Há uns dias atrás assisti num salão de cabeleireira onde se encontrava a minha mãe a arranjar o cabelo a um desabafo de uma outra cliente.
Queixava-se a mulher de ter levado a sua mãe, doente de alzheimer, à cabeleireira durante a parte da manhã, e à tarde ela já não se lembrar do tratamento completo de beleza que lhe tinha sido carinhosamente oferecido umas horas antes.

Doía-lhe certamente que a sua mãe não tivesse memória do significado do gesto nem do quanto a sua filha gostava dela.
Ouvi atentamente e hesitei sobre se deveria ou não participar na conversa, mas como estava num ambiente feminino optei por ficar calado.
No entanto, deveria ter dito que o mais importante não era a sua mãe lembrar-se do tratamento completo de beleza.
O que realmente valeu e ficou, foi o prazer e o bem-estar que a sua mãe sentiu naquela manhã de salão de cabeleireira.