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Como comunicar com um familiar com demência

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As pessoas com demência devem ser incluídas nas conversas, mesmo que já não possam falar ou não nos reconheçam. Elas não conseguem exprimir-se verbalmente mas sentem até ao fim da vida. A família nunca deve deixar de comunicar com elas e envolvê-las nas conversas domésticas, mesmo que já não consigam falar ou não reconheçam os familiares.

Como se deve comunicar com a pessoa doente?

Segundo a Eulàlia Cucurella, Presidente da Fundación Alzhéimer Catalunya, isso depende da fase da doença, mas, de modo geral deve-se utilizar a comunicação não verbal. A comunicação deve incluir o afeto e a empatia no tom de voz, na maneira como se olha, nos gestos ou no toque. Não se deve infantilizar nem usar diminutivos fora do contexto.

Deve-se tratar o paciente como uma criança?

Um paciente nunca deve ser tratado como uma criança porque é um adulto geralmente mais velho do que o cuidador. Mas é preciso simplificar a mensagem, e não se devem dar indicações complexas numa frase. É preciso dividir a informação a transmitir e ir por etapas. Exemplo: não se deve dizer “vamos sair e está muito frio na rua e por isso é melhor agasalhares-te com um casaco”. Esta mensagem pode ser divida por exemplo em três etapas: “vamos sair”, depois “está frio lá fora” e finalmente “veste o casaco”.

O cuidador também deve acompanhar a comunicação verbal com gestos. Se por exemplo disser "vamos comer", deve fazer o gesto típico para o ajudar a entender.

Quando a doença está numa fase avançada, como deve agir o cuidador?

É necessário comunicar com a pessoa, procurar os seus olhos e dar-lhe importância. Mesmo que ela não possa responder ou reconhecer as pessoas, não se deve abandoná-la ao esquecimento. Durante as conversas de família o familiar doente deve sentir-se incluído, porque apesar de não ter capacidade de expressar o que sente, ele sente emoções até o fim.

Quais são os erros os que os cuidadores cometem?

Podem referir-se dois erros principais: tratar a pessoa adulta ou como uma criança, ou como um “móvel”. A comparação com um "móvel" constata-se sempre que se  ignora a sua presença. 

Quando uma pessoa tem demência, surgem mudanças patológicas no cérebro que provocam o declínio na capacidade de dar sentido ao que se ouve, e na possibilidade em manter uma conversa. A doença de Alzheimer em particular afeta a capacidade do cérebro processar e recuperar informação, o que dificulta o entendimento e a resposta numa conversa normal. Por esse motivo o cuidador deve utilizar frases curtas e diretas, de forma a simplificar a mensagem e facilitar a compreensão por parte da pessoa doente. As frases curtas e diretas com apenas uma ideia, são mais fáceis de entender, enquanto pelo contrário a utilização de formas de expressão longas ou complexas exigem capacidades de processamento de informação cognitiva que o familiar doente já não possui. Esta técnica de comunicação deve incluir um tom de voz afável e positivo por parte do cuidador.

É preciso no entanto ter presente que os sintomas e os sinais das diferentes formas de demência (Alzheimer, Vascular, Frontotemporal, corpos de Corpos de Lewy, ...) vão-se assemelhando à medida que o cérebro é afetado.  



Quatro exemplos de comunicação com a utilização de poucas palavras que devem ser sempre acompanhadas por um tom de voz afável:

·       Exemplo nº 1

Está na hora de o familiar doente ir à casa de banho, independentemente do motivo.

O cuidador deve dizer: "vamos à casa de banho."

O cuidador NÃO deve dizer: "já passou uma hora desde a última vez que foste à casa de banho, e por isso está na altura de ir outra vez. Pode ser? Queres ir agora?"

·       Exemplo nº 2

Está na hora de o paciente almoçar.

O cuidador deve dizer: "mmmm, é hora de comer esparguete!... (pausa)... vamos para a mesa."

O cuidador NÃO deve dizer: "estás com fome? É hora do almoço e pensei que gostasses de comer um dos teus pratos favoritos - espaguete. Vamos para a mesa para comeres a refeição. Depois do almoço, vamos sair para dar uma caminhada para tomares um pouco de ar fresco. Qual é a tua opinião?"

·       Exemplo nº3

O cuidador tem que levar o familiar doente a uma consulta medica.

O cuidador deve dizer: "é hora de sair... (pausa)... veste o teu casaco... (pausa)... vamos entrar no carro."

O cuidador NÃO deve dizer: "vamos ver o Dr. António hoje. Ele vai analisar se os novos medicamentos estão a resultar. Lembras-te que tivemos que remarcar a consulta no mês passado? Está um pouco frio hoje e por isso é melhor vestires o teu casaco antes de irmos para o carro."

·       Exemplo nº 4

 Um familiar ou amigo veio visitar o familiar doente.

O cuidador deve dizer: "é o teu irmão João, (pausa)... ele veio dizer olá!"

O cuidador NÃO deve dizer: "olha, tens aqui uma visita! Sabes quem é? O João esteve cá na semana passada. Lembras-te da conversa que tiveram?"

Todas as pessoas são diferentes, e as várias formas de demência também têm estágios com características diferentes. O cuidador deve tentar descobrir experimentalmente o que é que funciona melhor com o seu familiar doente. Essa descoberta pode demorar algum tempo a acontecer, e por essa razão o cuidador deve ser paciente. É preciso prática para se comunicar eficazmente com uma pessoa que tem demência.


Fontes:

http://dailycaring.com/how-to-talk-to-someone-with-alzheimers-use-short-direct-sentences/

http://www.laopiniondezamora.es/sociedad/2015/02/20/enfermos-alzheimer-sienten-final-expresarlo/823807.html

Cruz Roja


Artigo “como comunicar com um familiar com demência moderada a grave” aqui neste link https://www.cuidador.pt/blogue/145-comunicar-com-alguem-com-demencia-moderada-a-grave

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