Alimentar uma pessoa com demência pode ser uma verdadeira dor de cabeça para o cuidador. A pessoa doente pode perder o apetite, recusar-se a comer ou, em situação oposta, esquecer-se que comeu recentemente.
A dieta desadequada pode levar à perda de peso e a outros problemas como o aumento da vulnerabilidade a infeções, diminuição da força muscular e fadiga.
Com o envelhecimento pode surgir – naturalmente – a diminuição da capacidade do organismo em sentir sede, e as pessoas com demência têm a agravante de poderem esquecer-se de beber água, ou não conseguirem comunicar que estão com sede. A desidratação pode provocar dores de cabeça, confusão, infeção do trato urinário e obstipação, situações que podem agravar os sintomas da demência.
A dieta saudável e equilibrada é importante para qualquer ser humano, mas na fase avançada da demência uma dieta de alto teor calórico pode ser apropriada. É, no entanto, aconselhável a consulta a um nutricionista devido à particularidade de cada situação. A dieta pode, por exemplo, evitar ou ajudar a curar as temíveis úlceras de pressão.

CAUSAS COMUNS
As causas comuns de desidratação e desnutrição são a falta de apetite, o comprometimento cognitivo, e a incapacidade física e sensorial (perda auditiva e da visão).
Entre as razões que podem levar à recusa em comer e beber incluem-se:
· Depressão: a perda de apetite pode ser um sinal de depressão e esta doença é comum em pessoas com demência. Existem tratamentos eficazes que incluem medicamentos e outras terapias não farmacológicas. Se o cuidador suspeitar que esta é a causa do problema, deve consultar um médico.
· Dificuldades de comunicação: a pessoa com demência pode ter dificuldade em comunicar – verbalmente - que não está com fome, ou que não gosta da comida que está a ser servida. Ela pode expressar-se através do comportamento, como por exemplo, comunicar que se recusa a comer ao ter comida na boca. O cuidador deve experimentar uma variedade maior de alimentos para tentar descobrir o que o seu familiar mais gosta.
· Dor: o familiar pode sentir dor durante a refeição devido a problemas com a dentadura, nas gengivas, ou nos dentes. O controle da higiene bucal é muito importante.
· Cansaço: o cansaço também pode ser causa de a pessoa com demência não comer ou deixar metade da comida no prato. O cansaço pode levar a outros problemas como a falta de concentração e a dificuldades de coordenação. É importante estar ciente disso e estimular a pessoa a comer quando está mais desperta. Uma estratégia é servir pequenas porções de comida regularmente em vez de seguir os horários tradicionais das refeições.
· Medicação: as alterações na medicação ou na dosagem podem levar a mudanças no apetite. Se acha que pode ser o caso, fale com o seu médico de família.
· Atividade Física: se a pessoa não estiver muito ativa durante o dia, pode não sentir fome. Incentive-a a ser ativa, o que é bom para o bem-estar e pode aumentar o apetite. Se a pessoa é muito ativa ou inquieta pode ser necessário ingerir calorias adicionais.
· Prisão de ventre: este problema é comum e pode fazer com que a pessoa se sinta inchada ou com náuseas. A consequência é a perda de apetite. Tente evitar a obstipação do seu familiar através do estímulo à hidratação, atividade física e oferta de alimentos ricos em fibra. Se a prisão de ventre se tornar um problema, fale com o seu médico de família.

Como estimular o apetite em pessoas com demência:
· Antes de mais é importante conhecer as preferências do nosso familiar em relação à comida e respeitar os seus hábitos.
· Faça comida com aspeto e odores atrativos. Varie os sabores, as cores e os cheiros. O aroma da comida pode estimular o apetite.
· Procure as melhores oportunidades para estimular a pessoa a comer. Se o familiar com demência estiver desperto durante parte da noite, servir um lanche noturno pode ser uma boa ideia.
· Como já referimos anteriormente, tente não encher o prato com muita comida; Porções pequenas e servidas regularmente geralmente funcionam melhor.
· Experimente diferentes tipos de alimentos, por exemplo, batidos e sumos.
· O paladar do nosso familiar pode mudar, e por essa razão experimente servir alimentos com sabores fortes ou adocicados.
· Se a pessoa tiver dificuldade em mastigar ou engolir, experimente servir primeiro alimentos com a textura naturalmente adequada como ovos mexidos ou maçã cozida. Só considere posteriormente a possibilidade de servir a comida em forma de puré.
· Se tiver que servir alimentos em forma de puré, consulte um nutricionista para se certificar de que a dieta é nutritiva e saborosa.
· Incentive a pessoa a ajudar a preparar a comida ou a arrumar a mesa.
· Um ambiente agradável e calmo, com um pouco de música suave, pode ajudar.
· Utilize o horário da refeição como uma oportunidade para a interação social e estimulação. Lembre-se de que, se o momento da refeição for associado a memórias negativas, é muito provável que aconteça uma rejeição à comida.
· É sempre melhor que se oriente para soluções que não provoquem stress. O bom senso e a criatividade são muitas vezes a nossa melhor arma.
Fontes:
alzheimeruniversal.eu
CRE Alzheimer