatrogenia, …) e perante esta situação é vital que ocorra uma intervenção atempada.

Esta solução tecnológica permite ajudar as pessoas idosas com espírito independente a permanecer nas suas casas e dar tranquilidade aos familiares.


 

Vídeo sobre este aparelho aqui neste link: http://www.youtube.com/watch?v=XojDAXBnWpw&w=560&h=315]

 


Leia também:

 “TEMA: QUEDAS” aqui neste link:  https://www.cuidador.pt/blogue/251-tema-quedas

 “ESTRATÉGIA PARA ACOMPANHAR UM FAMILIAR IDOSO QUE MORA LONGE” aqui neste link:  https://www.cuidador.pt/blogue/28-estrategia-para-acompanhar-um-familiar-idoso-que-mora-longe

 

 

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A validação é uma técnica de comunicação criada pela assistente social Naomi Feil na década de 60 do século XX. A autora, de nacionalidade alemã, passou a sua juventude no meio de idosos institucionalizados porque os pais trabalhavam em lares residenciais.

Naomi Feil observou que com o passar dos anos algumas pessoas idosas ficavam com sinais e sintomas de desorientação.

Da experiência vivida nasce a consciência da necessidade de uma forma de comunicação diferente das que eram realizadas pelos profissionais dos lares.

O objetivo era melhorar a comunicação com pessoas que sofriam de desorientação e deterioração cognitiva, ajudando-as a recuperar a dignidade e o bem-estar.

Feil estabeleceu como passo prévio ao ato de validação onze princípios que permitem entender a pessoa desorientada devido a alterações cognitivas. O novo método assenta na promoção de uma atitude empática, baseada em referências teóricas, como o humanismo, a psicanálise, as teorias do desenvolvimento, e técnicas de comunicação e observação.

Baseada na teoria do desenvolvimento de Erik Erikson, Naomi Feil refere que as pessoas idosas desorientadas estão a passar por um processo de revisão de tarefas que ficaram pendentes, e procuram durante esse processo ferramentas para morrer em paz.

Quando uma pessoa chega à velhice e faz o balanço da vida, ela pode aceitar o que viveu e estar preparada para a morte, (integridade segundo Erikson) ou não aceitar o que viveu devido a desafios não superados e tarefas que ficaram pendentes (desespero segundo Erikson). É na aceitação incondicional desta realidade que Feil coloca a força da validação.

A validação não deve ser entendida como uma aprovação mas sim como a valorização das emoções, atitudes e comportamentos das pessoas desorientadas. O método procura melhorar a comunicação e reduzir a medicação e as restrições a longo prazo. A empatia é a principal ferramenta para estabelecer relações igualitárias, próximas e sinceras.

Muitas vezes os profissionais de saúde e cuidadores informais focalizam no comportamento que os surpreende ou desagrada. Feil quebra essa premissa e afirma que por trás de cada comportamento de desorientação pode estar a expressão de uma necessidade. Todas os seres humanos são únicos, e os cuidadores formais e informais devem ter a capacidade de estabelecer relações baseadas na sinceridade, valorizando o desconforto e ajudando a pessoa através do processo de validação.

O propósito da validação não é orientar a pessoa no tempo e no espaço, mas sim respeitar a realidade que está a ser vivida. Naomi Feil não utiliza os exercícios de orientação temporal e espacial dos programas de estimulação cognitiva. A realidade que está a ser vivida pela pessoa é respeitada independentemente do nível de consciência, e de ela se encontrar num tempo presente ou passado.     

Como se sentirá uma pessoa que está a viver a realidade de ter 10 anos e sentir a falta da mãe, se os cuidadores e pessoas próximas não “validarem” essa situação e lhe disserem a que a sua mãe está morta?

O que é que poderá sentir uma pessoa que pretende ir buscar os seus filhos à escola, e os cuidadores e pessoas próximas não a deixam sair de casa com a argumentação que os seus filhos já têm mais de 50 anos?


Leia também:

“DEVE-SE CORRIGIR A “VERDADE” DE UMA PESSOA COM ALZHEIMER?” neste link: https://www.cuidador.pt/blogue/299-deve-se-corrigir-a-verdade-de-uma-pessoa-com-alzheimer


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De acordo com os dados fornecidos à Sociedade Espanhola de Neurologia por ocasião do evento “a doença de Alzheimer no mundo” realizada no dia 21 de setembro de 2017, entre 30 a 40 por cento das pessoas com Alzheimer não têm a doença diagnosticada, e apenas 20 por cento dos casos são detetados numa fase ainda inicial.

