O que é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC)?
É uma doença respiratória crónica que se caracteriza pela limitação do fluxo de ar, falta de ar/dispneia, tosse, pieira e aumento da produção de expetoração. Estes sintomas podem limitar a capacidade da pessoa em realizar as atividades diárias normais.
A história natural conduz a uma progressiva deterioração da função pulmonar e que se inicia por sintomas insidiosos e inespecíficos. As intervenções terapêuticas precoces melhoram o prognóstico e a qualidade de vida das pessoas doentes, e por isso o diagnóstico precoce é fundamental. Ele assenta na atenção aos sintomas e sinais e na confirmação através da realização de um exame da função respiratória muito simples: a espirometria.
Segundo a OMS esta doença afeta 210 milhões de pessoas no Mundo e provoca anualmente a morte a 3 milhões de pessoas. É das poucas doenças crónicas com tendência a aumentar nas próximas décadas. O resultado será o aumento do número de casos, da mortalidade, e de níveis de incapacidade. Prevê-se que venha a ser a ser a terceira causa de morte.
A DPOC resulta frequentemente em incapacidade moderada ou grave. A doença provoca anualmente em Portugal a perda de mais de 74.000 anos de vida ajustados por grau de incapacidade e os custos no ambulatório destes doentes está estimado em mais de 240 milhões de euros anuais (Miguel Gouveia, Margarida Borges, A. Vaz Carneiro).
A DPOC é, pois, um problema grave que pode ser abordado em duas frentes:
A primeira é na área da prevenção primária. A doença é provocada em 85 a 90% dos casos pelo fumo de tabaco. É, pois, fundamental que sejam desenvolvidas estratégias que levem a que os jovens não se iniciem no vício de fumar, o que deverá ser uma tarefa da família e das escolas.
A segunda diz respeito à dieta que a pessoa tem.
O que causa a DPOC?
O tabagismo é o fator de risco predominante para se desenvolver a doença, mas apenas 20% de todos os fumadores desenvolvem DPOC. Em termos mundiais um aumento no consumo do tabaco é proporcional ao aumento do número de pessoas com a doença.
O tabagismo, no entanto, não é o único fator de risco.
As pessoas/comunidades expostas a poluição, a poeiras atmosféricas podem desenvolver DPOC, o mesmo acontecendo com a poluição atmosférica.
A hereditariedade constitui igualmente de um fator de risco. Atualmente, a única doença genética identificada que pode causar DPOC é a deficiência em alfa1-antitripsina que é uma enzima que, normalmente, impede a perda das fibras elásticas dos pulmões.
A alimentação e a DPOC
A DPOC caracteriza-se por uma progressiva limitação do fluxo de entrada e saída do ar dos pulmões e pela destruição dos alvéolos pulmonares (locais onde se realizam as trocas gasosas entre o sangue e o ar).
A alimentação pode ser importante como terapia conservadora (não medicamentosa) da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, e contribuir para uma melhor respiração. Uma dieta adequada pode impedir a diminuição da força e da resistência dos músculos respiratórios (diafragma e músculos intercostais). Na inspiração, o diafragma (músculo que se encontra ligado à parte de baixo dos pulmões) baixa e os músculos intercostais elevam-se, o que permite que os pulmões se abram e se encham de ar. Na expiração, acontece o relaxamento da musculatura do diafragma e dos músculos intercostais e como resultado os pulmões fecham.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica resulta por norma em carência energética, proteica e perda de peso. Isso acontece porque devido à obstrução crónica, a função pulmonar fica alterada (devido à necessidade de aumento do trabalho respiratório), o que se traduz em maiores necessidades energéticas.
Os fármacos utilizados na DPOC podem produzir efeitos colaterais como náuseas, vómitos e perda de apetite. A administração de corticóides (anti-inflamatórios) pode inibir a síntese proteica e promover o catabolismo proteico (o que se traduz em perda muscular), além de baixar as defesas imunológicas e aumentar a possibilidade de ocorrerem infecções.
Por outro lado, as pessoas com DPOC podem desenvolver obesidade (não confundir com massa muscular), o que aumenta o esforço cardiovascular e pulmonar (o coração tem que bombear mais sangue e os pulmões precisam de mais oxigénio), tornando a respiração mais difícil. Mais peso corporal significa mais necessidade de oxigénio.
O plano alimentar deve ser ajustado às necessidades individuais, mas aqui estão algumas recomendações genéricas:
• Consumir diariamente 5 a 6 pequenas refeições de modo a evitar a dilatação excessiva do estômago, o que interfere com a função do músculo diafragma na respiração. A dilatação do estômago faz com que o músculo diafragma desça com maior dificuldade para que os pulmões possam abrir e facilitar a inspiração.
• Usar broncodilatadores 1 hora antes das refeições, caso não exista indicação médica contrária.
• Adicionar, caso não exista indicação médica contrária, azeite, queijo, ovo, manteiga ou outras fontes lipídicas (gorduras) às sopas, pratos e sandes, de forma a aumentar a ingestão energética (1 grama de gordura tem cerca de 9 calorias).
• Comer devagar, mastigar com calma, de modo a evitar cansaço e aerofagia (deglutição de ar que pode provocar distensão abdominal);
• Ingerir líquidos 1 hora após as refeições e não durante as refeições, de forma a evitar a saciedade precoce
Fontes:
Associação Portuguesa de Dietistas
Fundação Portuguesa do Pulmão
Cruz Roja de España