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A American Heart Association destaca a importante relação entre os fatores de risco cardiovascular, e o crescente aumento de doenças cerebrais ou cognitivas. Apesar de as doenças cardíacas continuarem a ser a principal causa de morte em todo o mundo, a análise estatística de 2022 sobre doenças cardíacas e AVCs da American Heart Association, conclui que as doenças do cérebro, especialmente a doença de Alzheimer e outras formas de demência, não só estão a aumentar substancialmente como também estão frequentemente associadas aos mesmos fatores de risco que causam doenças cardíacas, como a pressão alta, obesidade, diabetes e tabagismo.

Está a ser feito um caminho de aprendizagem sobre como algumas formas de demência estão relacionadas com o envelhecimento e também com a má saúde vascular. Muitos estudos mostram que os mesmos comportamentos de estilo de vida saudável que podem ajudar a melhorar a saúde do coração de uma pessoa também podem preservar ou até melhorar a saúde do cérebro. Está a ficar cada vez mais claro que a redução dos fatores de risco para doenças vasculares pode fazer uma diferença real para ajudar as pessoas a viverem vidas mais longas e saudáveis, livres de doenças cardíacas e cerebrais.

 As taxas globais de mortalidade atribuídas à doença de Alzheimer e outras formas de demência nos últimos dez anos (44%) são mais que o dobro do aumento nas taxas de mortalidade por doenças cardíacas (21%) durante o mesmo período. Nos últimos 30 anos (1990-2020), a prevalência global da doença de Alzheimer e de outras demências aumentou mais de 144% e as mortes aumentaram mais de 184%. As disparidades de género, raça e etnia também prevalecem entre as pessoas com problemas de saúde cerebral. Os fatores de risco que contribuem para a doença cardíaca também são a principal causa de morte em todo o mundo e afetam a crescente prevalência global de doenças cerebrais, incluindo acidente vascular cerebral, doença de Alzheimer e demência, de acordo com a American Heart Association e a Stroke Statistics (atualização de 2022, publicado no principal periódico revisto por pares da Associação, Circulation.

 Especialistas dizem que manter um peso saudável, controlar a pressão arterial e seguir outros hábitos de vida saudáveis ​​​​para o coração também contribuem para a boa saúde do cérebro.

A saúde cerebral ideal inclui a capacidade funcional de realizar todas as tarefas pelas quais o cérebro é responsável, incluindo movimento, propriocepção, aprendizagem, memória, comunicação, resolução de problemas, julgamento, tomada de decisão e regulação das emoções. O declínio cognitivo e a demência são frequentemente observados após um acidente vascular cerebral ou doença cerebrovascular. Estudos demonstram que a manutenção de uma boa saúde vascular está associada ao envelhecimento saudável e à manutenção da função cognitiva.

A taxa global de mortalidade por doença de Alzheimer e outras demências está a aumentar mais do que a taxa de mortalidade por doenças cardíacas:

·       A nível mundial, mais de 54 milhões de pessoas tinham a doença de Alzheimer e outras demências em 2020, o que significa um aumento de 37% desde 2010 e de 144% nos últimos 30 anos (1990-2020).

·       Mais de 1,89 milhão de mortes foram atribuídas à doença de Alzheimer e outras demências em todo o mundo em 2020, em comparação com quase 9 milhões de mortes por doenças cardíacas.

·       As mortes globais por doença de Alzheimer e outras demências aumentaram mais de 44% entre 2010 e 2020, em comparação com um aumento de 21% nas mortes por doenças cardíacas.

·       As mortes por doença de Alzheimer e outras demências aumentaram 184% nos últimos 30 anos (1990-2020), em comparação com um aumento de 66% nas mortes por doenças cardíacas durante o mesmo período.

“A taxa global de doenças cerebrais está a ultrapassar rapidamente as doenças cardíacas. A taxa de mortes por doença de Alzheimer e outras demências mais que dobrou na última década em comparação com a taxa de mortes por doenças cardíacas, e isso é algo que precisamos resolver", disse Mitchell S.V. Elkind, ex-presidente da American Heart Association, professor de neurologia e epidemiologia da Columbia University.

