Um gerontólogo numa consulta de dentista

 

 

Na passada sexta-feira, dia 17 de fevereiro, acompanhei a minha mãe a uma consulta médica dentista.

A pessoa que me fez nascer e deu vida, faz amanhã, dia 20 de fevereiro, 92 anos, está cognitivamente bem, mantém a sua autonomia (i.e, capacidade de decisão) plena, mas possui algumas alterações físicas que são resultado natural do processo de envelhecimento. Uma delas é a curvatura acentuada da parte superior da coluna, ou seja: cifose.

Regressemos à consulta.

Depois de entrar no gabinete e se sentar, a médica dentista inclinou a cadeira odontológica até a minha mãe ficar numa posição quase horizontal. A dentista estava a iniciar o processo de desvitalização de um dente quando a minha mãe se sentiu mal. A dentista (excelente profissional) e a sua assistente assustam-se, e pensam chamar um colega médico.

Enquanto isso, o meu olhar de gerontólogo centrado na pessoa como um todo deteta uma - possível - causa da má disposição. A posição da cadeira de dentista seria a indicada se a minha mãe não tivesse cifose, ou, se a cadeira tivesse características ergonómicas adequadas.

Enquanto ajudo a minha mãe a sair da posição de deitada sobre uma estrutura rígida apesar de almofadada, questiono a médica dentista sobre a possibilidade de se colocar uma almofada. A assistente foi buscar uma almofada, a minha mãe acomodou a sua coluna, e a consulta prosseguiu sem mais contratempos.

No final da consulta a médica dentista confirmou (tal foi o susto) que a minha mãe estava bem, e fez questão de afirmar que a almofada passava a fazer parte do gabinete de consulta.

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