A negação pode ser um mecanismo de adaptação do cuidador

 A negação em percepcionar o declínio da saúde do familiar pode acontecer quando surgem os primeiros sintomas de doença ou de incapacidade, e o resultado inicial é uma sensação de conforto que pode transformar-se posteriormente em irritação, frustração e stresse.

 Trata-se de um mecanismo psicológico que dá tempo ao cuidador de se adaptar a situações angustiantes do cuidado informal.  

 

 Pedir a um cuidador para mudar a forma como vê o seu familiar pode significar uma ameaça à estabilidade e organização da sua vida, e é mais confortável pretender que tudo está bem e nada está a mudar. 

 No entanto o processo de negação tanto pode ser uma forma subconsciente de ignorar que o familiar está com a saúde em declínio, o que dá tempo ao cuidador de se adaptar à mudança da realidade, como também pode ser uma maneira de evitar assumir a responsabilidade de ser cuidador.

 A incompreensão e o desconhecimento também podem ser factores de negação do declínio de saúde do familiar, pelo que é importante que se compreenda a condição da pessoa doente, os sintomas, os sinais e o tipo de cuidados que provavelmente vai precisar.

 Se por exemplo um filho não fizer ideia de como uma determinada demência afecta uma pessoa além do estereótipo da perda de memória, pode apoiar a sua mãe quando ela diz que ainda é perfeitamente capaz de conduzir o seu carro em vez de utilizar estratégias como simular uma avaria dispendiosa no carro, falar sobre a necessidade de venda do veículo, etc.

 

 

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