Sobre a Gerascofobia

Sou cuidador informal e gerontólogo, e enquanto que os cuidados informais significam a dureza aprendizagem através da experiência e também do erro,  a gerontologia estuda os diferentes processos de envelhecimento: bem-sucedido, primário, secundário e terciário.

Esta publicação sai do lado clínico do envelhecimento (secundário e terciário) relacionado com os cuidados informais, porque envelhecer deve significar manter a autonomia e a independência até à fase final do ciclo de vida, que deve ser longo e o mais próximo possível do tempo de vida previsto no relógio biológico do ADN humano: aproximadamente 120 anos.

Falta juntar ao aumento da longevidade que se acentuou a partir da década de 1980 o envelhecimento com saúde, ou seja, bem sucedido ou primário. O Estado tem a responsabilidade central nesse passo que urge dar. Como? Através de políticas sociais e de saúde. As características do ambiente da nossa sociedade são fatores decisivos na caracterização do processo de envelhecimento coletivo. É devido a diferenças como a densidade demográfica, as caracerísticas culturais da dieta, o clima, a rede social amiga do envelhecimento, que tornam sociedades com a ilha de Sardenha e algumas áreas do Japão 

 

 

Há muitas pessoas, jovens ou não, que têm medo de envelhecer. Em alguns casos isso deve-se a uma certa inquietude sobre o que poderá acontecer com o passar dos anos, e em outros a razão é um verdadeiro medo irracional de envelhecer, das rugas, de uma possível incapacidade, de empobrecer, ou de ficar só e em estado depressivo.

Esse medo de envelhecer é conhecido como gerascofobia, e muitas vezes é baseado, total ou parcialmente, numa série de suposições - nem sempre corretas – sobre o que acontece à medida que as pessoas envelhecem.

Há muitos mitos sobre as pessoas idosas que geram estereótipos, preconceitos, equívocos, e sentimentos negativos em relação ao envelhecimento.

Por esse motivo a Fundación General de la Universidad de Salamanca, a Fundación General Consejo Superior de Investigaciones Científicas, a Universidade do Algarve, e a Direção Geral de Saúde de Portugal promoveram uma iniciativa no Centro Internacional sobre el Envejecimiento (CENIE), donde saiu uma lista de dez mitos comuns e falsos.

 

 

Há pessoas que têm medo de envelhecer, porque associam o envelhecimento às rugas, incapacidade, solidão …

(SIphotography / Getty Images/iStockphoto)

1.   As pessoas mais velhas têm "formas velhas de pensar"

Cada indivíduo, jovem ou velho, tem os seus próprios pensamentos e sentimentos sobre a sociedade. É errado supor que todas as pessoas com mais de 60 anos têm as mesmas crenças, assim como nem todos os jovens de vinte ou trinta anos pensam ou agem da mesma forma.

2.   As pessoas perdem a memória à medida que envelhecem

Ser ancião não é impeditivo de ter uma mente lúcida. Nem todos os idosos sofrem de doenças como a demência ou a doença de Alzheimer. A demência não é uma consequência direta do envelhecimento.

3.   A genética marca inevitavelmente a saúde no processo de envelhecimento

É verdade que a genética desempenha um papel no corpo e na saúde de cada pessoa, mas há inúmeras investigações que demonstram que é um papel secundário. A saúde e o bem-estar estão em grande parte nas mãos de cada pessoa. A expressão dos genes está condicionada por hábitos que se têm ao longo de todo o ciclo de vida. Ter uma dieta saudável, fazer exercício físico, descansar adequadamente e ter relações sociais contribuem para o envelhecimento saudável.

4.   As pessoas mais velhas adaptam-se pior às mudanças

Esta ideia é errada. A adaptabilidade e o desejo de mudar são uma característica da personalidade. As pessoas gostam da novidade e da emoção da mudança independentemente da idade. De facto, por regra os idosos enfrentam inúmeros desafios e situações de mudança ao longo do ciclo de vida e por isso independentemente da rapidez da capacidade de mudança são capazes de mudar e se adaptar.

