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Como é que se explica que um paciente com alzheimer não consiga lembrar-se do seu nome e cante uma música?

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Provavelmente já viu algum vídeo na internet sobre a relação entre a doença de alzheimer e a música como a que se encontra neste link  https://www.youtube.com/watch?v=ttozzTdFNsw6

Qual é a explicação para uma pessoa que não se recorda dos seus familiares, do seu nome, ou da organização das divisões da sua casa, consiga reconhecer e cantar uma música que ouvia com prazer há várias décadas atrás?

Como é possível que, apesar de ser incapaz de pronunciar uma frase, ainda se lembre das letras de algumas canções significativas do seu passado?

Por que razão é que a música é uma das poucas terapias utilizadas com algum sucesso para atrasar a evolução da doença de Alzheimer? A explicação é que na doença de Alzheimer a área do cérebro onde se encontra armazenada a memória musical é menos danificada relativamente às zonas onde se encontram outras formas de memórias.


 

Localização do hipocampo. Ilustração: Henry Vandyke Carter / Gray's Anatomy. Via Wikimedia Commons.


O hipocampo é um local no cérebro onde se situa a informação memorizada temporariamente e que é posteriormente transformada em memória de longo prazo.

Dois dos sinais da doença de Alzheimer são a existência de novelos neurofibrilares dentro dos neurónios, e a proteína beta amiloide entre estas células a impedir a comunicação entre elas, provocando a morte neuronal.

A zona do hipocampo é afetada por esta proteína logo no início da doença, o que significa que a pessoa fica impossibilitada de memorizar coisas novas porque as novas experiências não são armazenadas na memória de curto prazo. A memória de longo prazo só é afetada com o evoluir da demência.

Quando o hipocampo é afetado a pessoa deixa de ter capacidade de armazenar memórias novas, sendo essa a explicação de por exemplo ela repetir vezes consecutivas a mesma frase.

As memórias que perduram na demência estão ligadas a experiências emocionais intensas, e por essa razão a música pode ser uma porta de entrada para a estimulação da memória.

Na musicoterapia, se o paciente estiver numa fase inicial da doença, para evocar as suas recordações devem ser tocados temas que o marcaram o seu passado. Quando o paciente já não pode transmitir os seus gostos musicais, o cuidador deve testar músicas que podiam ter sido ouvidas na adolescência da pessoa doente.

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