
A demência é uma das principais causas de incapacidade e dependência e pode devastar a vida das pessoas afetadas e das suas famílias. È uma doença marcada por uma deterioração cognitiva além do que se pode esperar do envelhecimento normal (i.e., primário ou fisiológico). A demência afeta a memória, o pensamento, a orientação, a compreensão, o cálculo, a capacidade de aprender, a linguagem e a capacidade de julgamento. Ela resulta de uma variedade de doenças e lesões que afetam o cérebro.
Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório de 78 páginas, onde estão detalhadas as atividades que ajudam (e também aquelas que não ajudam) a reduzir o risco de demência.
Essas diretrizes da OMS abrangem aspetos físicos e mentais, mas concentram-se especialmente no lado físico da equação, porque as evidências científicas confirmam que o que é bom para nosso coração também é bom para nosso cérebro. Surpreendentemente ou não, esse trabalho elimina várias crenças assentes na sabedoria convencional.
A OMS destaca do seu relatório três crenças erradas assentes na sabedoria convencional:
· Os suplementos dietéticos como as vitaminas B, E, antioxidantes, ómega-3 e ginkgo não ajudam a combater o declínio cognitivo e a demência. Pretende-se com esta recomendação evitar que as pessoas consumam inutilmente vitaminas ou suplementos dietéticos (a menos que sejam necessários devido a um problema clínico) e desperdicem dinheiro.
· Não há evidências suficientes que relacionem a atividade social a uma redução no risco de demência. No entanto, a participação social e o apoio social estão fortemente relacionados com a saúde e o bem-estar.
· As pessoas idosas devem realizar treino cognitivo, mas a evidência que relaciona a um menor risco de demência é muito baixa.
Para diminuir o risco de demência, a OMS recomenda:
· Ter atividade física
· Não fumar
· Beber moderadamente álcool
· Manter controlado o peso, hipertensão, diabetes e a dislipidemia (níveis de colesterol)
· Seguir uma dieta saudável e equilibrada
Calcula-se que nos próximos 30 anos o número de pessoas com demência venha a triplicar, pelo que ganha importância a necessidade de reduzir o risco de demência. A OMS prevê o surgimento de 10 milhões de novos casos de demência por ano, e que este número tende a triplicar até 2050. Calcula-se que no ano de 2030 o custo económico de cuidar pessoas com demência venha a ser 2 mil milhões de euros.
A relação entre a função cognitiva e a dieta mediterrânea (com base em vegetais simples de cozinhar, pouca carne e a utilização de azeite), está amplamente estudada. Várias revisões sistemáticas de estudos observacionais concluíram que a adesão à dieta mediterrânea está associada à redução do risco de perda cognitiva patológica.
Fonte: Dementia Guidelines 2019: WHO Releases Recommendation For Reduced Risk (medicaldaily.com)