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Na passada semana acompanhei a minha mãe octogenária a uma consulta de rotina no centro de saúde da sua área de residência.

Como é pedido neste tipo de situação, chegamos com alguma antecedência e à hora marcada chamaram pelo seu nome e indicaram o número da sala onde iria ocorrer o atendimento.

Pedimos licença à porta do gabinete, entramos e cumprimentamos a médica de família de há muitos anos da minha mãe, e uma sua colega estagiária que também estava presente e iria acompanhar a consulta.

A dada altura a médica estagiária utilizou a estetoscópio para auscultação e de seguida fez uns comentários em linguagem médica (com o intuito de não ser compreendida?) para a sua colega.

O que presenciei nesse momento pode ter sido um sinal de idadismo por parte da estagiária, porque durante algum tempo a presença da utente (minha mãe) foi como se tivesse desaparecido da sala.

Numa consulta não se deve colocar fora do diálogo a sua razão de ser: o(a) paciente. Mesmo em situações de demência, o que não era o caso, nunca se deve falar à frente da pessoa como se ela não estivesse presente.

É um facto que precisaria de mais informação para concluir com maior certeza que a estagiária é idadista, mas não me agradou presenciar uma conversa entre duas profissionais de saúde ignorando a paciente que se encontrava à sua frente, e em linguagem que a esmagadora maioria das pessoas não compreende.

O diálogo com o(a) paciente e a sua formação (capacitação ou empowerment) são fundamentais para o sucesso dos técnicos de saúde. Quando surge informação que não é relevante para o conhecimento da(o) paciente, ela deve ser partilhada sem a sua presença.

A discriminação pela idade está expressa na palavra inglesa “ageismo” e foi traduzida para português pela Comissão Europeia para "idadismo", mas também pode ser referida como “gerontofobia”. São expressões que traduzem estereótipos discriminatórios contra indivíduos devido à sua idade.

O termo ageismo foi criado em 1968 pelo geriatra e psiquiatra Robert Butler.

Estes preconceitos podem ser observados em profissionais de saúde através do tempo de demora das suas consultas e pela forma como ocorrem.

Há muitos exemplos de idadismo em pessoas com responsabilidades públicas e a discriminação pela idade deve ser denunciada porque não podemos permitir que se discrime uma pessoa por fazer anos.

É possível escapar a situações de racismo ou discriminação pelo género, mas mais tarde ou mais cedo em condições normais qualquer pessoa estará sujeita a ser vítima de gerontofobia.

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Primeira vez na história da humanidade, a maioria da população mundial tem em média uma expectativa de vida superior a 60 anos e esta alteração é em simultâneo um desafio à estabilidade financeira dos sistemas de saúde e da assistência social (devido à diminuição da população activa contribuinte) e uma oportunidade para os seniores.

O envelhecimento da população mundial é uma oportunidade quando se empreendem novas actividades nos anos de vida que têm sido ganhos, como continuar os estudos, começar uma nova profissão ou retomar passatempos antigos.

Mas para que isso seja possível é necessário que ocorra o envelhecimento saudável e segundo a Organização Mundial de Saúde, envelhecer com saúde não significa necessariamente a ausência de doenças mas sim envelhecer com autonomia e independência.

Por que razão não envelhecemos da mesma forma?

"Envelhecimento" não é sinónimo de "doença", mas o resultado natural da passagem dos anos é o declínio gradual das capacidades físicas e de algumas cognitivas, aumento de risco de doença e, finalmente a morte.

Colocamos a palavra “algumas” na referência ao declínio das capacidades cognitivas, porque, caso o envelhecimento seja bem sucedido, a inteligência cristalizada (quantidade de informação armazenada que pode ser manipulada por nós) aumenta, e o mesmo pode também acontecer com algumas formas de inteligência como por exemplo a inteligência linguística (ler  as inteligências de Gardner). Mas por outro lado a inteligência fluída (rapidez de manipulação de informação), diminui naturalmente com o avançar dos anos.

No entanto, estas alterações não são uniformes entre as pessoas. Enquanto alguns séniores desfrutam de excelente saúde à medida que os anos passam, outras são frágeis e precisam de ajuda.

Actualmente sabe-se através de exames às moléculas das células que começamos a envelhecer quando os pulmões entram em contacto pela primeira vez com o oxigénio da atmosfera (início da oxidação celular). Mas caso a nossa mãe durante a gravidez tenha comportamentos pouco saudáveis ou viva em ambientes poluídos, podemos começar a envelhecer ainda dentro da barriga materna.

Embora o envelhecimento já esteja programado geneticamente pelos genes (gerontogenes), ele pode ocorrer de forma patológica, fisiológica (“normal”), ou bem sucedida, e o ambiente físico, social, as políticas de saúde e as políticas económicas do país de residência, têm grande importância na maneira como se começa a envelhecer logo a partir do nascimento.

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Do ponto de vista sociológico e psicológico, a terceira idade tem significado diferente consoante a personalidade e formação cultural dos cidadãos. Assim sendo, para os técnicos de saúde, como geriatras e enfermeiros, entrar na terceira idade equivale a doença, demência, fragilidade, isolamento e na maior parte dos casos pobreza, enquanto que para os poetas e romancistas, ser velho é ser experiente, sabedor, benevolente, optimista e feliz.

O ideal era que toda a sociedade visse as pessoas de idade mais avançada como úteis ou que já trabalharam, que possuem conhecimentos feitos de experiências que nenhum livro poderá conter na totalidade, e enquadrá-los na sociedade de acordo com a história e a cultura dos países em que viveram a maior parte da sua existência.

