O idadismo está presente no dia-a-dia.

De forma mais visível ou dissimulada acontecem diariamente exemplos de descriminação pela idade (i.e. idadismo) e as vítimas desses preconceitos ou estereótipos são as pessoas mais jovens e as pessoas “idosas”.

Coloco entre parênteses a palavra idosas porque existem várias formas de medir a idade e nem sempre o número de anos de uma pessoa (i.e., a idade cronológica) reflete o estado de saúde (idade biológica).

Na passada sexta-feira, dia 24 de Março de 2017, presenciei um exemplo de idadismo numa instituição de cuidados de saúde com dimensão nacional.

Durante o atendimento a uma idosa que estava acompanhada com um familiar e aparentava ter seguramente mais de 80 anos, a funcionária olhou para o acompanhante e pediu-lhe para preencher um formulário.

Em resposta o familiar perguntou: “não pode ser a minha mãe a escrever?”

E a funcionária respondeu: “ela é capaz?”

Fui, entretanto, observando a idosa e não detetei nenhum sinal de incapacidade que pudesse justificar a atitude – idadista - da funcionária da instituição. A idosa comunicava e agia normalmente, e não verifiquei nenhum dos quatro “A” que - podem eventualmente - significar deficiência cognitiva: Apraxia, Amnésia, Agnosia e Afasia. Consegui observar que a escrita da idosa era bem desenhada e bem situada nas linhas do formulário. Como se sabe as alterações facilmente identificadas e sem explicação aparente na escrita podem ser um sinal de perda cognitiva.

Muitos idosos são independentes e autónomos na sua vida diária e as instituições de saúde têm a obrigação de formar os seus funcionários no sentido de terem a noção que envelhecimento não é doença, incapacidade ou demência.

As predições preconceituosas criam condições para que surjam estereótipos. Se o envelhecimento for encarado – unicamente - de forma negativa as perdas cognitivas e físicas surgirão mais rapidamente. A ironia é que na fase mais tardia da vida as pessoas preconceituosas também serão vítimas do próprio preconceito. A razão prende-se com o facto de o olhar para o envelhecimento de forma – unicamente – negativa cria a tendência para se terem comportamentos que descurem o autocuidado e a saúde.

É preciso ter presente que para se detetar um sinal de demência também é necessário verificar o ponto de partida da reserva cognitiva da pessoa. Uma pessoa que por razões pessoais, sociais ou falta de recursos não teve acesso a formação e ao conhecimento não é uma pessoa demente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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