A Gerontologia, área que estuda os diferentes processos de envelhecimento, está a mudar a abordagem e a perspectiva da solidão na terceira idade.
A Fundação Idade & Vida organizou em Barcelona uma reunião com especialistas para discutir o tema sobre a solidão em pessoas mais velhas, a percepção social, os efeitos sobre a saúde e as possíveis formas de lidar com ela.
O envelhecimento é um processo biopsicossocial e por esse motivo o conceito de solidão deve ser abordado a partir de uma nova perspectiva integrada em todos os aspectos da vida do ser humano.
Ano após ano aumenta o número de idosos que vivem sós e este fenómeno é de grande complexidade, com dimensões sociais, psicológicas, económicas e de saúde.

Créditos da fotografia: Mischa Gerber
A solidão não tem nada a ver com a idade, com a raça ou isolamento social, e a sensação de estar só não é necessariamente negativa porque há pessoas que a encaram como uma oportunidade de reflexão ou isolamento voluntário.
No entanto, nos últimos anos tem havido um aumento de famílias unipessoais provocada pelo aumento da expectativa de vida e mudança do modelo de família, o que cria condições para as pessoas mais velhas se sentirem sós.
No país vizinho de Portugal, aproximadamente 25% da população vive só em casa, e 42% deste grupo é constituído por pessoas com mais de 65 anos, dos quais 73% são mulheres. 40,9% das mulheres com mais de 85 anos vivem sós.
Dadas as semelhanças sociodemográficas entre Portugal e Espanha, a realidade deve ser semelhante.
Mas nem todas as pessoas que vivem sós se sentem solitárias e nem todas as que vivem com companhia se sentem acompanhadas, porque existem outros factores que provocam o sentimento de solidão, como a baixa auto-estima, sentimento de incompreensão ou a falta de vínculo emocional produzida pela morte de uma pessoa chegada.
Há idosos que vivem acompanhados mas sentem-se sós.
Disponibilizar os melhores cuidados de saúde não é suficiente para melhorar a qualidade do envelhecimento. A solidão também existe nos ambientes de residências institucionais de idosos e é necessário melhorar e adaptar as condições das habitações de modo a permitir que se viva mais tempo em casa dentro da plenitude do conceito de " envelhecimento activo".
O envolvimento em actividades com significado, e a interacção social promove a inclusão do grupo de pessoas idosas que vivem sós, 34% das quais têm mais de 85 anos.
Fonte http://www.eldiario.es/sociedad/gerontologos-avisan-ancianos-acompanados-sienten_0_639736550.html