Quando um familiar tem alguma forma de demência em geral ou Alzheimer em particular surgem mudanças patológicas no cérebro que provocam o declínio na capacidade de dar sentido ao que ouve.
Por esse motivo o cuidador deve utilizar frases curtas e breves, de forma a simplificar a mensagem que quer transmitir e facilitar a compreensão por parte da pessoa doente.
As diferentes formas de demência acabam por afetar o processamento (raciocínio, planificação, …) e a recuperação (memória) de informação por parte do cérebro, o que diminui a capacidade de entender e responder adequadamente.
As frases curtas e directas com apenas um pensamento são mais fáceis de entender ao contrário do que acontece com a utilização de formas de comunicação longas ou complexas. Quem cuida deve respeitar a diminuição das capacidades cognitivas da pessoa doente.
Esta técnica de comunicação deve incluir um tom de voz afável e positivo por parte do cuidador de modo a criar empatia. Mesmo em fases avançadas da demência o doente nunca deixa de sentir emoções em resultado da forma como é tratado.

Na fase inicial da doença a pessoa apercebe-se que alguma coisa não está bem
Quatro exemplos de comunicação utilizando menos palavras.
Exemplo nº 1
Está na hora de o familiar doente ir tomar banho, fazer a higiene ou ir à casa de banho.
O cuidador deve dizer: é hora de ir à casa de banho.
O cuidador NÃO deve dizer: já passou uma hora desde a última vez que foste à casa de banho, e por isso é altura de ir agora. Pode ser? Queres ir agora?
Exemplo nº 2
Está na hora de o paciente almoçar.
O cuidador deve dizer: mmmm, é hora de comer esparguete!... (pausa)... Vamos para a cozinha.
O cuidador NÃO deve dizer: Estás com fome? É hora do almoço e pensei que gostasses de comer um dos teus pratos favoritos - esparguete. Vamos para a cozinha para comeres a refeição. Depois do almoço, vamos sair para dar uma caminhada para tomares um pouco de ar fresco. Qual é a tua opinião?
Exemplo nº3
O cuidador tem que levar o paciente a uma consulta médica.
O cuidador deve dizer: é hora de sair... (pausa)... está aqui o teu casaco... (pausa)... vamos entrar no carro.
O cuidador NÃO deve dizer: vamos ver o Dr. António hoje. Ela vai analisar se os novos medicamentos estão a resultar. Lembras-te que tivemos que remarcar a consulta no mês passado? Está um pouco frio hoje e por isso é melhor vestires o teu casaco antes de irmos para o carro.
Exemplo nº 4
Um familiar ou amigo veio visitar o doente.
O cuidador deve dizer: é o teu irmão João, (pausa)... ele veio dizer olá!
O cuidador NÃO deve dizer: olha, tens aqui uma visita! Sabes quem é? O João esteve cá na semana passada. Lembras-te da conversa que tiveram?
Todas as pessoas são diferentes e as diversas formas de demência (Alzheimer, Vascular, Frontotemporal, etc.) têm fases evolutivas, pelo que a aplicação de técnicas de comunicação exigem prática, ajustes e paciência até se descobrir qual é a que que funciona melhor.
Um dos factores a ter em conta é que o nível de onde começa o declínio cognitivo (reserva cognitiva) é diferente de pessoa para pessoa. Uma segunda variável é o estágio da doença.
O estímulo que resulta da interacção nunca deve provocar stresse, ou seja, o estímulo nunca deve ser superior à capacidade cognitiva do doente.
Infografia sobre a assertividade na comunicação:

Fontes:
http://dailycaring.com/how-to-talk-to-someone-with-alzheimers-use-short-direct-sentences/
Cruz Roja de España