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A negação pode ser um mecanismo de adaptação

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A negação é um mecanismo psicológico que dá tempo aos futuros cuidadores para se adaptarem a situações angustiantes que estão a surgir nas suas vidas. 

A negação em percepcionar o declínio de saúde de um familiar pode acontecer quando surgem os primeiros sintomas de doença ou incapacidade, e resulta inicialmente numa sensação de conforto e posteriormente em irritação, frustração e stresse.

Pedir a um futuro cuidador para mudar a forma como vê um  familiar seu que começa a precisar de algum apoio para realizar as suas actividades de vida diária, pode significar uma ameaça à sua estabilidade e á  organização do seu mundo.

É mais confortável percepcionar que tudo está bem e nada está a mudar.

A negação tanto pode ser uma forma subconsciente de ignorar que o familiar está com a saúde em declínio  e a precisar de algum apoio, como pode ser uma maneira de evitar assumir a responsabilidade de ser cuidador.

A incompreensão ou o desconhecimento da situação de perda de saúde de um familiar por parte dos restantes membros da família também pode ser uma factor de negação.

Por essa razão é importante compreender e percepcionar o mais cedo posível a condição do doente, os sintomas típicos e o tipo de cuidados que vai precisar.

Deste modo podem ser tomadas medidas que atrasem a diminuição da autonomia ou independência, ou mesmo em alguns casos, que se inverta a perda funcional. 

 

 

Um filho que por exemplo não faça ideia de que uma determinada forma demência tem consequencias  que vão além da perda de memória, como por exemplo ter momentos de confusão espacial, pode levá-lo a apoiar o familiar quando ele diz que ainda é capaz de conduzir o seu carro em vez argumentar adequadamente ou montar estratégias que o levem a parar de conduzir.

Sempre que aconteçam alterações comportamentais (irritabilidade,...) ou cognitivas (apraxia, agnosia, amnesia e afasia) sem explicação e que saiam do quadro do envelhecimento primário ou normal, a família e o familiar devem procurar saber se existe alguma causa neurodegenerativa patológica.

Desta maneira a família prepara-se e informa-se sobre a função de cuidador, e o familiar doente pode tomar decisões atempadamente sobre a sua vida futura.

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