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Benefícios da terapia de reminiscência

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Exemplo de terapia de reminiscência: o percorrer de um álbum fotográfico sem perguntas que coloquem pressão


 A terapia de reminiscência estimula a recuperação de memórias da história de vida, e a sua utilização em pessoas com demência é muito útil.

Os doentes com Alzheimer em particular, apesar de terem a memória de curto prazo (1*) afetada na fase inicial da doença, mantém durante algum tempo (anos) a capacidade de utilizar a memória de longo prazo (2*) e recordar vivências mais antigas.

Não é possível parar a progressão da demência (3*), mas a estimulação de sentimentos e emoções positivas através da partilha de memórias significativas, reduz a agitação a deambulação, e melhora o humor. Falar sobre memórias felizes do passado traz alegria e ajuda a lidar com o stress.

A utilização da terapia de reminiscência não exige que o familiar com demência se lembre de alguma coisa concreta do seu passado. Essa "exigência" poderia provocar stress caso ele não se recordasse do acontecimento. Perante, por exemplo, a pergunta “onde é que nasceste”, o familiar doente pode não se recordar e não saber responder, e por essa razão ficar ansioso. Mas se ele estiver a olhar para fotografias antigas, pode dizer espontaneamente “olha a minha casa. Minha mãe fazia o meu bolo favorito de chocolate todos os sábados. Ele era delicioso. "

O que fazer se a terapia de reminiscência trouxer memórias dolorosas

Nunca se sabe que tipo de memória poderá surgir durante a aplicação da terapia da reminiscência, e caso ocorra uma memória triste, isso por si só não é necessariamente mau. Ninguém melhor que o cuidador conhece o seu familiar. Caso ocorra uma memória negativa, ele terá que verificar se é melhor ouvir, apoiar com compreensão e fazer com que o seu familiar se sinta melhor a contar a sua história, ou se é mais sábio dirigir o tema para uma memória mais feliz, para que não fique emocionalmente triste ou angustiado.

Quatro exemplos de atividades relacionadas com a Terapia de Reminiscência

As diferentes formas de memórias localizam-se em diferentes partes do cérebro, e por essa razão é útil realizar atividades que estimulem sentidos diferentes. Este é o momento de o cuidador usar a imaginação e ser criativo.

1)    Ouvir a música favorita.

Ouvir as músicas preferidas estimula a memória através das emoções vividas em experiências passadas. É por essa razão que a musicoterapia é frequentemente recomendada para pessoas com demência mesmo em fase muito avançada.

2)    Utilizar fotografias ou lembranças.

A utilização de fotografias de família ou de amigos, e de lembranças de eventos importantes que aconteceram na vida, são outra excelente forma de estimular a memória de longo prazo.

Fotografias que relembrem passatempos ou atividades favoritas também são uma ferramenta da terapia de reminiscência. Podem ser utilizadas como terapia em pessoas que gostem de jardinagem ou agricultura revistas de jardinagem ou catálogos de plantas.

Se o familiar doente adorava cozinhar pode gostar de ver uma revista gourmet de ementas com belas fotos (4*) e a mesma situação deve valer para o desporto, artesanato, acontecimentos históricos, etc.

3)    Cheirar aromas familiares e saborear alimentos preferidos

O cheiro é uma forma poderosa de ter acesso a memórias. O cuidador pode utilizar especiarias ou criar frascos e cartões perfumados com cheiros favoritos do familiar doente. Agulhas de pinheiro fresco ou varetas perfumadas de pinho são alguns possíveis exemplos.

Outra maneira de evocar a memória é utilizar o paladar. O cuidador pode preparar aquele prato especial do familiar ou o lanche favorito e passarem um bom momento á mesa. Sempre que seja possível, o familiar doente deve participar na preparação do momento. Se a tarefa for excessivamente complexa, as várias fases podem ser divididas e simplificadas.

4)    Realizar atividades como pintura ou formas de artesanato

O tato também pode ser utilizado na estimulação da memória através de atividades familiares como o desenho, a pintura, trabalhos manuais, tricô, costura, ou outros trabalhos manuais.

Mesmo que o familiar doente não tenha capacidade de participar nesses hobbies, fazer coisas simples como tocar em pincéis, mexer em aguarelas, rabiscar com giz, apertar fios ou brincar com tecidos pode evocar memórias antigas fortes.

Outra maneira de fazer terapia de reminiscência através do toque ou tato, é mexer em objetos com significado emocional poderoso ou lembranças de acontecimentos significativos da vida.



Fontes:

http://dailycaring.com/4-ways-reminiscence-therapy-for-dementia-brings-joy-to-seniors/

Cuz Roja



(1*) Um exemplo de memória de curto prazo é a capacidade de decorar um número de telefone que vai ser utilizado uns momentos depois. Na doença de Alzheimer em particular, esta forma de memória é afetada logo na fase inicial da doença.

Noutras formas de demência, como por exemplo a Demência de Corpos Lewy, a memória de curto prazo só é afetada numa fase mais avançada da doença. Essas diferenças acontecem devido à diferença de zonas do cérebro afetadas.

(2*) A memória de longo prazo traduz-se nas recordações armazenadas ao longo do ciclo de vida.

(3*) A progressão das diversas formas de demência, em geral, são irreversíveis, e uma das exceções é a Pseudodemência.  A Pseudodemência é provocada pela depressão crónica, e uma vez tratada a depressão, os sinais e sintomas da demência em princípio podem desaparecer.

(4*) A fotografia é uma forma poderosa de estimulação e comunicação e o conceito “photovoice” é uma forma de intervenção.



Artigo TERAPIA OCUPACIONAL EM GERONTOLOGIA E GERIATRIA neste link: https://www.cuidador.pt/blogue/297-terapia-ocupacional-em-gerontologia-e-geriatria

Artigo COMO EVITAR A PERDA DE SAÚDE DO CUIDADOR E FAMILIAR neste link: https://www.cuidador.pt/blogue/156-como-evitar-a-perda-de-saude-no-cuidador-e-familiar

 

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