Os dados estatísticos de 2022 destacam que:

·       Em uma meta-análise de 139 estudos, as pessoas com hipertensão da meia-idade eram cinco vezes mais propensas a sofrer um declínio na cognição global e quase duas vezes mais propensas a sofrer redução da função executiva, demência e doença de Alzheimer.

·       Quase metade de todos os adultos (47% ou 121,5 milhões) nos EUA tem pressão alta, com base em dados de 2015 a 2018.

·       Em uma meta-análise de estudos longitudinais com até 42 anos de acompanhamento, pessoas com obesidade tiveram três vezes mais risco de demência.

·       O tabagismo está associado a um aumento de 30% a 40% no risco de demência, doença de Alzheimer e demência vascular, de acordo com uma meta-análise de 37 estudos prospetivos.

Ter doenças cardiovasculares também aumenta as possibilidades de desenvolver doenças cerebrais:

·       Em uma meta-análise de quatro estudos longitudinais, o risco de demência associada à insuficiência cardíaca quase dobrou.

·       No estudo da ARIC Neurocognitive (12.515 participantes, idade média de 57 anos, 24% participantes negros, 56% mulheres), a fibrilação atrial foi associada a maior declínio cognitivo e demência em 20 anos.


Fonte:

https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000001052


Leia também:

"SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE, OU SERVIÇO NACIONAL DE DOENÇA?" neste link 👉 https://www.cuidador.pt/blogue/349-servico-nacional-de-saude-ou-servico-nacional-de-doenca

“ERA UMA VEZ UMA MULHER COM SETE FILHOS ...” neste link👉 https://www.cuidador.pt/blogue/250-era-uma-vez-uma-mulher-com-sete-filhos-3

“ERA UMA VEZ UMA FÁBRICA INCLUSIVA …” neste link 👉 https://www.cuidador.pt/blogue/14-era-uma-vez-uma-fabrica-inclusiva-2

 

 

 

 

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A fibromialgia é uma doença crónica, de causa(s) ainda desconhecida(s), caracterizada pela presença de dor  generalizada, associada a uma série de pontos dolorosos específicos que auxiliam no diagnóstico.

Frequentemente, está associada ao aumento do cansaço, distúrbios do sono e rigidez matinal musculo-esquelética.

Estudos realizados na Alemanha verificaram que banhos de imersão com óleo de valeriana (erva relaxante) têm um efeito positivo sobre a dor e a insónia. Pessoas pacientes com fibromialgia tiveram melhorias no bem-estar e no sono, e o número de pontos dolorosos também diminuiu.

 

 

O tratamento médico (i.e., clínico) consiste no combate à dor através de analgésicos, anti-inflamatórios e antidepressivos (dada a componente emocional desta doença). 

Como somos seres biopsicossociais, o tratamento deve ser interdisciplinar, e ter em consideração as perspectivas farmacológica, psicológica, reabilitadora - física e educacional - social. A fisioterapia tem como função manter a atividade articular e muscular.

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A visita ao médico ou outro especialista na área da saúde deve ser planeada, e para que não se esqueça de nada que deva ser comentado, é aconselhável que anote previamente alterações, sintomas ou dúvidas que considere importantes de serem mencionadas.

É importante ter presente na consulta que:

·       O médico ou especialista é um aliado.

·       O que está a acontecer deve ser totalmente referido, sem vergonha.

·       Se tiver alguma dúvida, peça para lhe esclarecer.

·       Se precisar, tome notas para evitar esquecimentos.

·       Deve informar sobre antecedentes pessoais e familiares.

·       Deve recordar a medicação que está a ser tomada, seja ela receitada ou de venda livre.

·       Deve saber para que serve o tratamento.

·       Deve saber como deve ser tomada a medicação (hora, em jejum, …).

·       Deve ter conhecimento sobre possíveis efeitos secundários.

·       Deve ter conhecimento sobre a duração da toma da medicação.

·       Deve estar informado sobre precauções a ter em conta.

COMO ENFRENTAR UM DIAGNÓSTICO

Quando nos dão um diagnóstico de uma doença, é normal que haja sentimentos de raiva, incerteza e tristeza, mas a gestão correta destas emoções ajuda no processo de aceitação à nova situação de vida.

