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O cuidado informal e o domicílio

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 Quando um familiar começa a perder a independência viver em casa vai-se transformando num desafio porque o ambiente influencia não só a segurança como também o comportamento e o bem-estar.

As condições de habitabilidade e o método de cuidar devem ser objeto de avaliação constante uma vez que não existe um calendário que nos informe sobre a velocidade e a forma da perda de independência e autonomia. As necessidades de ajuda vão mudar ao longo do tempo e por esse motivo o cuidador deve ter uma perspetiva flexível através de três questões:

·       Existem situações que devem ser eliminadas ou alteradas porque podem provocar acidentes?

·       Que alterações é que devem ser feitas para estimular a autonomia e garantir a segurança?

·       Por onde começar?

Numa segunda fase o cuidador deve desenhar um plano de ação da seguinte forma:

·       Avaliar a casa: observe a casa considerando o familiar que precisa de apoio. Que objetos podem causar acidentes? Que áreas significam um perigo potencial? Tenha especial atenção á cozinha, ao quarto de banho, á garagem e a divisões pouco frequentadas como por exemplo a cave ou o sótão.

·       Mantenha o foco na adaptação e não no ensino: em vez de tentar ensinar maneiras de manter a segurança ao familiar, deve identificar potenciais riscos e tomar decisões preventivas.

·       Simplifique as atividades: a maioria dos acidentes nos cuidados pessoais ocorre quando há pressa. O cuidador deve simplificar, dividir as tarefas e permitir que o familiar tenha tempo para as concluir. Sempre que necessário deve oferecer ajuda adicional nas tarefas particularmente difíceis.

·       Apoie as necessidades individuais: evite criar uma casa com regras proibicionistas. O ambiente domiciliário deve promover a autonomia, a interação social e as atividades significativas para a pessoa doente.

·       Seja realista: é impossível prever tudo e evitar todos os problemas.

 



 Situação de cuidados a pessoa com demência

Quando a razão da perda de independência ou autonomia é a demência, é importante que o cuidador conheça as fases da doença para conseguir realizar as adaptações em casa e saber lidar com os desafios que irão surgir.

O ambiente que rodeia uma pessoa com Alzheimer influencia os sintomas da sua doença. À medida que a doença progride o paciente deixa de reconhecer nomes, lugares e pessoas, o que pode levar à desorientação, stress, ansiedade, alterações de comportamento e isolamento. Para se diminuir a possibilidade de alterações de comportamento devem ser estabelecidas rotinas nas atividades diárias e o espaço deve estar organizado e decorado adequadamente.  

As alterações cognitivas que afetam as pessoas com demência enquadram-se em cinco áreas chave:

·       Capacidade de julgamento. Exemplo:  ter falhas na utilização de aparelhos conhecidos ou eletrodomésticos.

·       Consciência temporal e espacial. Exemplo:  perder-se na própria rua, ser incapaz de reconhecer ou encontrar divisões em casa, ou perder a noção da estação do ano.

·       Comportamento. Exemplo:   ficar confuso ou com medo sem razão aparente.

·       Capacidade física. Exemplo:   surgir a dificuldade em manter o equilíbrio ou ficar dependente de um andador ou de uma cadeira de rodas para se movimentar.

·       Sentidos. Exemplo:   sofrer de alterações na visão, audição, sensibilidade à temperatura ou na perceção de profundidade.

Estes exemplos de alterações nas cinco áreas sublinham a importância de o cuidador ser flexível e saber acompanhar a evolução da perda de independência do seu familiar.

A alteração de comportamento pode ter como causas a dor, a presença de uma determinada pessoa, sombras provocadas pela iluminação, alucinações, presença de espelhos (a pessoa não se reconhecer), síndrome do pôr-do-sol, etc. Se a pessoa também receber do ambiente estímulos em excesso para a sua capacidade de processamento de informação (movimento, barulho, etc.) pode ficar mais agitada e ansiosa.



Sugestões para promover a segurança e o bem-estar e dentro de casa

·       Incorporar cores suaves (não estimulantes) e claras (sentido de profundidade) na decoração.

·       Manter sempre um telefone sempre perto.

·       Manter a temperatura ambiente adequada.

·       Manter próxima a rede social, porque a família e os amigos próximos podem ajudar a estimular as boas memórias de longo prazo ainda presentes e a boa disposição.

·       Colocar os utensílios e objetos de maior uso em locais mais acessíveis e ter sempre disponíveis refeições de preparação rápida.

·       Remover objetos das divisões que dificultem a passagem.

·       Remover, caso seja necessário, objetos decorativos desnecessários como por exemplo tapetes.

·       Contratar, caso seja necessário e possível, o serviço de um cuidador para ajudar a cozinhar e fazer compras.

·       Servir as refeições num ambiente calmo para minimizar distrações e estimular o diálogo.

·       Criar, caso seja possível, espaços distintos para as atividades (ex.: um espaço para pintura ou terapia musical, outro para receber visitas da família, etc.). O objetivo é estimular comportamentos específicos.

·       Ter uma decoração simples e com um mínimo de padrões. Colocar imagens á entrada das diferentes divisões para o familiar ter maior facilidade de orientação.

·       Estimular (tendo presente a capacidade) o familiar doente a dar ideias sobre a decoração.

·       Certificar a segurança das áreas externas da casa.


 Nota: Existe uma urbanização para pacientes com Alzheimer na Holanda, que se caracteriza pela vigilância e acompanhamento discreto dos pacientes, e o resultado é a diminuição da necessidade de medicamentos para controle de alterações de comportamento. Conheça essa aldeia aqui https://www.youtube.com/watch?v=ctcxjtEcAFQ


Baseado nas fontes:

http://www.qmayor.com/cuidadores/viviendas-adaptadas-para-un-entorno-que-convive-con-la-demencia/

http://www.alzheimers.net/2014-01-30/how-positive-environments-affect-patients/

 

 

 

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