As mulheres morrem mais do que os homens devido a doenças cardiovasculares porque têm sintomas diferentes e desconhecem esse facto. Quando elas têm um enfarte, normalmente demoram mais tempo a ligar para o serviço de emergência porque muitas vezes pensam em conjunto com a família que não estão a ter um ataque cardíaco. Segundo o presidente da Fundação Espanhola do Coração, uma das razões por que as mulheres morrem mais que os homens é porque se reage demasiado tarde.
Quando se fala de enfarte agudo do miocárdio vulgarmente denominado ataque cardíaco, o imaginário popular identifica imediatamente uma dor intensa no peito que se estende para o braço esquerdo.
E de fato, esses são alguns dos sintomas ... nos homens. As mulheres podem ter sintomas diferentes.
Os sintomas do ataque cardíaco tipicamente masculino não coincidem com os da mulher e, portanto, devido á desvalorização dos sinais, elas correm o risco de não são serem socorridas a tempo, e a deteção precoce influencia taxa de mortalidade.
Essa diferença aliada aos hábitos de vida cada vez menos saudáveis, stresse, tabagismo e ignorância sobre o perigo desses sintomas, transformaram a mulher em maior vítima da angina.
O subdiagnóstico do infarte feminino é um dos exemplos mais óbvios das consequências do androcentrismo (as experiências masculinas são consideradas como experiências válidas para todos os seres humanos) na cultura ocidental desde o início da história da medicina.
Até recentemente, os testes dos medicamentos têm sido realizados em homens e são considerados posteriormente como experiências também válidas para as mulheres .
A doença cardíaca isquémica ocorre quando o fluxo de sangue para o músculo cardíaco é reduzido devido a um bloqueio parcial ou completo das artérias do coração, e o tamanho das artérias das mulheres é um pouco menor do que as artérias homens.
O perfil da mulher que corre o risco de sofrer doenças cardiovasculares é o de uma pessoa com mais de 65 anos, com uma circunferência da cintura acima de 88 centímetros - ou seja, um certo risco de obesidade - com colesterol acima de 280 mg/dl, pressão arterial superior a 160 mmHg, fumadora, sedentária, com altos níveis de stresse, e dieta irregular com elevado teor de gordura.
A presença de colesterol alto, diabetes, hipertensão arterial, e a predisposição genética ou a história familiar também influencia no aumento do risco. Quem tem dois ou mais fatores de risco deve procurar ajuda médica no sentido da prevenção.
A doença cardíaca isquémica é a principal causa de morte cardiovascular em ambos os sexos, embora surja em idades mais avançadas nas mulheres relativamente aos homens. No Ocidente, a doença cardiovascular mata mais mulheres do o que temido o cancro da mama.
Quando surge uma dúvida, por pequena que seja, e se os sintomas ultrapassarem 10 minutos, deve-se ligar de imediato para 112. Não importa se é um alarme falso porque é preferível um falso alarme a uma morte.

SINTOMAS DE ENFARTE NA MULHER
Noventa e cinco por cento (95%) das mortes femininas por ataque cardíaco poderiam ter sido evitadas se tivessem sido tratadas no tempo. Estes são os sintomas habituais nas mulheres de acordo com a Fundação Espanhola do Coração, e não se deve esperar que surja uma dor intensa ou que ocorram todos os sinais para se chamar o serviço de emergência.
Quanto mais cedo for diagnosticado o infarte, mais possibilidades tem uma mulher de sobreviver.
1. Pressão no peito e falta de ar em repouso. O problema é que essa sensação de picada ou dor no peito pode ser confundida com um ataque de ansiedade. O enfarte cardíaco nem sempre é acompanhado por falta de ar, e a dor pode durar vários minutos, aparecer e desaparecer.
2. Dor no braço, nas costas, no pescoço, na nuca, no maxilar ou no estômago. A disparidade de pontos onde surge a dor faz com que não se associe em nenhum momento ao coração, mas são alertas enviados pelo corpo para se defender do colapso cardiovascular. A dor no pescoço ou nas costas é um sinal atípico no homem, mas comum na mulher.
3. Suor frio, náuseas ou tonturas. O sintoma de ataque cardíaco mais comum nas mulheres é o desconforto geral e a dor torácica, tal como acontece nos homens. Mas para o bem ou para o mal, é mais comum as mulheres terem outros sintomas como náuseas e vómitos que podem ser confundidos com uma paragem de digestão.
Fonte : https://elpais.com/elpais/2017/12/11/buenavida/1513009319_516500.html