Recomendações após o diagnóstico:

·       Pedir uma segunda opinião.

·       Ter uma atitude positiva.

·       Expressar as emoções positivas e negativas.

·       Procurar informação sobre a doença através de profissionais médicos e associações. (Não fazer um autodiagnóstico).

·       Procurar apoio: familiar, social, profissional (psicólogos, grupos de ajuda …).

·       Não tratar a doença como um tema tabu.

·       Manter, na medida do possível, o estilo de vida habitual.

·       Seguir o tratamento recomendado pelo médico ou especialista de outra área de saúde.  

 COMO DAR APOIO EMOCIONAL PERANTE UM DIAGNÓSTICO


Fontes:

Cruz Roja de España

SerCuidadora


Leia também:

“O CUIDADOR E A ALTA HOSPITALAR” neste link: https://www.cuidador.pt/blogue/224-o-cuidador-e-a-alta-hospitalar

“FUNÇÕES DO CUIDADOR INFORMAL” neste link: https://www.cuidador.pt/blogue/39-funcoes-do-cuidador-informal

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     Há uns dias atrás, enquanto esperava para ser atendido numa farmácia perguntei a mim próprio: porque motivo é que os atuais recursos humanos (diferenciados) das farmácias se limitam (essencialmente) a aviar receitas? O papel das farmácias no Serviço nacional de Saúde pode e deve ir além da sua função clínica. A sociedade portuguesa mudou de forma acentuada em poucos anos e as politicas sociais e de saúde não tem acompanhado a transformação.  

     O processo acentuado de evolução sociodemográfica teve o seu início em meados do século XX com o princípio da industrialização da sociedade portuguesa e o fluxo migratório de população essencialmente jovem. Se por um lado o movimento migratório marcou o início do envelhecimento demográfico português como processo irreversível e quase constante, por outro lado a industrialização da economia provocou  alterações nas características da família. A família nucleariza-se e o paradigma histórico de o apoio aos idosos se verificar através de redes sociais familiares e da instituição da Igreja muda com a entrada da mulher (tradicional cuidadora) no mercado de trabalho.

     O apoio ao envelhecimento começa a sair da esfera famíliar e transforma-se num problema/desafio social numa altura em que Portugal ainda era uma sociedade demograficamente jovem no contexto do espaço europeu.

   A partir da década de 1970 o envelhecimento da população portuguesa torna-se mais evidente e em 2001 a percentagem de idosos ultrapassa pela primeira vez a percentagem de jovens com idades acima de 15 anos. A evolução sociodemográfica ganha velocidade com a quebra contínua dos níveis de mortalidade, fecundidade e natalidade, e aumento da esperança de vida à nascença. Portugal passou de país demograficamente jovem até à década de 1970 para envelhecido depois dos anos 80.

     Mas se por um lado Portugal alcança com sucesso o aumento da esperança de vida da sua população, por outro lado também acaba por situar-se entre os países europeus com piores resultados no indicador da esperança de vida saudável. Por esse motivo os anos de vida ganhos em longevidade passaram a traduzir-se também no aumento da prevalência de comorbidades e síndromes geriátricas entre a população mais idosa. Portugal transforma-se num dos países com piores índices de qualidade de envelhecimento da Europa, e consequentemente o ganho civilizacional que tem sido o aumento do número de anos de vida tem sido ensombrado pelo envelhecimento secundário ou patológico. 

     A ciência diz que o tempo máximo de vida dos seres humanos ronda os 120/130 anos e essa baliza temporal é definida pelos genes da longevidade que fazem parte do nosso ADN assim como pelo ambiente físico e social. O objetivo que falta cumprir é percorrer esse tempo de vida com saúde. Um sinal que revela a exequibilidade dessa meta é a diferença na qualidade de envelhecimento entre países europeus com o mesmo índice de longevidade.

