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A dor na demência

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“A dor provoca distúrbios comportamentais em pessoas com demência, o que leva ao aumento da dose de tranquilizantes porque elas se tornam ansiosas, agitadas ou agressivas, quando na verdade o que precisam não são sedativos, mas analgésicos.” (Dr. Enrique Arriola, responsável pela Unidade de Memória Matia Fundazioa, San Sebastian, e coordenador das Demências da Sociedade Espanhola de Geriatria e Gerontologia)

A demência é uma doença progressiva caracterizada por déficits cognitivos graves acompanhados de perda de habilidades de comunicação e capacidades de realizar atividades da vida diária. As pessoas que sofrem de demência em estágio avançado se sentirem dor/desconforto não a conseguem verbalizar, mas expressam-na através de certos comportamentos como movimentos físicos, vocalizações, e reações de inquietude como gritos de lamento.

Estas alterações de comportamento são de difícil interpretação e por essa razão em 2002, a American Geriatrics Society, organizou um quadro de indicadores comportamentais que podem indiciar dor persistente. O resultado foi a criação de várias escalas de observação para pessoas que sofrem de demência em estágio mais avançado, e a escolha da ferramenta de observação deve considerar o contexto clínico ou tipo de dor a ser avaliada.

Enquanto as escalas de observação de dores agudas devem ser de conclusão rápida e fáceis de usar, as escalas de observação de dores crónicas (dores prolongadas no tempo) devem ser multidimensionais por ser necessário avaliar uma lista mais completa de comportamentos associados à dor menos intensa, como mudanças na realização de atividades e interação social.

Atualmente existem na literatura científica 28 ferramentas de observação de alterações provocadas pela dor, e as escalas com melhores propriedades de medição são a PACSLAC para área domiciliária (dor crónica), e a PAINAD para hospitais (dor aguda).

Qualquer ferramenta de observação de dor deve incluir a interpretação da pontuação da escala de observação escolhida, e a verificação dos resultados dos tratamentos posteriores. Estes protocolos estão baseados no quadro conceptual “a hierarquia da avaliação da dor de McCaffery e Pasero” e são uma ferramenta que facilita a tomada de decisões para reduzir a dor e diminuir do uso de intervenções farmacológicas no seu alívio.



Como detetar a dor em pessoas com demência?

Irritabilidade, confusão, medo, choro, expressão facial alterada, suspiros, gemidos, gritos, mudanças inexplicáveis de comportamento e falta de apetite são alguns sinais de uma pessoa com demência poder estar a sentir dor. As pessoas que estão num estágio avançado da doença, perdem capacidade de verbalizar o desconforto pelo que é difícil detetar a causa do comportamento alterado.

Explica o Dr. Enrique Arriola, que a "dor provoca distúrbios comportamentais nestes pacientes e naquelas condições, a dose de tranquilizantes é aumentada porque eles se tornam ansiosos, agitados ou agressivos, quando na verdade o que precisam não são sedativos, mas analgésicos. "

Para detetar a dor, Matia Fundazioa desenvolveu a escala PAINAD para avaliar a dor na demência avançada. As causas mais comuns da dor em pessoas mais velhas, são geralmente de carácter locomotor, como a osteoartrite do joelho, quadril ou lombar; mas também doenças como a diabetes, podem causar dor neuropática, uma das mais difíceis de tratar. Escaras ou retenção de fezes comuns em pacientes com baixa mobilidade são outras fontes de dor.

Fontes:

http://www.abc.es/sociedad/abci-como-detectar-dolor-personas-alzheimer-201609201938_noticia.html

https://blogcrea.imserso.es/protocolos-de-gestion-del-dolor-en-demencia-avanzada/

 

 

 

 

 

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