Fonte: Helena Saldanha (Professora Universitária na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra)


 

O número de anos que uma pessoa possui, não permite por si só definir a capacidade de independência na realização de atividades avançadas de vida diária. A idade biológica é mais relevante que a idade cronológica porque reflete o estado da capacidade funcional do organismo. 

A Organização Mundial de Saúde define saúde como "um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência de doença ou enfermidade." Não está mencionada na definição a obrigatoriedade de se ter menos de 65 anos.

Pessoalmente não me importo de ter mais que 65 anos (75, 85 ...) com saúde, mas tenho a noção que é preciso ter a sorte de nascer com determinados genes e viver no ambiente físico e social certo. O conceito de terceira idade é elástico e tem significados diferentes em termos de saúde entre países mais ricos e desenvolvidos e países mais pobres. Um cidadão sueco na terceira idade pode perfeitamente ter mais saúde que um cidadão com menos de 65 anos de um país pobre e subdesenvolvido africano.

A relevância do rótulo "terceira idade" é menor. 

 

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Mais de 80 por cento dos cuidados são assegurados por cuidadores informais que frequentemente caem em situações de burnout ou esgotamento porque as exigências ultrapassam a sua capacidade pessoal e os recursos externos de apoio à actividade .

Depois do falecimento do familiar, muitos ex-cuidadores não conseguem reinserir-se socialmente e ficam a tomar ansiolíticos e antidepressivos. O cuidador, quando já tem uma certa idade e a saúde fragilizada, corre o risco de falecer antes do familiar incapacitado ao seu cuidado devido à sobrecarga física e emocional.

Frequentemente os cuidadores e ex-cuidadores têm sintomas de stresse pós-traumático, como pensamentos intrusivos (pensamentos negativos), ansiedade incapacitante e hipervigilância (estado constante de angústia e aflição).

Com o acompanhamento de um psicólogo ou psicoterapeuta, é possível melhorar os sintomas apesar de a sensação de perda poder nunca desaparecer completamente. O sucesso da psicoterapia depende da destruição da origem do sofrimento psicológico o que significa enfrentar a sua causa.



A fonte https://newoldage.blogs.nytimes.com/2013/02/22/for-traumatized-caregivers-therapy-helps/?src=recg  (New York Times), conta a situação real de uma mulher que foi cuidadora do seu pai até ao dia em que ele deu entrada num hospital devido a um problema de saúde pouco relevante.

Nessa noite, inesperadamente, ele teve um ataque cardíaco por volta das 3 horas da manhã e faleceu só. A filha foi avisada a essa hora pelo hospital por telefone, e a partir dessa altura passou a acordar todas as noites pelas 3 horas da manhã (hora da morte do pai) com ataques de pânico.

A filha e ex-cuidadora ficou com sentimentos de culpa pelo seu pai ter falecido sem a sua companhia, e precisou de acompanhamento psicológico para conseguir fazer o luto e se equilibrar emocionalmente.


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Todos temos a responsabilidade de acompanhar os nossos seniores, cuidar deles e oferecer-lhes uma parte do muito que eles já nos transmitiram e ainda podem transmitir-nos.

Quando chega o período de férias, muitas famílias procuram uma residência temporária para os seus familiares séniores, sobretudo quando eles não têm capacidade para realizar a viagem com a restante família. Por vezes a solução é dividir a responsabilidade entre os restantes filhos.

Em Espanha, cerca de 0,6% das pessoas idosas dependentes mudam de casa frequentemente e 2,8% mudam do domicílio de um filho para a residência de outro filho pelo menos uma vez por ano, e isso acontece especialmente nas férias.

Para o presidente da Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia, Dr. Jose Antonio Lopez Trigo, mudar de casa continuamente impede a integração do idoso na família, no ambiente, nas actividades comunitárias e dificulta o desenvolvimento de relações pessoais.

As famílias são compostas por pessoas diferentes, com dinâmicas distintas, e a adaptação constante a ambientes e horários pode levar a conflitos familiares, desorientação, perda de autonomia e baixa participação na tomada de decisões que resulta no esvaziar do papel do sénior.

O avô que tem de se adaptar a uma nova casa, um novo bairro, um novo centro de saúde e, por vezes, uma nova cidade, terá mais dificuldade em criar uma rede de relações sociais mais ampla do que a da sua família.

Além disso, a alteração de endereço significa mudança de médicos e outros profissionais de saúde que acompanham o sénior, o que dificulta a monitorização da sua saúde.

Apesar de actualmente ser relativamente simples o acesso à história clínica do paciente devido á internet, mudar de médico pode provocar ansiedade, depressão e diminuição do nível de satisfação com a vida.

A falta de comunicação e coordenação entre os profissionais de saúde, pode impedir a detecção precoce de sinais de dependência ou síndromes geriátricos e, portanto, atrasar a tomada de acções preventivas para evitar a dependência.

Caso aconteça uma mudança de residência familiar, é recomendável que o sénior leve consigo informação sobre:

·        Diagnósticos e tratamentos em vigor;

·       Periodicidade de reavaliação de exames;

·        Possíveis alergias ou intolerâncias.

Algumas sugestões do presidente da Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia para atenuar as consequências negativas das mudanças de casa:

·       Disponibilizar espaço e um lugar específico dentro da família;

·       Garantir a privacidade necessária;

·        Criar condições para que o sénior mantenha as suas rotinas e estimular a sua independência e autonomia;

·       Prolongar ao máximo a sua estadia em cada domicílio e distanciar no tempo as mudanças de habitação.

·       Manter uma boa comunicação entre toda a família que abriga o sénior.

 

Fonte: https://www.segg.es/info_prensa.asp?pag=1&cod=485

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