 

 

    A Saúde é um estado biopsicossocial, e a “complexidade que envolve o fenómeno do envelhecimento e as demandas de cuidado provenientes das condições de saúde das pessoas idosas requerem ações que contemplem a interdisciplinaridade nos serviços de saúde, em todos os níveis de atenção” (Salcher et al.,2015, p.260). A Organização Mundial de Saúde define o conceito de Saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”.

     O nosso Sistema Nacional de Saúde não está a acompanhar a democratização da velhice, tem na sua essência uma perspectiva clínica de saúde, e reduz tendencialmente o envelhecimento à doença. Um estudo realizado em 2022 com cinco países europeus concluiu que Portugal possui o pior resultado no envelhecimento saudável. Esse estudo foi publicado num jornal no dia 26 de março e pode ser lido aqui: https://www.publico.pt/2022/03/26/sociedade/noticia/portugal-pior-resultado-envelhecimento-saudavel-estudo-cinco-paises-europeus-2000256

     Este tema podia levar-nos para outra área social/saúde que são as razões que estão a colocar o SNS (ou SND?) em crise há mais de uma década. 

 


 Leia também: 

"CONSEQUÊNCIAS DO COMPORTAMENTO NO ENVELHECIMENTO DEMOGRÁFICO" neste link 👉https://www.cuidador.pt/blogue/351-consequencias-do-comportamento-no-envelhecimento-demografico

 “ERA UMA VEZ UMA FÁBRICA INCLUSIVA …” neste link 👉 https://www.cuidador.pt/blogue/14-era-uma-vez-uma-fabrica-inclusiva-2

 

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A demência resulta em distúrbios psicológicos, mudanças comportamentais e deterioração da cognição e da linguagem. Estas alterações podem fazer com que a tarefa de mudar de sapatos velhos desapropriados para calçado novo se transforme num desafio para a pessoa cuidadora.

A incapacidade de poder exprimir-se e dizer como se sente com os novos sapatos, se existe desconforto, se são grandes ou do tamanho certo torna a tarefa complicada. Acresce a esta complexidade a possível recusa à mudança provocada pela dificuldade de adaptação ao calçado novo, porque se os anteriores sapatos eram velhos e inapropriados, também eram confortáveis por estarem formatados aos pés.

Para lidar adequadamente com alterações de comportamento, é importante que se faça uma boa gestão da mudança. O processo inicia-se com a procura do calçado adequado, e termina na verificação da adaptação à mudança.  

É muito importante que a pessoa cuidadora - que conhece bem a pessoa em questão - seja assessorada por profissionais que conhecem bem a doença.

Uma circunstância que representa em muitas ocasiões um grande problema, é a impossibilidade, por vários motivos, de a pessoa com demência se deslocar a uma loja de venda de calçado.  

Por tudo o que foi referido é recomendável que:

·     Peça conselhos a um profissional (podólogo e/ou fisioterapeuta) antes de comprar calçado novo. É importante que se avaliem as características físicas, cognitivas e funcionais da pessoa.

·     Aumente progressivamente o tempo de utilização dos sapatos novos, para que facilite a adaptação, se evitem ferimentos, escoriações e se incentive a familiaridade ao novo calçado.

·       Deite fora os sapatos velhos e inapropriados para evitar que sejam vistos e reconhecidos.

·       Marque consultas periódicas com um podólogo para seguir possíveis alterações nos pés.

·       Limpe e cuide os pés da pessoa doente diariamente.


Fonte: https://blogcrea.imserso.es/la-importancia-del-calzado-en-personas-mayores-con-demencia-ii/


Leia também:

“A DOENÇA DE ALZHEIMER E A SAÚDE DOS PÉS” aqui: https://www.cuidador.pt/blogue/335-a-doenca-de-alzheimer-e-a-saude-dos-pes

“SÍNDROME DO PÉ DIABÉTICO: CUIDADOS BÁSICOS” aqui: https://www.cuidador.pt/blogue/289-sindrome-do-pe-diabetico-cuidados-basicos

“SÍNDROME DO PÉ DIABÉTICO: SINAIS DE NECESSIDADE DE AJUDA MÉDICA” aqui: https://www.cuidador.pt/blogue/292-sindrome-do-pe-diabetico-sinais-de-necessidade-de-ajuda-medica

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