Por que motivo a doença de Alzheimer afeta mais as mulheres?
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Não é segredo que as mulheres estão mais dispostas a desenvolver a demência de Alzheimer, e trabalhos científicos têm atribuído essa realidade à maior longevidade da mulher, mas cientistas descobriram outros fatores que podem contribuir para a doença.
1. Além do facto de 60% de todos os cuidadores informais de pessoas com Alzheimer serem mulheres, aos 65 anos as mulheres têm 1 possibilidade em 5 de desenvolver Alzheimer, em comparação com 1 possibilidade em 11 para os homens.
2. As mulheres na faixa etária dos 60 anos têm 2 vezes mais possibilidades de desenvolver Alzheimer do que cancro da mama.
Maria Carrillo, diretora científica da Alzheimer’s Association diz sobre este tema que “existem suficientes questões biológicas que apontam para o aumento do risco nas mulheres que precisamos de aprofundar e descobrir os motivos. Há muita coisa que não é compreendida e é desconhecida. É hora de fazermos alguma coisa.”
A Alzheimer’s Association reuniu 15 dos principais cientistas do mundo para averiguar a razão de a doença de Alzheimer afetar mais as mulheres, e “os cientistas estão agora a averiguar se o risco de Alzheimer é maior para as mulheres em qualquer idade devido a variações biológicas ou genéticas ou diferenças nas experiências de vida" (Maria Carrillo, diretora científica da Alzheimer’s Association).
Fatores de risco além da longevidade
Até agora, a maior predisposição de as mulheres serem vítimas desta doença tem sido atribuída em grande parte à longevidade, já que a idade é o fator de risco número um para a doença de Alzheimer. Roberta Diaz Brinton, professora da University of Southern California que estuda as diferenças de género, afirma a esse respeito que “é verdade que a idade é o maior fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer”, mas "em média, as mulheres vivem quatro ou cinco anos mais do que os homens e sabemos que o Alzheimer é uma doença que começa 20 anos antes do diagnóstico".
Estudos genéticos têm uma explicação surpreendente para esta diferença. Investigadores da Universidade de Stanford estudaram mais de 8.000 pessoas à procura de uma forma do gene ApoE-4, um gene que aumenta o risco de Alzheimer, e descobriram que as mulheres que possuem uma cópia dessa variante do gene tinham duas vezes mais possibilidades de desenvolver Alzheimer do que as mulheres sem o gene. Por sua vez os homens que tinham o gene ApoE-4 tinham um risco ligeiramente maior do que os homens sem o gene. Embora não seja claro o motivo de o gene representar um aumento no risco, Brinton acredita que a explicação pode estar na interação do gene com a hormona estrogénio.
Outro perspectiva com fundamento científico sugere que a suscetibilidade à doença de Alzheimer pode estar relacionada com a saúde do coração. Um estudo de Framingham, Massachusetts, sugere que, como os homens têm maior probabilidade de morrer de doenças cardíacas na meia-idade, aqueles que vivem depois dos 65 anos podem ter um coração mais saudável, o que protege o cérebro da doença de Alzheimer. As doenças cardiovasculares compartilham com a doença de Alzheimer muitos fatores de risco, onde se inclui o colesterol alto, diabetes e obesidade.
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“POR QUE RAZÃO É QUE AS MULHERES SÃO MAIS SUSCETÍVEIS A TEREM A DOENÇA DE ALZHEIMER?” neste link 👉 https://www.cuidador.pt/blogue/334-por-que-razao-e-que-as-mulheres-sao-mais-suscetiveis-a-terem-a-doenca-de-alzheimer
“NEUROGÉNESE E O ENVELHECIMENTO" neste link 👉 https://www.cuidador.pt/blogue/312-a-neurogenese-e-o-envelhecimento



