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COMO É QUE O CUIDADOR DEVE LIDAR COM O SENTIMENTO DE CULPA ?

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Devido à dureza da atividade, carga elevada de stress, expectativas irrealistas, equívocos, pensamentos negativos, e a emoções  negativas, é comum os cuidadores terem sentimentos de culpa. A consequência é o aumento de stress e a diminuição de energia necessária para a atividade de cuidar. 

Vamos referir cinco situações indutoras do sentimento de culpa, com sugestões de estratégias para lidar com esse sentimento:

1)    “O meu desempenho podia ser melhor”

As expectativas irrealistas relativamente ao desempenho prático, à forma de lidar com o stress, ao relacionamento com a família e à obtenção de recursos, podem originar sentimentos de culpa.

O cuidador deve ter expectativas realistas, ter a noção que não pode fazer tudo sozinho e que, como ser humano que é, a sua atividade não é “perfeita”. A sua atividade para ser bem-sucedida deve ter metas alcançáveis, contar com ajuda, e incluir tempo para o autocuidado.

2)    “Tratei mal o meu pai/mãe antes do diagnóstico de demência”

Antes de ter sido diagnosticada a demência ao familiar, o cuidador pode ter passado pouco tempo com ele, não ter tido a noção que determinados comportamentos eram sinais da doença, ou ter reagido com irritação ou crítica aos sintomas.

Podem surgir pensamentos como "eu deveria ter sido capaz de ...", mas ninguém sabe o que o futuro reserva. Se não souber o que é a demência, ou se não conhecer os sintomas da doença, é natural que a pessoa não esteja em condições de saber a causa de determinados comportamentos.

3)    “Tenho pensamentos e sentimentos negativos sobre o meu familiar”

Mesmo que o cuidador se preocupe, pode acontecer por vezes “não gostar” do seu familiar, sentir que está a cuidar por obrigação, e querer sair pela porta de casa e nunca mais voltar. É normal que estes pensamentos e sentimentos ocorram em algum momento. O cuidador deve lembrar-se que isso é normal e não deve sentir vergonha ou culpa. É importante não tentar controlar ou suprimir esses pensamentos, ter consciência deles, conversar sobre eles com alguém de confiança, ou escrevê-los num diário. O cuidador deve lembrar-se que está a fazer um ótimo trabalho. 

4)    “Fico com raiva ou irritado e às vezes perco a paciência”

Cuidar pode ser frustrante e desgastante. Qualquer cuidador está sujeito a perder a paciência em algum momento, e depois de se acalmar pode surgir o sentimento de culpa. É natural que quando se está no limite das capacidades e os sintomas de demência aumentam o cuidador possa ter momentos de descontrole e irritação. Com o avançar da doença, a execução de tarefas essenciais como apoiar na alimentação ou no banho podem ficar cada vez mais difíceis.

O cuidador deve ter consciência dos sinais que indicam que está no limite e prestes a irritar-se para se afastar antes que isso aconteça. Uma vez longe do familiar, deve colocar em prática estratégias para gerir o stress (ler artigo em anexo). Deve verificar se existem situações ou momentos do dia em que aumenta a probabilidade de ocorrerem momentos frustração.

Se por exemplo a hora do jantar for um momento especialmente difícil, deve ser reservado algum tempo para aliviar o stress. Pode ser utilizada a musicoterapia, a aromaterapia, ou a meditação durante breves momentos enquanto o familiar está a ser acompanhado por alguém ou se encontra envolvido numa atividade.

5)    “Não devia querer ter algum tempo para mim, mas quero”

O cuidador pode sentir culpa por querer sair e ter tempo para si mesmo, ou pensar que como o seu familiar não pode aproveitar a vida, ele também não deve. No entanto é essencial recarregar regularmente energias, e isso pode acontecer através da prática de exercício, convívio com amigos, um hobby, ver um filme ou apenas relaxar e não fazer nada.

Cuidar de si mesmo através de pausas regulares não é motivo para se sentir culpado, permite manter o cuidado a longo prazo e mantém o cuidador saudável. Quando uma pessoa se sente revigorada e positiva a sua capacidade de cuidar melhora.



Fontes:

https://dailycaring.com/5-tips-for-dealing-with-caregiver-guilt-in-dementia-care/ 

Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia.



Artigo sobre como é que o cuidador se deve cuidar neste link https://www.cuidador.pt/blogue/199-como-e-que-o-cuidador-se-deve-cuidar

Artigo sobre a organização do dia a dia do cuidador neste link  https://www.cuidador.pt/blogue/244-a-organizacao-do-dia-a-dia-do-cuidador

Artigo sobre as necessidades do cuidador neste link https://www.cuidador.pt/blogue/128-as-necessidades-do-cuidador-nao-devem-ser-negligenciadas

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