Quanto mais cedo se detetar a doença, mais cedo se iniciam os tratamentos, a formação da família cuidadora, e mais tempo a pessoa tem para tomar decisões relativas ao seu futuro. Os sintomas iniciais de demência podem passar despercebidos em particular na doença de Alzheimer. Os atuais medicamentos para esta forma de demência também são mais eficazes no estágio inicial. O diagnóstico precoce resulta na redução da repercussão social e no impacto económico da doença. Quando surge a suspeita de que um familiar tem sinais de demência e não apenas alguns sintomas normais de envelhecimento, deve ser marcada uma consulta médica.

A escala Mini Mental State Examination (MMSE) é um teste muito utilizado em rastreios de demências ou defeito cognitivo leve devido à sua fácil aplicação.

Outra escala muito eficaz, mas menos utilizada, é a Montreal Cognitive Assessment (MoCA). A Montreal Cognitive Assessment é um teste de avaliação cognitivo, que inclui 30 pontos, leva cerca de 10 minutos a realizar e não exige que o médico tenha um treino especial.

A escala MoCA diferencia-se do MMSE porque testa uma variedade de funções cognitivas, enquanto o MMSE analisa principalmente a memória. A escala MoCA é melhor na deteção de demência na fase inicial porque é um teste mais sensível.

O teste MoCA analisa as seguintes funções cognitivas:

·        Capacidade de processar e compreender informações visuais sobre a localização de objetos

·         Funções executivas

·        Comunicação verbal

·        Memória de curto prazo

·        Atenção

·        Concentração

·        Memória de trabalho

·        Consciência do tempo e do lugar

O teste MOCA deteta mais facilmente que o MMSE as seguintes patologias:

·        Demência de Parkinson

·        Demência vascular

·        Lesão cerebral traumática (resultado muitas vezes de quedas)

·        Doença de Huntington

·        Tumores cerebrais

·        Esclerose múltipla

A Associação Alzheimer Internacional (ADI) defende que todos os países deviam ter um plano estratégico anti-alzheimer para melhorar o diagnóstico, tratamento, gestão de recursos, e fomento da investigação. Na Europa, só a França, Grã-Bretanha e Alemanha é que dispõem de um plano semelhante.

Cerca de 25 milhões de pessoas padecem da doença de Alzheimer a nível mundial, e a tendência é este número aumentar devido ao envelhecimento demográfico.

Os fatores de risco são os seguintes:

·        Demografia.

·        Idade avançada (a prevalência é inferior a 2% na faixa etária entre 65 e 69 anos, mas essa percentagem duplica em cada 5 anos, chegando a 10-17% no grupo de 80 a 84 anos e atingindo valores de 30% acima dos 90 anos. No entanto a realização de atividades preventivas permite que o desenvolvimento da doença de Alzheimer seja atrasado).

·        Sexo feminino.

·        Analfabetismo.

·        Antecedentes médicos (principalmente relacionados com doenças cardiovasculares: diabetes, tabaquismo, hipertensão arterial, aumento de colesterol).

·        Depressão.

·        Menopausa.

Esta doença não tem cura, mas existem quatro fármacos com alguma eficácia na melhoria dos sintomas cognitivos e comportamentais. Tratam-se de medicamentos que podem atrasar em alguns anos a evolução dos sintomas.

O problema é que a doença pode ter uma forma de aparição variada e possui uma evolução gradual, o que dificulta a distinção dos primeiros sintomas de Alzheimer das mudanças próprias da idade. É preciso que a família tenha a noção que a idade avançada não justifica a falha de memória cotidiana, repetida e persistente.



Fontes:

http://dailycaring.com/testing-for-dementia-the-montreal-cognitive-assessment-moca/

http://dailycaring.com/testing-for-dementia-the-mini-mental-status-exam/

http://elmedicointeractivo.com/diagnostico-precoz-basico-mejorar-calidad-vida-enfermedad-alzheimer-20111010175904084992/

 

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