As pessoas que cuidam informalmente correm o risco de sofrer de pensamentos intrusivos, ansiedade incapacitante, hipervigilância e stress pós-traumático. A sobrecarga emocional, mental e física é particularmente pronunciada nos cônjuges das pessoas que precisam de cuidados porque muitos cuidadores informais estão na terceira idade. São seniores a cuidar de seniores sem apoio, recursos e condições devidas. Devido ao desgaste físico e mental, a maioria dos ex-cuidadores informais toma ansiolíticos e calcula-se que 10% têm dificuldade em se reintegrar na sociedade e acabam por cometer suicídio ou ser institucionalizados.
Esses sintomas surgem devido não só à pressão de cuidar, como também à interrupção crónica do sono e do padrão alimentar. Quando o cérebro humano está sempre em estado de vigília, surge a tendência de descurar a alimentação o que tem consequências na saúde física.
Ansiedade incapacitante
Define-se ansiedade como um “estado de perturbação psicológica provocado pela perceção de um perigo ou pela iminência de um acontecimento desagradável ou que se receia; opressão; angústia” (dicionários da Porto Editora). Segundo a mesma fonte, na área da medicina, o estado de ansiedade é “extensiva a diferentes perturbações psicológicas, frequentemente associadas a neuroses e outros distúrbios psíquicos, geralmente associadas a sintomas fisiológicos (taquicardia, dificuldades respiratórias, etc.) e/ou comportamentais (isolamento, fobias, etc.) e/ou emocionais (aflição, pânico, etc.)”
A ansiedade a nível baixo pode estimular a atenção, motivação e desempenho, mas quando é constante e com sofrimento intenso, a ansiedade entra em estado patológico e interfere na capacidade funcional da pessoa.
Hipervigilância
A hipervigilância caracteriza-se por um estado de elevada tensão prolongada no tempo. A pessoa que se encontra nessa situação tem aparentemente maior nível de consciência, está hipersensível e reage de forma rápida e enérgica a estímulos sensoriais. Como as nossas reservas de energia são limitadas, o estado de hipervigilância acaba por criar fadiga, passividade, irritação, hostilidade, e a longo prazo depressão. A pessoa que sofre de hipervigilância geralmente manifesta foco exagerado a um determinado estímulo, ignorando outros estímulos importantes ao redor (hiperprosexia). O nível de atenção é muito maior do que seria habitual e por regra concentra-se num estímulo ou detalhe do contexto que o rodeia.
Pensamentos intrusivos
Os pensamentos intrusivos são um transtorno de ansiedade caracterizado pela existência de pensamentos negativos repentinos, indesejáveis e persistentes, que podem desencadear quadros intensos de ansiedade, stress, desespero e medos. Eles surgem de forma inconsciente, são difíceis de controlar, e prejudicam a atenção e o bem-estar da pessoa. Os pensamentos intrusivos provocam a sensação de descontrole da própria mente, desconforto e perturbação emocional. A sua existência pode estar associada a uma experiência traumática ou a algum receio individual da pessoa. Tratam-se de pensamentos involuntários, desagradáveis e stressantes. A pessoa vítima de pensamentos intrusivos pode apresentar um quadro de perturbação psíquica. Pessoas com distúrbios como ansiedade, depressão e stress pós-traumático são mais vulneráveis a terem pensamentos intrusivos.
Perturbação de Stress Pós-Traumático
A Perturbação de Stress Pós-Traumático (PSPT) é uma perturbação mental que pode aparecer com a exposição a um acontecimento traumático. Esta condição tem maior possibilidade de surgir nas pessoas que vivenciam ou já vivenciaram traumas interpessoais. A PSPT caracteriza-se por pensamentos intrusivos, pesadelos ou flashbacks de um evento traumático passado, procura incessante de evitar estímulos, pessoas, situações ou atividades que despoletem memórias associadas ao evento traumático, estado de constante de alerta e insónias. existe uma maior probabilidade de a PSPT surgir em indivíduos com predisposição para ansiedade e depressão, e os sintomas podem levar meses ou anos a ocorrer. Resumidamente, esta perturbação causa um enorme sofrimento e problemas a nível pessoal, social e profissional. Quando a pessoa revive os pormenores da experiência traumática, o organismo responde com uma série de reações químicas. Alguns dos sintomas são alguns a palpitação, suores, aumento da pressão arterial, perda de apetite, dificuldade em respirar, problemas de concentração e sono. As respostas emocionais também são vincadas, a começar pela tristeza, pela raiva e pelo sentimento de culpa. A pessoa pode tornar-se agressiva e ter crises de medo ou pânico. Não são raros os casos em que, sem o devido tratamento, a perturbação do stress pós-traumático desencadeia um quadro de depressão e até ideações suicidas (https://hff.min-saude.pt/stress-pos-traumatico-lidar-com-a-perturbacao-depois-do-trauma/).