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3 sugestões para lidar com alterações de comportamento

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À medida que a demência progride surgem alterações de humor e os cuidadores são por vezes vítimas de agressões durante a ajuda nas actividades de vida diária como vestir ou dar banho ao familiar. Essas alterações de comportamento acontecem porque o familiar doente não tem capacidade cognitiva de interpretar o que se está a passar à sua volta e de dar um sentido racional à informação que recebe.

Nos momentos de tristeza, confusão, medo e agressividade é importante responder com calma e de forma eficaz.

3 exemplos de mudanças de comportamento comuns na demência. Como agir perante elas.

·      Primeira situação comum: discurso ou acções agressivas.

Exemplos: declarações como "eu não quero tomar banho!", "eu quero ir para casa!" ou "eu não quero comer!" podem levar a comportamentos agressivos.

Explicação: segundo a Associação Internacional de Alzheimer, a coisa mais importante a lembrar quando acontece um comportamento agressivo verbal ou físico, é que o familiar não está a ter essa atitude conflituosa intencionalmente.

A agressividade é geralmente desencadeada devido a alguma forma de desconforto, (muitas vezes física como dores), factores ambientais (como estar num ambiente estranho e agitado), má comunicação, incapacidade de comunicar ou puro medo.

O que o cuidador deve fazer: a primeira atitude é tentar detectar o que é que provocou a alteração de comportamento. O que é que fez a pessoa comportar-se de forma agressiva? Se conhecermos bem o paciente a resposta a esta pergunta torna-se mais fácil. A segunda coisa a fazer é mudar o foco da atenção do doente e falar com calma e tranquilidade. Se esta estratégia não resultar, pode ser melhor afastar-se e dar espaço.

O que o cuidador não deve fazer: a pior coisa que pode fazer é envolver-se numa discussão ou forçar uma situação. A palavra “não” nunca deve estar presente perante um comportamento agressivo do familiar doente.

·      Segunda situação comum: confusão temporal e espacial.

Exemplos: afirmações do familiar como "eu quero ir para casa!", "esta casa não é a minha ", "quando vamos embora?” ou "porque estamos aqui?"

Explicação: querer ir para casa estando já em casa é uma das reacções mais comuns de um paciente com demência e ela acontece devido aos danos progressivos cognitivos.

O que o cuidador deve fazer: segundo a Associação Internacional de Alzheimer uma maneira de lidar com esses momentos é utilizar explicações simples acompanhadas por fotografias e lembranças antigas (a memória de longo prazo demora mais tempo a ser afectada).

O que o cuidador não deve fazer: não deve dar longas explicações nem utilizar argumentos. Uma resposta longa provoca novas dúvidas e perguntas.

·      Terceira situação comum: capacidade de julgamento e de avaliação diminuída.

Exemplos: acusações infundadas ("roubaste-me a minha carteira!"), problemas com a gestão das finanças ("Não percebo a conta deste restaurante") ou repetições de frases e de tarefas.

Esses sintomas de demência são óbvios quando um membro da família é acusado de roubo, mas por vezes a detecção é mais difícil. É o que acontece quando por exemplo está em causa à gestão de finanças próprias.

Explicação: a evolução da doença afecta a capacidade de julgamento, de raciocínio e provoca delírios e alucinações.

O que o cuidador deve fazer: uma forma de diminuir o sentimento de frustração é ajudá-lo sem no entanto deixar de o estimular a manter-se tão autónomo quanto possível. Tenha os objectos que o paciente possa perder mais vezes em duplicado (ex.: a carteira, etc.). Deste modo pode substituí-los rapidamente.

O que o cuidador não deve fazer: o que não deve fazer é argumentar ou questionar a capacidade da pessoa doente em tratar da situação em causa. Acusar ou duvidar da sua capacidade em lidar com os seus assuntos pessoais vai colocá-la na defensiva e só pode resultar em conflito.

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