A hora da refeição tanto pode ser um momento de prazer para muitas pessoas, como de suplicio para aquelas que sofrem de disfagia (dificuldade em engolir).
O “simples” ato de engolir envolve a atividade do cérebro, de nervos, e de cerca de 30 músculos da face, da boca e da garganta.
A deglutição é composta por duas fases, uma voluntária e outra involuntária.
Na primeira (fase voluntaria), a pessoa decide quando é que quer levar a comida à boca, mastigar e engolir.
Na segunda (fase que não depende da vontade), os nervos enviam uma mensagem para o cérebro para que este órgão ative os músculos necessários de modo a possibilitar que a comida passe pela faringe, esófago e chegue ao estômago.
Além de ter sérias repercussões para a saúde, a disfagia também afeta a qualidade de vida. A dificuldade em engolir pode ser causa de desnutrição e de desidratação, porque a pessoa deixa de comer e beber de forma suficiente. Outra possível consequência da disfagia é a infeção respiratória provocada pela passagem de comida para os pulmões.

Sugestões para facilitar a ingestão de comida em situação disfagia
· Pessoa desperta
Antes de começar a refeição, o cuidador deve assegurar-se que a pessoa está bem desperta e tranquila para evitar que se engasgue.
Também é recomendável que não existam distrações no espaço da refeição (como a televisão ligada). O único foco deve ser o momento da refeição. Caso seja possível, a pessoa dependente deve ser estimulada a comer sozinha, mas sempre supervisionada pelo cuidador.
· Postura correta
A postura é de importância vital tanto para a pessoa que não consegue engolir bem, como para quem é responsável por lhe servir a comida.
Caso a pessoa com disfagia possa estar sentada durante a refeição, as suas costas devem estar direitas e a sua cabeça levemente inclinada para a frente.
Na eventualidade de a pessoa estar encamada, as costas devem esta direitas e a cabeça inclinada para a frente.
O cuidador pode utilizar travesseiros ou toalhas enroladas para segurar a cabeça da pessoa, para que ela não balance. Desta forma, o familiar fica mais confortável e é capaz de engolir mais facilmente.
No momento da ingestão da comida, o queixo deve estar o mais inclinado possível sobre o peito, para proteger as vias expiratórias (evitando-se que a comida chegue aos pulmões).
O cuidador deve estar sentado à altura ou por baixo dos olhos da pessoa dependente para evitar que ela se asfixie ao levantar a cabeça para comer.

Fotografia tirada do site super cuidadores
· Sem pressa e sem pausas
A paciência é uma virtude, mas para dar de comer a uma pessoa nesta situação é preciso aplica-la completamente.
O cuidador quando serve uma refeição a uma pessoa com disfagia deve dar tempo (porque a pessoa precisa) sem, no entanto, utilizar mais de 30 minutos para que ela não se sinta cansada.
As refeições devem estar programadas para horários em que a pessoa dependente esteja mais descansada, porque a fadiga muscular e o cansaço aumentam o risco de aspiração de comida e de consequentemente de infeções pulmonares.
É aconselhável que se utilize uma colher, se possível pequena, porque é mais fácil engolir uma quantidade pequena de comida. Antes de dar a próxima colherada, é necessário verificar se ainda existe comida na boca.
Embora o senso comum diga que a utilização de seringas possa facilitar a ingestão, elas NUNCA devem ser usadas. O seu uso acarreta um risco elevado de a pessoa se engasgar e de ter complicações respiratórias.
Além disso, o uso da colher estimula o ato reflexo de deglutir, devido à pequena pressão que é exercida na base da língua ao introduzir o talher na boca.
· Alimentos adequados
Uma pessoa que sofre de disfagia não pode comer alimentos sólidos, secos, pegajosos ou que libertem líquidos quando são mastigados (como certas frutas). As refeições devem – por essa razão – ser preparadas corretamente, sem, no entanto, se esquecer que a dieta deve ser rica e variada.
Um grande aliado da dieta saudável são os pratos muito nutritivos. É melhor fazer várias refeições por dia do que tentar alimentar o familiar com uma única refeição banquete.
A comida deve ter uma textura suave e uniforme. Os alimentos devem ter uma consistência macia e homogénea (como purés) porque a pessoa se cansa menos ao comer.
Alimentos líquidos podem causar ataques de tosse. Para evitar esse risco, o cuidador deve misturar nutrientes líquidos com sólidos, de modo a formar uma pasta homogénea. Um exemplo é misturar biscoitos com leite.
A pessoa paciente pode beber qualquer tipo de líquido, desde que a sua textura seja adequada através da utilização de espessantes, como a gelatina de água. É aconselhável usar um produto de farmácia para engrossar, uma vez que a gelatina que é comprada no supermercado liquidifica em contato com a saliva.
· No final da refeição
Terminada a hora da refeição, é altamente recomendável que a pessoa dependente permaneça entre 30 e 60 minutos na mesma posição e escove os dentes.
Com essas duas medidas, evita-se a aspiração da comida para os pulmões. Se a pessoa se deitar na cama imediatamente após a refeição, pode acontecer o refluxo (regresso da comida em direção à boca).
A importância deste risco é que, se a pessoa se engasgar e se o cuidador não estiver presente naquele momento, pode morrer por asfixia. E se a comida chegar ás vias respiratórias, pode provocar uma infeção pulmonar. Além disso, se a pessoa for dormir, a cabeceira da cama deve estar levantada em pelo menos 45 graus.
Fonte:
Artigo “A Disfagia e o Cuidado Informal” neste lnk https://www.cuidador.pt/blogue/220-a-disfagia-e-o-cuidado-informal