Sete preconceitos ou mitos sobre o envelhecimento

 

 

"A cultura ocidental está cheia de mitos e estereótipos sobre os mais velhos. A ênfase colocada frequentemente na chamada de atenção para o facto de as pessoas de idade avançada terem um aumento de morbilidade, grandes incapacidades fragilidade aumentada, etc., carece de realismo em cerca de um terço das situações. Um terço dos idosos envelhece de forma saudável, continuando a ser extremamente activos na sociedade, ultrapassando com facilidade as insuficiências próprias do envelhecimento, mostrando-se independentes em todas as suas actividades, sendo por isso uma mais-valia para o ensino dos cidadãos de grupos etários mais jovens." (Helena Saldanha) 

 

 

 7 mitos sobre o envelhecimento

 

Mito 1: O envelhecimento é deprimente

Muitos estudos concluem que os idosos são uma faixa etária feliz. A linha da felicidade ao longo da vida pode ter uma curva em forma de U, com o nível mais baixo de felicidade por volta dos 40 anos (comparações em alta e expectativas elevadas), crescendo depois dessa idade (maior regulação emocional e realismo na gestão de expectativas).

Deve-se, contudo, ter em conta a importância da perda de capacidade económica com a entrada na reforma, e os traços de personalidade (teoria “big five”), tais como o neuroticismo, a amabilidade e a abertura a novas experiências. As pessoas que são infelizes durante a juventude devido aos traços de personalidade continuarão a sê-lo no decorrer de todo o ciclo de vida.

 

 

Mito 2: O envelhecimento leva à solidão

Embora o isolamento social possa ser um problema para os mais velhos, especialmente para aqueles que não possuem capacidade de mobilidade, uma parte dos idosos é socialmente activa e feliz. No entanto, Portugal passou nas últimas décadas por transformações sociodemográficas que o colocaram como segundo país com mais pessoas idosas a viverem sem companhia no espaço da União Europeia, à frente da Croácia.

 

 

Günther Anton Krabbenhöft é seguido por 45 mil seguidores no Instagram. O alemão possui 76 anos feitos em 2021, e as suas áreas de intervenção são a moda, música techno e a cultura urbana.

Mito 3: O envelhecimento leva inevitavelmente à decadência cognitiva e à demência

Com o envelhecimento podem surgir perdas e ganhos cognitivos. Enquanto por exemplo, os mais velhos - com saúde - podem ter tempos de reacção ou de resolução de problemas mais lentos (diminuição da inteligência fluída), as capacidades mentais que dependem do conhecimento e da experiência acumulada (inteligência cristalizada), assim como a inteligência linguística melhoram em condições normais ao longo do tempo. A forma como se envelhece pode ser bem-sucedida, primária (envelhecimento normativo) ou secundária (envelhecimento patológico).

Segundo a Associação Internacional de Alzheimer, apenas 5% das pessoas com mais de 65 anos irá desenvolver demência.

 

Mito 4: O envelhecimento leva à improdução

Embora a reforma signifique o abandono do mercado de trabalho remunerado os mais velhos não são improdutivos.  Eles contribuem com inúmeras horas em actividades informais produtivas como ajudar os filhos ou netos e em voluntariado, o que traz benefícios para a sociedade.

 

 

Mito 5: Com o envelhecimento ficamos menos criativos

Há inúmeros exemplos que contrariam o mito de que com o envelhecimento ficamos menos criativos. Muitos artistas só encontram a sua vocação ou alcançam o seu apogeu na fase mais tardia da vida. Um grande exemplo é Grandma Moses que começou a pintar aos 78 anos e continuou a pintar até aos 101 anos idade.

Aos 90 anos em 2021, Miguel Milá continua ativo e cheio de entusiasmo, e só parou de andar de mota depois de sobreviver ao covid-19. Milá faz parte da geração maravilhosa de pessoas mais velhas que está a destruir barreiras e estereótipos associados à idade. Citando o designer vencedor do Premio Compás de Oro, Premio Nacional de Diseño, Medalha de Ouro e Mérito em Belas Artes, “o envelhecimento enriquece alguns objetos e alguns materiais nobres, como madeira, pedra ou algumas pessoas”.

 

 

 

Um estudo recente realizado por dois vencedores do Prémio Nobel da Economia (Bruce Weinberg e David Galenson) demonstra que existem dois ciclos de criatividade na vida, um que surge quando se é mais jovem (por volta dos 20 anos), e outro que frequentemente ocorre mais tarde na vida (acima dos 50 anos).

Bruce Weinberg é professor de economia na Ohio State University, e David Galenson é professor de economia na University of Chicago. O trabalho foi publicado numa edição especial da revista De Economist e os autores acreditam que o resultado não se limita apenas à economia, mas que pode ser aplicado à criatividade de forma mais geral.

Diferenças entre a criatividade conceptual e a criatividade experimental:

Os criativos conceptuais “pensam fora da caixa”, desafiam a sabedoria convencional e tendem a apresentar novas ideias. Este tipo de criatividade tende a atingir o pico no início de uma carreira, antes de a pessoa mergulhar nas teorias já prevalentes.

Os criativos experimentais acumulam conhecimento ao longo das suas carreiras, e descobrem maneiras inovadoras de analisar, interpretar e sintetizar essas informações numa fase mais avançada da vida ou da carreira.

 

 

·     Mito 6: O envelhecimento diminui a nossa capacidade de adaptação a novas situações

 

 

As pessoas mais velhas não só são capazes de se adaptar a novas situações como são especialistas em adaptação. Ao longo do seu ciclo de vida, o idoso teve que se adaptar a inúmeras mudanças e transições na vida, muitas das quais foram certamente grandes desafios.

As pessoas mais longevas podem ficar mais lentas a mudar as suas opiniões, mas a capacidade de adaptação é geralmente mantida à medida que envelhecem. É necessário ter também aqui presente os traços de personalidade, como por exemplo a “abertura a novas experiências” (teoria Big Five) que não dependem da idade.

Mito 7: O envelhecimento diminui a libido

Existe na nossa cultura o estereótipo de que os idosos são assexuados. Este preconceito pode provocar nos mais velhos sentimentos conflituantes ou de culpa sobre a sua sexualidade.  A actividade sexual e o prazer não diminuem com a idade. À semelhança do que acontece em qualquer idade, os idosos com saúde, bem-estar subjectivo e um parceiro(a) disposto(a) podem e devem continuar a manter relações sexuais.



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“Envelhecimento Bem-sucedido” neste link: https://www.cuidador.pt/blogue/268-envelhecer-nao-e-um-problema

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