Alucinações e delírios em pessoas com demência. Causas, manifestações e tratamento.

As pessoas com demência por vezes acreditam ver ou ouvir coisas que realmente não existem. Embora as alucinações e os delírios sejam imaginários, para a pessoa que os sofre são muito reais e podem causar extrema ansiedade e até pânico. Para o cuidador, esta pode ser uma situação particularmente difícil e uma fonte de grande stresse.

·        Alucinações. O que são?

As alucinações consistem na criação pela mente de percepções sensoriais como se fossem reais. Elas podem incluir qualquer um dos sentidos, mas os mais comuns são as alucinações visuais e auditivas, isto é, a pessoa vê ou ouve algo que não existe. Por exemplo, o familiar doente pode ouvi-lo a chamar por ele ou ver pessoas que não estão na realidade lá.

·        Delírios. O que são?

Os delírios são ideias que não são baseadas na realidade, mas que a pessoa com demência acredita que são verdade. Alguns exemplos comuns são ideias de roubo de dinheiro, de outros bens, ou que alguém está a tentar prejudicar.

·        O que provocam as alucinações e os delírios?

Existem fatores não modificáveis ​​que estão na base das alucinações e dos delírios de pessoas com demência. A demência faz com que a pessoa perca a capacidade de reconhecer as coisas porque o cérebro não interpreta com precisão as informações que recebe.

Os problemas de memória podem levar a suspeições, paranoias e ideias falsas. O cuidador deve ter em conta que o seu familiar está a tentar dar sentido ao que o rodeia com capacidades intelectuais cada vez mais diminuídas. É compreensível que, ao perder a memória de curto prazo, a pessoa doente acredite que seus objetos foram realmente roubados, porque ele simplesmente não se lembra onde os colocou 5 minutos antes. A perceção temporária incorreta também pode fazer acreditar que viveu recentemente um acontecimento que ocorreu há muitos anos. O cuidador deve colocar-se na pele do seu familiar para entender melhor a situação e agir corretamente.

Também existem fatores modificáveis ​​que podem causar sintomas de alucinações e delírios, como por exemplo:

1)    Alterações sensoriais, como problemas de visão ou deficiência auditiva.

2)    Efeitos secundários de alguns medicamentos.

3)    Doença psiquiátrica.

4)    Ambientes desconhecidos.

5)    Doenças físicas como infeções, febre, dor, prisão de ventre, anemia, doenças respiratórias, desnutrição ou desidratação.

6)    Presença de cuidadores ou de pessoas que não são conhecidas.

7)    Interrupção de rotinas familiares.

8)    Sobrecarga sensorial devido a muitas coisas que estão a acontecer ao mesmo tempo.

·        O que fazer quando um membro da família está a ter uma alucinação ou um delírio?

A primeira opção é fazer uma visita ao médico para descartar a presença de outros problemas físicos ou psiquiátricos e verificar os efeitos da medicação. O especialista pode prescrever medicamentos que ajudem a controlar os delírios ou as alucinações em pessoas com demência, mas no entanto muitos dos medicamentos antipsicóticos usados ​​para tratar esses sintomas têm efeitos colaterais como rigidez, tremores ou sonolência. Os antipsicóticos mais recentes têm menos efeitos colaterais, mas podem causar sonolência.

É importante avaliar se os delírios e as alucinações têm um impacto verdadeiramente negativo na vida da pessoa doente e dos seus familiares.

Um psiquiatra uma vez disse durante uma sessão de formação que não prescreveu medicação antipsicótica para uma pessoa com Alzheimer que pensava que ele era o chefe da residência, porque chamá-lo de chefe fazia dele a pessoa mais feliz da instituição.

Mas também existe a situação oposta, ou seja, pessoas com alucinações terríveis que não recebem tratamento farmacológico porque supostamente "não se pode fazer nada, porque isso é demência". Analisar as vantagens e os riscos é muito importante nesse tipo de situação.

·        Além do tratamento farmacológico, há outras coisas que o cuidador pode tentar fazer, como por exemplo:

1)     Não discutir. É melhor reconhecer que a pessoa pode estar muito assustada com delírios e alucinações. Em vez de discutir, tente distrair a pessoa com música, exercícios, atividades, conversas com amigos e fotos antigas. Às vezes, uma simples mudança de conversa pode ajudar.

2)    Não repreender a pessoa pela perda de objetos ou por esconder coisas.

3)    Investigar se existe algum fator ambiental que possa estar a provocar as alucinações e os delírios, como barulhos, sombras, decoração, etc.

4)    Tentar responder aos sentimentos subjacentes aos sintomas. Se se a pessoa se sentir perseguida, com medo, faça-a sentir-se protegida. Um abraço no tempo certo pode ser uma excelente terapia. O contato físico pode ser reconfortante, mas certifique-se de que a pessoa está disposta a aceitar essa interação.

5)    Tentar manter um ambiente familiar. Se a pessoa tiver que se mudar de domicílio, leve algumas coisas familiares da residência anterior.

6)    Tentar manter os cuidados e as rotinas constantes.

7)    Ter um diário pode ajudar a determinar se as alucinações ou delírios ocorrem em horários específicos do dia, ou com determinadas pessoas. Identificar as causas pode ajudar a fazer mudanças para superar as dificuldades.

8)    Finalmente, e talvez a coisa mais importante: não interprete  as acusações pessoalmente, e esteja ciente de que a pessoa não é capaz de controlar esse comportamento.

Fonte: https://www.facebook.com/notes/nina-romero/alucinaciones-y-delirios-en-las-personas-con-demencia-causa-manifestaciones-y-tr/931556993590734/

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