Durante uma palestra sobre gestão de stress, a palestrante levantou um copo com água e perguntou:
· Quanto pesa este copo com água?
Depois de ouvir várias respostas da plateia sobre o possível peso absoluto resultante das ações da gravidade sobre os corpos, prosseguiu:
· Se eu segurar o copo durante um minuto, o peso é pouco e não é um problema. Se o segurar durante uma hora, vou sentir mais o peso e provavelmente vou acabar por ter uma dor no braço. Se segurar o copo com água durante várias horas o meu braço vai certamente ficar entorpecido. O peso absoluto do copo é sempre o mesmo, mas quanto mais tempo o segurar, mais pesado ele se torna.

As síndromes “o peso do copo com água” e “a rã fervida” têm sinais e sintomas comuns que resultam da exposição prolongada a situações inicialmente subvalorizadas indutoras mal-estar e stress. Em ambas condições o mal-estar surge subtilmente e agrava-se com a adaptação às circunstâncias indutoras.
Assim, a água onde a rã se encontrava inicialmente não era desagradável, mas à medida que a temperatura foi subindo a rã foi adaptando-se, e a partir de certa altura perdeu a capacidade de reagir e foi fervida. A síndrome do peso do copo de água também resulta da sujeição prolongada a tensões e preocupações inicialmente desvalorizadas.
As consequências da adaptação ao peso do copo com água e à subida de temperatura da água podem aplicar-se ao dia-a-dia da pessoa cuidadora, e da pessoa cuidada. Tal como acontece com as duas síndromes, a síndrome “do cuidador” também se inicia com a adaptação a situações indutoras de stress e mal-estar, e quando os sinais e sintomas se tornam detectáveis a pessoa cuidadora pode estar próxima do esgotamento.
O diagnóstico da síndrome do cuidador pode ser difícil de realizar porque pode ser confundido com outras doenças, e os sintomas e sinais são os seguintes:
Sintomas físicos: cansaço, dores de cabeça, dores nas articulações, gastrites, hipertensão, insónia, tonturas, etc;
Sintomas psíquicos: ansiedade, apatia, baixa autoestima, depressão, irritabilidade ou distúrbios do sono;
Sinais sociais: isolamento, solidão, falta de tempo livre para passatempos;
Sinais no trabalho: absentismo ou perda de trabalho.
Como as preocupações e a falta de apoios fazem parte da vida de quem cuida, é importante procurar estratégias para gerir o peso do copo com água e estar atento à subida da temperatura da água para não sermos fervidos como a rã.
Assim, aqui ficam algumas sugestões nesse sentido:
· Tenha expectativas realistas sobre o estado e a evolução da saúde do seu familiar;
· Não permita que o facto de estar a sentir algum stress provoque ainda mais stress;
· Faça intervalos, por pequenos que sejam;
· Procure informar-se. Quanto mais compreender a doença do seu familiar, menos stress sentirá;
· Ouça música relaxante;
· Veja programas relaxantes;
· Feche os olhos e tente imaginar-se em lugares agradáveis;
· Pratique exercícios de respiração profunda. O objetivo é diminuir a tensão emocional, e consequentemente a pressão arterial e o ritmo dos batimentos cardíacos;
· Pratique atividades como yoga;
· Procure ajuda de pessoas em quem confie e tenha empatia. Mesmo na ajuda de profissionais de saúde, como por exemplo de psicólogos, é fundamental que exista empatia e confiança entre a pessoa paciente e o/a profissional. A empatia é chave do sucesso numa consulta com profissionais da área da saúde.

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