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Quem se lembra do ex-cuidador?

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Mais de 80 por cento dos cuidados a pessoas são assegurados por cuidadores informais que frequentemente caem em situações de esgotamento porque as exigências da atividade ultrapassam as capacidades e os recursos que possuem. O cuidador, quando já tem uma certa idade e a saúde fragilizada, corre o risco de falecer antes do familiar incapacitado devido à sobrecarga física e emocional.

Se a figura de quem cuida está na sombra e é esquecida, o ex-cuidador é absolutamente abandonado por todos. O ex-cuidador está normalmente numa situação desprotegida, esgotado física e mentalmente, não consegue reinserir-se socialmente e cerca de 10% dos ex-cuidadores acabam por ser institucionalizados ou cometem suicídio.

Depois do falecimento do familiar, muitos ex-cuidadores ficam dependentes de ansiolíticos e antidepressivos, desgastados emocionalmente e em situação de precaridade económica.

Assistir ao sofrimento de um familiar com o sentimento de impotência é doloroso. Muitos ex-cuidadores ficam com sintomas de stress pós-traumático (pensamentos intrusivos, ansiedade incapacitante e hiper-vigilância) e são perseguidos pela angústia durante muito tempo depois da morte do familiar.

O sentimento de culpa é outro fator incapacitante que pode perseguir o ex-cuidador. Se ele por exemplo tiver dificuldade em estar exposto à urina ou às fezes e tiver que ajudar a sua mulher demente na higiene ou na ida á casa de banho pode ficar com um sentimento de culpa e sentir que falhou por não ter feito o suficiente. É aconselhável em situações semelhantes a contratação dos serviços de outra pessoa para que sejam feitas as tarefas que o cuidador familiar não consegue realizar. Cuidar também pode provocar sentimentos opostos e conflituosos de devoção e aversão, e a conciliação desses sentimentos pode resultar em situações traumáticas (possível exemplo:  fazer a higiene íntima do familiar).

Uma das fontes em anexo deste artigo conta a situação verídica de uma mulher que era cuidadora dos seus pais idosos. Um dia o seu pai foi internado num hospital e morreu de um ataque cardíaco ao meio da noite. A partir dessa altura, todas as noites essa mulher acordava em pânico de um sonho em que um telefone tocava. Ela tinha ficado traumatizada porque o seu pai tinha morrido sozinho durante a noite. O sentimento de culpa era tão grande que a sua relação familiar e o seu trabalho ficaram afetados. A recuperação do luto traumático passou por enfrentar a causa do sofrimento em vez de o afastar. A primeira coisa feita foi identificar o acontecimento traumático e passar a mensagem que a ansiedade aguda era uma resposta compreensível. Era necessário fazer o luto do pai e expressar abertamente a sua tristeza. O processo de terapia passou pela reserva diária de algum tempo para pensar no pai, nos bons momentos que tiveram como uma família, e não somente no momento marcante do fim de vida. Com o acompanhamento de um psicólogo ou psicoterapeuta é possível melhorar os sintomas traumáticos apesar de a sensação de perda poder nunca desaparecer completamente.

Se for aproveitada a experiência de quem cuidou e se forem dadas condições ao ex-cuidador para se formar e qualificar, podem criar-se condições de emprego na área do cuidar e de reconstrução da vida.

 


Fontes:

https://newoldage.blogs.nytimes.com/2013/02/22/for-traumatized-caregivers-therapy-helps/?src=recg

http://gaceta.es/noticias/alzheimer-cuida-los-cuidan-20092014-1901

 

 

 

 

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