
Não é simples definir com clareza uma pessoa como "Velha"… senão, vejamos:
· Para um rapaz com 18 anos, um indivíduo com 50 anos é visto como um “Velho”, enquanto um “Idoso” de 80 anos pode tratar um amigo da sua geração como um “moço da minha idade”;
· Um "Idoso" europeu tem características físicas, psicológicas e sociológicas diferentes das de um "Idoso" da Ásia ou de África;
· Uma pessoa com 50 anos de um país subdesenvolvido pode corresponder à idade em termos de saúde de uma pessoa com 80 anos de um país desenvolvido porque a formação, o rendimento económico e as políticas sociais e de saúde interferem na forma como se envelhece;
· Além das especificidades culturais de cada país o género da pessoa também é relevante. Sabe-se que as mulheres possuem maior morbilidade (são portadoras de mais doenças) e disfuncionalidade (perda de aptidão física funcional). Uma justificação para esta situação é o nível de escolaridade das atuais mulheres “Idosas”. Existe uma relação entre o nível de instrução e a saúde;
· Por outro lado, os homens morrem mais cedo que as mulheres e entre várias justificações estão os comportamentos de risco e exposição a ambientes que agridem a saúde ao longo do ciclo de vida. Alguns dos motivos que diferenciam as formas de envelhecimento entre homens e mulheres ainda não estão totalmente esclarecidas.

Jones e Rose (2005), definiram 3 perspetivas de idade:
1) Idade cronológica – corresponde à passagem do tempo em anos. O Instituto Nacional de Estatística considera como idosas todas as pessoas com mais de 65 anos (coincidente com a Reforma, Jubilação, ou com a idade convencional de abandono do trabalho remunerado);
2) Idade biológica - Corresponde ao conjunto de processos que ocorrem no corpo e que provocam perda de adaptabilidade, doença, limitação física e funcional, deficiência e eventual morte.
3) Idade funcional – relaciona-se com a aptidão física funcional em comparação com outras pessoas do mesmo escalão etário e sexo.

Um indivíduo com 80 anos pode ter um desempenho funcional ou biológico semelhante ao de outra pessoa com 60 anos, o que o coloca numa idade funcional ou biológica inferior à respectiva idade cronológica.
Até ao início do século XX era comum marcar o início do envelhecimento com a perda da fertilidade nas mulheres (menopausa) e surgimento de algumas doenças crónicas nos homens (doenças cardiovasculares, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, etc.), mas atualmente sabe-se através de análises moleculares às células que o ser humano começa a envelhecer quando respira pela primeira vez oxigénio da atmosfera. Por outro lado o significado atribuído ao conceito "menopausa" é diferente devido à evolução da ciência e da estrutura da família.
O oxigénio provoca os conhecidos radicais livres que causam envelhecimento das células, órgãos, tecidos e do organismo. No entanto, a velocidade com que os nossos órgãos envelhece não é homogénea. Alguns órgãos perdem naturalmente mais capacidade funcional com o passar dos anos, destacando-se os pulmões, os rins e o fígado, sem que isso signifique que a pessoa esteja doente.
Caso a mãe seja fumadora ou alcoólica, o envelhecimento da criança pode ter início ainda na barriga da mãe.
Em suma, não existem duas pessoas que envelheçam da mesma maneira e à medida que os anos vão passando acentuam-se as diferenças de saúde física e cognitiva de indivíduo para indivíduo. O envelhecimento pode ser definido como a perda de capacidade de adaptação ao ambiente e não existe uma medida universal para esse processo.