5.   As pessoas mais velhas são menos aventureiras

Há muitas pessoas mais velhas que esperaram durante toda a vida pela oportunidade de se reformarem para viajar, ver coisas novas ou empreender novos projetos. É importante conhecer o significado da empatia e ver que não somos todos iguais; não o somos agora nem o seremos quando atingirmos uma idade mais avançada.

6.   As pessoas são menos produtivas à medida que envelhecem

A passagem à reforma não é sinónimo de inatividade para a maioria das pessoas. Reformar não significa que as pessoas mais velhas não façam nada e queiram ficar sentadas o dia inteiro. Dependendo de alguns problemas de saúde, alguns idosos podem precisar de descansar mais ou menos ao longo do dia, mas muitas pessoas reformadas continuam a trabalhar (com renumeração ou não) e levam uma vida ativa. Um relatório do instituto Labor Statistics dos EUA refere que 24% dos idosos oferecem-se como voluntários durante os seus anos de reforma.

7.  As pessoas ficam menos criativas à medida que envelhecem

Ser criativo é uma questão de idade ou de atitude? Um estudo recente da Universidade do Estado de Ohio publicado na revista De Economist desmonta o mito de que as pessoas mais velhas não são criativas e evidencia que um tipo de criatividade não se atinge antes dos 50 anos. O estudo refere a existência de duas formas de criatividade que surgem em fases diferentes da vida: os "inovadores conceituais" tendem a obter melhores resultados por volta dos vinte e cinco anos, enquanto os "inovadores experimentais" alcançam o seu melhor momento por volta dos cinquenta anos. Há muitas pessoas que realizam passatempos, artesanato ou atividades artísticas na última fase da vida, e desenvolvem inclusive uma segunda carreira profissional remunerada.

8.   As pessoas idosas são mal-humoradas ou deprimidas

A sociedade glorifica a juventude como um valor em si mesmo e associa o envelhecimento à deterioração e a problemas. Mas há muitas e diversas investigações que demonstram que as pessoas mais velhas - principalmente acima de 70 anos - são mais felizes do que os jovens. Nas pessoas mais velhas os estados positivos duram mais e os negativos menos tempo. Ou seja, com o envelhecimento as pessoas recuperam mais depressa quando se sentem tristes e os estados de alegria duram mais tempo. A explicação parece ser que os idosos são mais felizes porque têm mais ferramentas e estratégias cognitivas e emocionais para lidar com as dificuldades. Não há portanto evidência que comprove que as pessoas idosas têm mau humor. Mais uma vez não é uma questão de idade: as pessoas que têm mau humor na juventude poderão continuar a ter mau humor à medida que envelhecem. As que são felizes e bem humoradas enquanto novas, geralmente continuam a ser felizes nas fases mais avançadas da vida. As rugas não são um factor causal.

9.   Os idosos são pessoas sós

É verdade que muitos idosos, especialmente mulheres, moram sozinhos por opção ou por circunstâncias da vida como ficar viúvo(a). Mas isso não significa que todas as pessoas de idade avançada se sintam sós. Muitas mantém uma agenda ocupada e a vida social ativa depois da passagem à reforma porque têm mais tempo. O sentimento de solidão está normalmente mais associado à falta de saúde ou à maneira de ser e não à idade.

10.                    Os idosos são incompetentes

O envelhecimento pode levar a algum esquecimento ou a dificuldades de evocar um nome num determinado momento mas não é sinónimo de incapacidade se não existir uma doença neurodegenerativa ou demência. As pessoas mais velhas que continuam a estimular o cérebro, a exercitar o corpo e a alimentar a alma continuam a ser capazes nos últimos anos de vida. Mesmo aquelas pessoas idosas que ao longo do tempo tiveram alguma perda de memória podem manter a capacidade de compreender, tomar decisões racionais, interagir e aproveitar a vida.

 

 


 Artigo “7 PRECONCEITOS SOBRE O ENVELHECIMENTO” aqui👉 : https://www.cuidador.pt/blogue/81-7-preconceitos-sobre-o-envelhecimento

 

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