O cuidador deve ter presente as seguintes ideias-chave durante a ajuda ao seu familiar a vestir-se:
· Conforto;
· Higiene;
· Respeito pela individualidade;
· Simplificação de processos;
· Segurança;
· Estimulação física e cognitiva.
Se a pessoa tiver a capacidade de comunicação verbal diminuída devido à doença de Alzheimer ou outra forma de demência, o cuidador deve ser especialmente empático e atento.

Infografia da Cruz Roja
11 princípios a ter em conta pelo cuidador no momento de ajudar a vestir o familiar:
1) SEJA FLEXÍVEL: se o seu familiar tiver um gosto especial por determinada roupa, compre várias peças iguais ou tenha roupa parecida sempre disponível. Desta maneira agrada-se e mantém-se uma boa higiene pessoal.
2) AJUDE A ESCOLHER: escolha com o seu familiar a roupa que vai usar no dia seguinte, deixando-a colocada pela ordem que deverá ser vestida.
3) TENHA ESPECIAL ATENÇÃO À ROUPA INTERIOR: é muito importante usar roupa interior limpa para se evitarem infeções urinárias ou outro tipo de infeções.
4) VERIFIQUE SE A ROUPA É ADEQUADA: se o seu familiar quiser vestir muitas camadas de roupa, certifique-se que não fica com calor. Quando sair verifique se ele está adequadamente vestido relativamente ao estado de tempo. Tenha em conta que com o envelhecimento a capacidade de uma pessoa sentir alterações da temperatura ambiente diminui. A capacidade de o organismo regular a sua temperatura também pode diminuir com o avançar da idade.
5) ESTIMULE SEMPRE: não critique se por exemplo a roupa estiver desadequada. Não pense que ele não consegue fazer nada, porque a pessoa doente pode precisar unicamente de uma indicação. Ajude-o a guardar as coisas sempre no mesmo sítio, porque desta maneira estimula a memória e é mais fácil que ele se lembre. A criação de rotinas é fundamental, especialmente quando se cuida de alguém com demência. A rotina transmite segurança porque diminui a imprevisibilidade.
6) SIMPLIFIQUE AS ESCOLHAS: caso o familiar tenha perdas cognitivas, coloque no armário só a roupa da estação. Disponibilize sempre o vestuário favorito, mas simplifique o processo. Reduza as possibilidades a duas peças por secção. Identifique com desenhos os locais onde estão guardadas as peças de roupa.
7) AJUDE A VESTIR EM FRENTE AO ESPELHO: caso seja possível, ajude o seu familiar a vestir-se diante do espelho para o ajudar a reconhecer-se durante mais tempo. O cuidador deve estar também atento à possibilidade de o reflexo da imagem no espelho poder provocar alterações negativas de comportamento. Esta situação acontece quando a pessoa não tem a capacidade de se reconhecer.
8) ORGANIZE O PROCESSO: organize as peças de roupa pela ordem que vão ser vestidas. Entregue peça a peça enquanto dá instruções simples e diretas como “veste a camisa”. Acompanhe a comunicação verbal com gestos.
9) ESCOLHA SAPATOS CONFORTÁVEIS E SEGUROS: certifique-se que o seu familiar usa sapatos confortáveis, sem tacão e com sola antiderrapante. Tenha em atenção que no verão o pé pode dilatar devido ao calor, pelo que o calçado deve ser ligeiramente largo, sem, no entanto, colocar em causa a segurança.
10) ESCOLHA ROUPA SIMPLES E CONFORTÁVEL: para manusear a roupa mais facilmente, substitua botões por velcro, zíperes ou fecho-éclair. Certifique-se que a roupa está folgada especialmente na cintura e nos quadris. Escolha tecidos macios e confortáveis, e sempre que possível opte por peças únicas.
11) DÊ TEMPO: adeque o processo de vestir à capacidade física e cognitiva do seu familiar. Dê-lhe o tempo que for necessário para se vestir sozinho ou com ajuda. Lembre-se que só deve intervir no momento em que o seu familiar deixa de ter capacidade para executar uma determinada atividade.